Classificação

7.5
Interpretação
6
Argumento
9
Realização
10
Banda Sonora

Daenerys: “Não estou aqui para ser a rainhas das cinzas” (para Olenna Tyrell, na estreia da sétima temporada)

Bem, nem sei muito bem por onde começar. Foram tantos os sentimentos que me assolaram ao longo destes 70 e tal minutos de episódio que me sinto de coração desfeito em pedacinhos ao mesmo tempo que gostei muito de certas partes, que corresponderam às minhas expetativas.

Não consigo enfatizar vezes suficientes o quão gostaria de esganar David Benioff e D.B. Weiss por quererem encurtar as últimas temporadas e, ao fazê-lo, grande parte da magia da série foi-se. Das coisas que mais adorava em Game of Thrones era a complexidade do argumento e das personagens. Nas últimas duas temporadas isso praticamente desapareceu, nesta última, então, o fator surpresa não existiu.

Se o argumento deixa um pouco a desejar, o mesmo não se pode dizer nem da realização de Miguel Sapochnik, nem dos efeitos especiais, nem de toda a cinematografia da coisa. Está absolutamente fenomenal. Ver Porto Real a arder foi um inferno, um horror e uma maravilha visual. Ver Drogon reduzir a capital a cinzas tem tanto de horrível como de lindo. Eu cá já estou numa fase da série em que só quero que o Drogon mate toda a gente, que tenhas ovinhos escondidos e que Westeros seja só dragões e lobos gigantes. É pedir muito?

Pedra do Dragão

Gostem ou não da Daenerys, é impossível não ficar um bocadinho destroçado com a imagem da Mãe dos Dragões absolutamente arrasada e sozinha. Como já seria de esperar, as mortes de Rhaegal e Missandei foram um duro golpe para ela. Uma luz apagou-se dentro de Dany e como já sabemos, nunca mais se vai acender. A perda do filho e da melhor amiga foi a jogada que David Benioff e D.B. Weiss usaram para tornaram Daenerys Targaryen na Rainha Louca. Se esse era o plano, porque não ter temporadas completas de 10 episódios e talvez mais uma temporada? Tinham o apoio do mundo e resolveram apressar as coisas.

A primeira vítima de Dany foi Varys. O conselheiro começou a conspirar ativamente contra ela, não tendo sido bem sucedido em matá-la porque a rainha recusa-se a comer (a miúda com quem ele falou trabalha nas cozinhas e seguramente estava preparadíssima para envenenar Dany). Que final tão porcaria para uma personagem como Varys. Como muito bem disse, já viveu para ver muitos reis governar e fazer asneiras. E vai-se assim? Podiam ter feito bem melhor. No entanto, o primeiro indicador de que Daenerys ia seguir as pisadas do pai foi precisamente quando queimou Varys vivo. Aerys II fazia o mesmo com os seus conselheiros. Claro que ele não tinha dragões, mas o fogovivo servia e bem o seu propósito.

Depois de salvar Westeros da destruição certa com a chegada dos Caminhantes Brancos, Daenerys está mais só do nunca e sem o amor do povo e com a pessoa que ama também a rejeitá-la. Qual foi a cena de Jon Snow afinal? Em Westeros os laços familiares nunca importaram muito de qualquer maneira.

É impressão minha ou estragaram totalmente a personagem do Tyrion? Quando era Mão de Joffrey era excelente e desde a última temporada que tem feito um trabalho horrível com Daenerys. Na verdade, só vi um pouco do antigo Tyrion quando confessou ao irmão o quanto significava para enquanto o libertava. Tyrion conhece bem Daenerys e sabe que algo mudou nela. Tal como Varys, ele preocupa-se com o povo de Westeros (mesmo depois de os habitantes de Porto Real gritarem pela sua morte aquando o assassinato de Joffrey).

Porto Real

Sabem o que tenho a dizer em relação a tudo o que se passou em Porto Real? Lazy writing. Apenas e só. Esta temporada foi escrita em cima do joelho e sem qualquer tipo de preocupação ou carinho pelos fãs nem pelos seus atores. Porque é uma verdadeira vergonha o que fizeram a Jaime e Tyrion Lannister, Daenerys Targaryen e Jon Snow.

Todas estas temporadas a tentar redimir Jaime por ser uma pessoa horrível e por ter atirado Bran Stark da torre para isto? Ainda tive uma réstia de esperança de que a viagem para Porto Real servisse para cortar o mal pela raiz (matar Cersei), mas não. Depois de abandonar Cersei mais do que uma vez por abominar os atos monstruosos da gémea, Jaime volta como um cãozinho para o dono. A única coisa de jeito que fez foi tocar os sinos, mas nem isso serviu de alguma coisa. Os atos da irmã fizeram com que Daenerys já nem visse a razão.

Tenho de admitir que a batalha foi memorável. Quero dizer, batalha em si foi pouca. Basicamente todo o mundo fugia e lutava para se proteger da fúria infernal de Daenerys e Drogon. Inacreditável como no episódio passado não viram os navios de Euron e foi tão fácil matar Rhaegal como tirar doces a uma criança e neste Drogon destruiu todos os espigões como se não fosse nada. Nem um arranhão sofreu e Cersei estava armada até aos dentes deles. Mais alguém se riu da inutilidade da Companhia Dourada? Tanta coisa , tanta coisa e no final só serviram para me fazerem rir quando Harry Strickland fugiu aterrorizado do exército de Dany. Drogon acabou com eles com um sopro. Ridículo. Percebe-se perfeitamente a escolha de Miguel Sapochnik para realizar o episódio e o realizador foi perfeito no papel, pelo menos fez o melhor que podia com a história pobre que lhe deram.

Oh Dany. O que me doeu ver a expressão dura que fizeste no momento em que resolveste transformar Porto Real em churrasco. Sim, sim já sabíamos que a Rainha dos Dragões já tinha mostrado mais do que uma vez que dava sinais de instabilidade mental. Mas esses sinais passaram de 8 a 80 de um episódio para o outro. Varys mencionou o dito que dizem dos Tagaryen a Jon Snow no início do episódio. Creio que só no momento em que Daenerys tinha destruído toda a armada Lannister e depois de ouvir os sinos é que a sua moeda caiu. E caiu no lado da loucura (o lado da grandeza ficou reservado para Jon Snow).

Confesso que a ideia de uma Daenerys versão Rainha Louca sempre me agradou de certa maneira mas nunca, nunca, nunca executado de maneira tão pobre e apressada. Desde o início da série que Daenerys defende os inocentes e os oprimidos. Livrou as Cidades Livres da escravatura. Quando adquiriu o seu exército na terceira temporada, deu ordens específicas para os soldados matarem os mestres e não magoarem mulheres e crianças. Não houve um motivo em concreto que levasse Daenerys a querer exterminar a população de Porto Real. Quem matou Rhaegal e Missandei foi Cersei. Foi um massacre sem nexo, que serviu apenas e só para sabermos que a jovem Targaryen nunca se sentará no trono. Eu gostava que ela ficasse (antes disto, claro), mas se ela tivesse morrido uma heroína ou se a sua loucura tivesse sido bem melhor trabalha ficava contente também. Não me iludo, sempre soube que a série não ia ter um final feliz. Só não esperava que não fosse à custa da qualidade dos personagens e da história.

Numa das reviews desta temporada mencionei que as visões de Dany em Qarth tinham sido praticamente inúteis, mas parece que me enganei. O que Dany viu na destruída sala do trono não foi neve, foram cinzas. Causadas pela sua destruição. Será que a próxima parte da visão também confere? É certo e sabido que Daenerys vai morrer (às mãos de quem é que é o verdadeiro mistério) e será que vai reencontrar Drogo e o bebé Rhaego do outro lado? É o melhor final que posso esperar para ela agora.

Jon Snow parece uma barata tonta que a única coisa que faz na série é jurar a aliança a Daenerys e a repetir a todos que não quer o Trono de Ferro. Pois, mas agora com Daenerys louca não lhe restam muitas alternativas, pois não? Isso ou declarar Westeros uma democracia e ir embora para lá da Muralha para se reunir com Fantasma (e pedir-lhe perdão).

Através de Arya vimos de perto a destruição causada por Drogon nas ruas da cidade. Após ter dado ouvidos a Sandor Clegane e desistido de matar Cersei, a jovem corre pela vida e mal consegue escapar de Porto Real intacta. O adeus de duas personagens que passaram por tanto juntas ao longo da série foi do melhor do episódio. Fiquei com muita, muita pena de que não tenha sido ela a acabar com a vida de Cersei.

O confronto dos irmãos Clegane foi, sem dúvida, das melhores partes do episódio! Quando já tudo estava perdido, e Cersei, Qyburn e Montanha estavam a abandonar a Fortaleza Vermelha, Sandor apareceu para confrontar e lutar até à morte contra a pessoa que mais odeia. E foi brutal cada minuto. Esquecendo o facto de que Gregor está igualzinho a Darth Vader por baixo da máscara, a luta entre os irmão foi tudo aquilo que esperávamos da chamada “Cleganebowl”. Sandor e Gregor a lutar sobre um céu cinzento de chamas e destruição, com Drogon a voar e a disparar chamas. Foi quase poético. No fundo também sabíamos como isto ia acabar. Sandor iria acabar com a vida do irmão de uma vez por todas, mas nunca sairia vivo do confronto. O melhor desfecho para os personagens, sem sombra de dúvida.

Passando à frente a morte de Euron (excelente ator, mas uma personagem meio inútil, mexeu ali um bocado com a história nas Ilhas de Ferro e matou Rhaegal, mas uma pobre adaptação dos livros), vamos a Jaime e Cersei. Os dois passaram por muitos altos e baixos, mas nunca pensei que ambos os personagens tivessem este desfecho. Pensei que Jaime cumprisse a profecia do Valonqar (a bruxa falou disso a Cersei na floresta, mas tenho de admitir que esta parte foi ocultada na série) e matasse Cersei. Nada disso aconteceu. Ambos tiveram uma morte de porcaria, esmagados pela estrutura da Fortaleza Vermelha que Drogon destruía com muita determinação enquanto tentavam fugir da cidade e ir para Pentos como Tyrion planeou. Nem Arya, nem Tyrion, nem Daenerys (vá, propositadamente) tiveram o prazer de matar Cersei. Que morte tão inglória para uma das melhores personagens de sempre da série.

Porto Real está destruído, Daenerys enlouqueceu e o resto do mundo está aterrorizado pela jovem de cabelos prateados e o seu dragão negro. Já todos sabemos o final. Eu fiz uma aposta com o meu namorado sobre quem se senta no Trono de Ferro. Para a semana digo quem ganhou.

Maria Sofia Santos