Classificação

5.5
Interpretação
3
Argumento
3.5
Realização
4.5
Banda Sonora

Family Reunion é a nova sitcom da Netflix, uma série que se propõe a ser uma comédia familiar. Relata a história da família McKellan, composta pelos pais e quatro filhos, que viaja de Seattle para a Geórgia para uma reunião com a família mais extensa “do lado do pai” e com a decisão associada de se mudarem, de malas e bagagens definitivamente, da azáfama da cidade para o sossego do campo.

Quanto a mim, a série falha na sua missão, em primeiro porque a história tem de facto pouco sumo, pouca substância, e depois porque, enquanto série cómica, apresenta-se com muito pouca piada – não teve a capacidade de me fazer soltar uma única gargalhada ao longo deste piloto.

A série apresenta como potenciais pontos de interesse o tradicionalismo dos avós face ao modernismo que os pais adotaram na educação dos filhos e as dificuldades de adaptação das crianças a esta vida do campo onde, imaginem, “nem há wi-fi”. Temos assim uns filhos/netos “chicos-espertos” que são, quanto a mim, os mais engraçadas, mas no fundo a série parece restringir-se à filha mais velha, sendo os restantes pouco mais que “participantes especiais” com algumas falas por episódio. A filha mais velha, ao ser a mais “branca” da família, mas também a mais “adolescente”, é a rebelde e a mais revoltada com a mudança de cidade, o que traz a sua rebeldia ao de cima, inquietando os pais e apoquentando os tradicionais avós!

Trata-se de uma série demasiadamente simplista, até para uma série de comédia. O texto não é criativo e traz realmente pouco de novo face às outras opções de comédia que já passaram ou que estão atualmente no ar. Os “áudios” de gargalhadas da “assistência” libertados ao longo de piadas com pouca graça tornam algumas cenas ainda mais ridículas. Além disso, Family Reunion tem um tom demasiado teatral, próprio das sitcoms, mas neste caso ainda mais exagerado do que o costume, roubando realismo e identidade às cenas, o que confesso que também não me agradou.

É uma série de “visualização” fácil, não obriga a grande atenção ou qualquer raciocínio para que a sigamos, mas também faz pouco para que mantenhamos o interesse, sobretudo quando a duração excede os habituais 20 e tal minutos deste género e se aventura para uns desnecessários 30 e tal.

Pode ser uma série para pais verem com os seus filhos e pode ter algumas lições familiares a passar (como, por exemplo, a importância do relacionamento entre pares sob os ilusórios e superficiais relacionamentos digitais) bem como mensagens culturais e políticas, contudo tenho algumas reticências se os pais não perderiam o interesse mesmo antes dos filhos.

Mal comparado, temos uma versão fraquinha de Black-ish e não antevejo grande sucesso para este Family Reunion, ainda que reconheça alguma personalidade nas interpretações, sobretudo dos filhos do casal e em particular da filha mais velha, e pertinência em algumas das mensagens que a série procura abordar.

André Borrego