A atriz Stana Katic esteve em Portugal para a apresentação e antestreia da 2.ª temporada da sua série, Absentia, do AXN. Conhecida também pelo seu papel em Castle, que lhe lançou a carreira para a ribalta, a atriz canadiana sentou-se para uma entrevista connosco, onde partilhou as suas experiências, os desafios do trabalho em Absentia, algumas curiosidades sobre o futuro da série e ainda falou da sua integração na associação EMA. Lê aqui a entrevista completa, traduzida em português. (Áudio completo, em inglês, no final do artigo.)

A 2.ª temporada de Absentia estreia dia 26 de março, às 22.20, no AXN.

Séries da TV (SdTV): Obrigado por se disponibilizar para esta entrevista. [Falando de Absentia] Quão longo vai ser o salto temporal entre temporadas?

Stana Katic: Acho que são apenas uns quantos meses, não é muito tempo. No máximo um ano.

SdTV: Como é que é fazer o papel de alguém que passou por tanta dor e tortura?

SK: (Ri-se ironicamente) É fácil! Não é dificuldade nenhuma! Não, claro que é desafiante. Queríamos ter a certeza que ela tinha uma base sólida e real, portanto olhámos para eventos na história que nos ajudassem a manter esta experiência e as reações da personagem adequadas e reais. A personagem está a sofrer de síndrome pós-traumático, do tempo que passou no tanque. No entanto, é uma sobrevivente. Por isso, fazemos referência a momentos e eventos como a Segunda Guerra Mundial, a pessoas que conseguiram sair de eventos como esse, como sobreviventes. Existe muito diálogo entre mim, os realizadores e os escritores.

SdTV: A Stana, ou o elenco, têm algum hábito para relaxar depois de um dia a gravar aquelas cenas mais pesadas e sombrias?

SK: (Ri-se) Deixa-me pensar. Rakia. Sabes o que é? E Grapa? É uma espécie de brandy que eles têm na Bulgária e cada pessoa costuma fazer o seu. Às vezes depois de um dia mais difícil ou uma cena pesada, tomamos juntos alguns shots de Rakia. Isso ajuda.

SdTV: Tem alguma preparação especial para as cenas debaixo de água?  

SK: Não, nenhuma em especial. O realizador apenas queria ter a certeza que eu não morria durante nenhuma. Portanto, fomos para uma piscina búlgara e pensámos como é que iríamos filmar. Apenas fazê-lo no dia que for preciso, com sucesso, ser corajosa e ultrapassar.

SdTV: Qual é que foi a cena mais difícil de gravar durante a 1.ª temporada? Ou a segunda, se puder dizer!

SK: As cenas mais difíceis normalmente são aquelas onde te começas a rir, acredites ou não. Eu sei que é um thriller, mas às vezes acontecem coisas mesmo engraçadas no set. Um cão que não vai na direção certa, ou às vezes é suposto lamber-te a mão e lambe-te a perna. Coisas do género. Mas as mais difíceis são mesmo quando me estou a rir imenso e tenho que me tentar controlar entre takes. Há uma cena em que a Emily e a Alice se encontram em casa, na 1.ª temporada, e lembro-me que não conseguia parar de rir. E do meu lado não faz mal, mas quando estás do lado da outra pessoa [que estás a interpretar], eu quero ser o mais respeitadora possível e abrir espaço para a performance dessa personagem. É horrível quando te ris sem parar.

SdTV: Como é que descreveria a Emily?

SK: A Emily é uma personagem tenaz, com uma garra enorme. Ela é mulher, guerreira, mãe, um ser sexual e um ser vulnerável. Há uma fala que adoro na 2.ª temporada, e não vou dizer spoilers nenhuns em termos de história, que acho que faz um bom resumo desta personagem. É algo que a Emily diz a alguém quando está a consolar essa pessoa. Ela diz “não deixes que eles escrevam a tua história por ti.” Eu vou só deixar isto. Acho que vai afetar a audiência ao verem a série.

SdTV: Como é que descreveria a 2.ª temporada para alguém que viu a primeira e estaria indeciso sobre continuar? Como é que a venderia?

SK: Acho que a 2.ª temporada é de outro nível. Subimos a qualidade em muito, sabes? Toda a ação que tivemos na primeira ficou ainda melhor na segunda. As personagens têm arcos de história lindos. Conseguimos explorar a psicologia das personagens e algumas delas tomam más decisões que afetam toda as outras e é muito entusiasmante explorar isso. Já vi os dez episódios todos e mandei um email aos produtores a dizer como estou extremamente  orgulhosa de todos estes atores e do seu trabalho. Foi um trabalho lindo dos nossos regulares. Estou com grande expectativa para ver como a audiência irá responder. É engraçado ver como tudo levou a esta temporada.

SdTV: Portanto podemos esperar uma 3.ª temporada?

SK: Estamos a discutir isso na sala dos escritores e as diferentes possibilidades para uma 3.ª temporada. Por isso, diria que as coisas estão a andar.

SdTV: Disse-me que já viu os dez episódios. É muito diferente quando está a gravar de quando vê o resultado, depois?  

SK: É uma perspetiva muito diferente. Temos que nos comprometer a 100 por cento quando representamos e torna-se uma experiência muito pessoal e vulnerável. Depois ver é uma coisa completamente diferente. Como produtora tens que pensar como é que avanças a história. Tens que pensar: Isto leva a história para a frente? Continua a levar o enredo para onde queremos? Precisamos daquele momento? Vai ajudar? Há cenas fantásticas que são cortadas porque não levam a história na direção certa. No fim de contas estamos a contar um thriller e tem uma certa velocidade e ritmo que temos que manter.

SdTV: Há pouco falou da reação da audiência. Sente alguma diferença, uma vez que é um caso raro o facto de a série estrear tanto tempo antes na Europa em relação aos Estados Unidos?

SK: É uma situação muito pouco comum na história da televisão, mas o cenário está a mudar. Qualquer coisa consegue acontecer nesta altura e nós estamos na crista da onda. Desde que começámos a 1.ª temporada de Absentia que vimos a mesma coisa a acontecer, tanto vindo da Alemanha, como de França, e só uns meses mais tarde a chegar aos Estados Unidos. Hoje em dia vemos as principais empresas de streaming a comprar conteúdo de fora dos Estados Unidos. Os nossos gostos como espectador não estão baseados lá, mas sim numa troca internacional que cria uma situação maravilhosa.

SdTV: Agora algumas questões sobre si. Faz parte da EMA (Environmental Media Association). Como é que isso começou?  

SK: Para mim, como atriz, é importante ter uma plataforma através da qual posso ajudar projetos diferentes. O nosso tempo é limitado e os nossos recursos também, portanto o meu foco é o bem-estar das crianças e do ambiente. Sempre estive ligada ao meio ambiente, quer seja pela minha organização sem fins lucrativos, ou através do suporte de novas tecnologias e programas internacionais. Se conseguir encorajar as pessoas a criarem um mundo melhor, quer seja adquirindo uma tecnologia de que nunca ouviram falar ou espalhando uma ideia, o prazer é todo meu. Há muitas empresas que têm ideias que nunca ninguém ouviu, que conseguem mudar o mundo, mas que não têm uma estrutura de marketing por detrás que seja grande o suficiente. Que conseguem oferecer-nos um modo de beber água limpa, de pisar a terra com os pés descalços ou  de comer comida limpa. É um prazer ser a voz destes produtos ou programas. É o mesmo com o bem-estar das crianças, ser capaz de ajudar a melhorar as suas vida não é uma questão, é uma certeza para mim.

SdTV: Tem algum projeto favorito?

SK: Eles são todos fenomenais. Já visitei hospitais pediátricos, fui a orfanatos e criei ligação com as crianças. Já fizemos muito trabalho com projetos ambientais. E não há nada mais inspirador que conhecer as pessoas que trabalham nestes projetos. Uma amiga minha está na Peace Corps na Zâmbia e as histórias que ela conta, as pessoas que conhece… São algumas das pessoas mais inteligentes na Terra e tiram um, dois anos ou metade da sua vida para servirem outras. Há muito que podemos receber desta experiência. É espetacular poder ajudar de qualquer modo que consiga.

SdTV: Sabemos que a Stana sabe falar muitas línguas e fazer inúmeros sotaques. Quais é que sabe e prefere?  

SK: (Ri-se) Acabei de fazer um filme com um sotaque britânico e isso foi desafiante. Temos muitos atores britânicos em Absentia, portanto percebi um bocadinho daquilo por que eles passam. Viajei muito. Uma vez aprendi algumas frases e palavras em mongol. Parece klingon. Alguma vez viste Star Trek? Adoro Star Trek. Adoro. E klingon soa como mongol. É uma língua sem conexão a nada. Não tem bases latinas ou germânicas. É a sua própria coisa. Então eles falavam e eu não tinha ideia do que eles diziam. Imagina que íamos a uma mercearia e tu dizias “Sim”. Eles dizem desta maneira, тийм ээ. Consegues imaginar como é o resto da língua? (rindo).

SdTV: Muito obrigado, Stana, por esta entrevista.

Agradecimento também ao AXN, pelo convite.

[Tradução livre a partir do inglês]

Raul Araújo