No passado dia 2 de março tivemos a oportunidade de conversar com o protagonista da mais recente aposta do AXN, For Life. Nicholas Pinnock dá vida a Aaron Wallace, um pai de família injustamente condenado a prisão perpétua por posse de estupefacientes. A série acompanha a sua luta para comprovar que está inocente, tornando-se advogado a partir da prisão e defendendo casos de outros reclusos, igualmente injustiçados. A premissa da série é inspirada na vida de Isaac Wright Jr., um dos produtores executivos do projeto, e demonstra os problemas que existem a nível criminal e jurídico nos EUA. Em baixo podes ler a entrevista ao ator e podes acompanhar os novos episódios às quintas-feiras, no AXN.
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Como surgiu a oportunidade para interpretar este papel e o que lhe despertou o interesse na personagem?

O papel foi-me oferecido. Inicialmente, ainda que tenha achado o guião muito bom, fiquei com receio que não fosse suficientemente desafiante para mim e que eu não era a pessoa indicada para o representar. Contudo, depois de longos debates com Hank Steinberg [o criador da série] e George Tillman Jr. [produtor executivo e realizador do piloto] tornou-se claro que existiriam desafios e comecei a temer o papel. A partir daí, ao ter esse momento de medo, soube que este era um projeto indicado para mim.
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Quando é que começou a temer o papel?

Quando comecei a pensar que não seria capaz de lhe fazer justiça.
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Sabia desde o início que a série era inspirada em eventos reais?

Sim, sabia, o que contribuiu ainda mais para que me conseguisse retirar da equação [de fazer parte da produção], porque senti que se não me desafiava, então não ia conseguir dar a minha completa criatividade ao projeto. Seria um caminho fácil a seguir. Eu preciso de ter medo. Se não alcançar os desafios que sinto que são necessários para interpretar a personagem, para fazer jus ao projeto da melhor forma que sei, então é melhor que seja outra pessoa a fazê-lo.
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Conhecia em particular a história de Isaac Wright Jr., na qual For Life se inspira?

Não conhecia a história de antemão. Sabia de casos semelhantes, mas não tinha conhecimento deste em particular. Não sabia mesmo nada. Obtive toda a informação relativa à história de Isaac quando tive de ler o guião e foi fascinante. Foi algo que me despertou o interesse de forma muito relevante.
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Conversou com Isaac Wright Jr.?

Tentei entrar em contacto com ele, mas ele é um homem tão ocupado, a salvar pessoas caso a caso. Além disso, eu estava no Reino Unido e ele nos EUA e os fusos horários são diferentes. Já tínhamos trocado palavras, mas ainda não tinha tido oportunidade de conversar com ele. Há cerca de um ano, quando filmámos o piloto, conheci-o e passámos cerca de 50 minutos juntos numa sala sem parar de falar. Pessoas do lado de fora batiam constantemente à porta porque tínhamos de dar início a uma leitura de guião e continuávamos a dizer “mais 5 minutos, mais 5 minutos”. Estávamos mesmo embrenhados na conversa. Eu tinha uma ideia de como ia dar vida a esta personagem, mas depois de falar com ele essa ideia alterou-se e aquilo que vemos hoje em Aaron [Wallace, personagem interpretada por Pinnock] veio daí.
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O Nicholas é britânico e o sistema judicial no Reino Unido é completamente diferente do americano e as injustiças que decorrem a nível jurídico nos EUA são conhecidas. Estava familiarizado com este sistema? Acha que esta série pode ajudar a trazer à luz alguns problemas que precisam de ser resolvidos?

O sistema jurídico é muito diferente do do Reino Unido, mas há tantas semelhanças, relativamente à parcialidade racial, à quantidade de pessoas na mesma situação de Aaron e às pessoas que são ilegalmente encarceradas! Ainda que o sistema seja muito diferente, alguns dos procedimentos são os mesmo, logo os resultados também o serão. Eu estava ciente de como funciona o sistema jurídico americano, através da Internet e das notícias, e também viajo pelo mundo e não ando por aí com os ouvidos e os olhos tapados, portanto tinha noção deste tipo de coisas. Esta série, espero eu, pode trazer algo ao debate que já está em curso sobre a reestruturação prisional. Não acho que seja um problema exclusivo dos EUA, acho que é um problema global e toda a gente precisa de estar mais informada. Temos esperança de que poderemos conseguir ajudar a alterar as perceções e as mentalidades de algumas pessoas, ajudar a informar e a educar aqueles que não sabem nada sobre o assunto e sobre o que se passa com algumas minorias com as quais não estão envolvidos de forma nenhuma. Não estamos à espera de sermos os únicos responsáveis pela mudança, mas se pudermos trazer algo para o debate e para o movimento através desta série estamos a ajudar determinadas pessoas a fazerem-se ouvir de forma positiva e isso é simplesmente fantástico.
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For Life está longe de ser o primeiro drama legal da televisão. De que forma é que esta série marca pela diferença em relação a outras do mesmo género?

O que a torna muito diferente de outros dramas legais é o facto de cada caso que Aaron escolhe na prisão para defender em tribunal ter como objetivo ajudá-lo. Não é só um novo caso por semana que é resolvido e passamos à frente e nunca mais ouvimos falar dele. O que o espectador vê nesta série é: em última instância, o objetivo de Aaron é obter tanta informação quanto possível sobre as pessoas que o colocaram ali, de forma a que ele alcance a sua liberdade e a sua inocência. Ele é muito cuidadoso em relação aos casos que decide representar na prisão. Todos eles estão ligados ao enredo principal com exceção de um ou dois por razões que vamos descobrindo ao longo dos 13 episódios. Como todos os casos têm ligação à história-mãe e todos eles são guiados pela vontade de Aaron de ser libertado, pela sua determinação e o seu foco, é aí que se vê uma diferença substancial. Estes casos não desaparecem simplesmente, todos voltam e farão parte do argumento central.

Beatriz Caetano