Classificação

9
Interpretação
6
Argumento
5
Banda Sonora
8
Realização

O canal britânico POP estreou em fevereiro a série Flack, protagonizada pela bem conhecida Anna Paquin, que nesta história interpreta Robyn, uma relações públicas que trabalha numa agência de gestão de carreiras de personalidades, onde resolve vários tipos de problemas a celebridades mundiais.

[Atenção que os spoilers vêm aí!]

Tenho de começar pelo primeiro sentimento que tive quando ouvi falar da série. Que saudades de ver Anna Paquin atuar! A atriz deixou muitas saudades com a sua Sookie Stackhouse na saudosa True Blood e desde o término da série de Alan Ball que as sua aparições em projetos interessantes escasseavam na TV. Pois bem, neste papel vemos uma personagem diferente daquelas que têm sido apresentadas pela atriz e que surpreende pela positiva. Robyn é uma mulher que vive para a carreira, mas que nos é apresentada como alguém com um senso de moral interessante, que faz contraste com a frieza, despreocupação e até alguma infantilidade com que encarna a sua vida. Tem uma irmã com uma família já formada e durante o episódio percebemos que é alguém com quem Robyn se preocupa, já que tiveram de fugir de uma mãe com problemas mentais, que se suicidou há um ano.

É no aniversário da morte da sua mãe que este primeiro episódio se desenvolve. Vemos as duas irmãs a prestarem a sua homenagem e é aqui que temos um primeiro vislumbre da boa relação que mantêm as duas: o quanto são unidas e a necessidade que Robyn tem de cuidar da irmã. Para além desta relação familiar, somos apresentados às colegas de trabalho da protagonista e é aqui que encontramos uma das falhas do episódio. Ao longo destes primeiros 40 minutos, a personagem principal é muito bem apresentada e desenvolvida, mas isso implicou o descuido com a apresentação dos secundários. Exemplo disso são as colegas de trabalho, que não percebemos bem que papel vão assumir na trama. A chefe pouca interação teve, a colega de secretária não conseguimos enquadrar bem na vida de Robyn e, por último, a estagiária apenas serviu para se ver revelado mais um traço de moralidade em Robyn.

Todo o desenvolvimento acontece no mesmo compasso do escândalo que Robyn tem de resolver para o seu cliente, um famoso cozinheiro que passa a ideia de ser o pai e marido prefeito, mas que não passa de uma homem com um vício de sexo. Há uma mulher que dormiu com Anthony e tem provas disso mesmo. Robyn acha o cozinheiro um homem desprezível que não merece ser ajudado, mas acaba por dormir com ele após uma discussão sobre as perspetivas em relação ao abuso sexual da parte masculina e feminina, com Anthony a argumentar que não consegue resistir às mulheres e Robyn a argumentar que isso não é abuso e que ele não passa de um homem com um problema. Todavia, em seguida, Robyn acaba por dormir com ele, o que nos leva a questionar a sua verdadeira moral, continuando depois com a cena em que descobrimos que Robyn é casada.

As cenas onde Robyn está sozinha são aquelas que mais revelam sobre o estado emocional em que se encontra nesta altura da sua vida. Ficamos a saber que, para além de esconder do marido que está a tomar a pílula, consome droga para aguentar o seu ritmo de vida, apesar de dizer que só acontece de vez em quando. São também nestes momentos que mais entendemos que o lado mais deprimido de Robyn está a ficar cada vez mais evidente com o medo que ela tem de ter uma doença mental, tal como a sua mãe.

E chegamos ao final do episódio com uma sensação agridoce. Adorei a personagem principal, o seu desenvolvimento ao longo do bem estruturado episódio, mas fiquei apreensiva porque a história em si já não é nova. Quem acompanha Ray Donovan como eu não pode deixar de reparar em algumas semelhanças com a série da Showtime. Talvez veja mais alguns episódios para satisfazer a curiosidade em relação ao rumo que a série pretende seguir, quanto mais não seja para continuar a acompanhar a bela prestação de Anna Paquin.

Catarina Lameirinhas