A minissérie The Little Drummer Girl estreia em exclusivo em Portugal, no canal AMC, no próximo dia 7 de abril. Baseada no best-seller de espionagem de John le Carré, The Little Drummer Girl decorre no final dos anos 70, na Alemanha, e centra-se em Charlie (Florence Pugh), uma jovem atriz recrutada para se tornar numa agente dupla, que se vê envolvida numa guerra entre um espião israelita e um terrorista da Palestina.

Na sequência desta estreia, o canal forneceu-nos uma entrevista, traduzida aqui para português, com uma das atrizes da minissérie, Clare Holman, que interpreta Miss Bach.

Clare-Holman-plays-Miss-Bach-in-The-Little-Drummer-Girl-d4209a3AMC: Quem é Miss Bach?

Clare Holman: Eu interpreto Miss Bach e sou uma espia para a Mossad (Serviços Secretos israelitas) e um dos membros da equipa de Kurtz (Michael Shannon) que está a investigar o bombardeamento na Palestina. Por vezes, receio pensar como será a vida privada dela, porque ela é uma escritora falhada e penso que será uma pessoa muito solitária. Contudo, o local que a torna viva é o trabalho e o seu compromisso com esse trabalho, que é total.

AMC: O que a atraiu para o papel?

Clare: Miss Bach é uma das poucas mulheres de mais idade na série e, apesar de ser uma pessoa relativamente silenciosa, é bastante presente. Eu adoro esse aspeto, porque tenho a hipótese de jogar bastante com o que não é explícito. A forma como é filmada prova que é uma minissérie onde a componente visual é muito importante e eu gosto desse desafio – gosto do desafio de ela ser boa e má em simultâneo. Já interpretei muitas pessoas moralmente boas, por isso este é um papel muito interessante para mim. Ser uma mulher forte num grupo dominado por homens significa que é um papel importante também. Por vezes é obscuro e chega a ser brutal. Isto não é apenas uma fantasia, são situações que estão a acontecer no mundo real. É um assunto sensível entre a Palestina e Israel.

AMC: Como é que Miss Bach e Schwilli trabalham juntos?

Clare: Eu faço parte de uma dupla designada por “dupla literária”, que consiste na minha personagem, Miss Bach, e Schwilli (Gennady Fleyscher). É bastante complicado, mas lidamos com assuntos de “bastidores”. Fazemos falsificações, descodificamos códigos e obtemos códigos de acesso aos computadores primordiais, nos anos 70. O meu trabalho é “escrever a história”, que é a história de amor fictícia no centro da minissérie. Uso poesia, poesia palestiniana e cartas de amor para criar uma história para as nossas duas personagens principais e Kurtz depende de nós na base das operações para lidar com estes problemas. Também sou uma interrogadora. Schwilli e eu temos uma relação específica – somos o que podem considerar os cérebros por detrás das cenas.

AMC: Como tem sido trabalhar com Michael Shannon?

Clare: Tem sido um completo privilégio trabalhar com Michael Shannon. Ele tem integridade e é um ótimo líder. Como líder da nossa equipa, faz com que queiras fazer o teu melhor para o trabalho e para ele, por isso tem sido bastante entusiasmante ver o desenrolar. Mas Miss Bach também é uma perita em Kurtz. Ela tem que saber todos os seus passos e tentar entrar na sua mente para estar preparada. Se ele vai sair, ela está lá com o casaco dele. Se ele tiver uma dor de cabeça, ela está lá com uma aspirina. É uma parte importante nesse ponto de vista. Contudo, não é dito, é bastante silencioso, que ela é alguém que Kurtz usou várias vezes e com quem tem uma história. Mas, mais uma vez, não se sabe que história é essa. Ele é casado, mas Miss Bach é obviamente muito fiável. E Kurtz, penso eu, tem um carinho especial por ela e é muito dependente dela, o que torna a relação dos dois fascinante.

AMC: Como foi trabalhar com Park Chan-wook?

Clare: Apenas posso descrever trabalhar com o realizador Park como extraordinário. Já tinha conhecimento acerca do seu trabalho e vi The Handmaiden antes de começarmos [esta minissérie], que é um filme notável. O que também é interessante é que Park tem um tradutor que é o seu braço direito, Wonjo Jeong, por isso estás a trabalhar também através de outra pessoa. Park é como um pintor: é diferente de qualquer outro realizador com quem já trabalhei, no sentido em que a sua perspicácia visual é inacreditável. Assim, fazemos planos gerais com uma profundidade de campo extrema que conseguem ser extremamente exatos e precisos. Isto acontece em muitas das cenas que fiz, mas também sei que noutras cenas houve improviso e nalgumas das cenas two-hander é um pouco mais solto. E, ao mesmo tempo, todo o seu enquadramento e estrutura são surpreendentes. Tinha constantemente a sensação que sabia que peça era e, depois de ver o playback, era muito diferente do que tinha imaginado. Isto faz parte da sua habilidade de trazer as coisas à vida de uma forma muito visual e penso que será deslumbrante.

Caso tenhas interesse, podes ler a nossa review ao piloto da série, bem como a de temporada.