O Séries da TV recebeu um convite para entrevistar Ally Ioannides, a atriz que interpreta a personagem Tilda na série Into the Badlands. A segunda parte da 3.ª e última temporada da série tem estreia marcada em Portugal para o dia 2 de maio, no AMC, e falámos com a atriz sobre a sua personagem, o que podemos esperar destes últimos episódios e da importância da sua personagem para as jovens da sociedade em que vivemos.

Começámos a entrevista por falar sobre a sua relação com a Viúva e em como esta tem vindo a mudar ao longo das temporadas. Ioannides disse que a relação entre as duas personagens não é nada convencional, mas que é, ao mesmo tempo, a essência de uma relação entre mãe e filha. Focando-se no ponto de vista da sua personagem diz: “Quando comecei tinha 16 anos, agora tenho 21. Por isso, tenho crescido com ela. E acho que ela tem passado por muita coisa que os adolescentes comuns passam. Acrescenta ainda que quando somos mais novos gostamos muito dos nossos pais e idolatramo-los, mas chega a uma idade em que começamos a perceber que não são perfeitos. É assim que ela entende o sentimento de Tilda para com a Viúva: “Acho que agora entende que ela não é perfeita, que a Viúva tem defeitos, mas também a respeita como pessoa. E vejo isso como algo muito bonito. Acho que muitas mães e filhas passam por isso.” Claro que na série acontece tudo com muito mais violência, mas o cerne do relacionamento é o mesmo que o das filhas e mães da vida real.

Em relação à dinâmica construída entre a sua personagem e Gaius (Lewis Tan), Ally disse que não estava à espera que os dois atores fossem ter tantas cenas um com o outro e quando leram o guião foi uma espécie de choque. Contudo, consegue ver motivos para ambos terem desenvolvido a relação que têm: “Acho que os personagens são semelhantes. Tiveram uma infância e adolescência semelhantes, uma história idêntica. Têm princípios semelhantes. Tentam ambos lutar por um mundo melhor e terá sido isso que os uniu. Duas pessoas nas Badlands a apoiarem-se mutuamente é muito especial e muito raro.”  Acrescenta ainda que a entrada de Tan para o elenco foi uma mais-valia e que ele é fantástico nas artes marciais.

Ioannides não se pode pronunciar sobre o futuro da sua personagem com M.K. (Aramis Knight), mas refere que Tilda tentou salvá-lo e que pensou que podia realmente fazê-lo com sucesso, mas, neste momento, tem de se desapegar de muita coisa, dele incluído. “E acho que é muito difícil para ela. E é muito triste. Tenho saudades de trabalhar com o Aramis. (…) É muito doloroso para ela.” Quando a relação com o M.K. se começa a deteriorar, Odessa (Maddison Jaizani) entra na vida de Tilda e é sobre esta altura e a relação entre as duas que a atriz se pronunciou a seguir: “Quando se separaram, a Tilda escolheu o bem maior em vez de um amor pessoal. Isso diz muito da pessoa que é. Ela percebe que tem muito poder e que pode mudar o futuro se se concentrar e lutar pelo que está certo. Preocupa-se mesmo com o bem maior. É como se sacrificasse a própria vida pelo futuro dela, dos filhos, do mundo futuro. Adoro imenso a Tilda e a Odessa. E adoro trabalhar com a Maddison. Adoro essa ligação, acho que é uma relação muito bonita. Espero que as pessoas gostem e que continuem a assistir à série.” No início da 3.ª temporada, a Tilda e a Odessa são como que as líderes do clã Iron Rabbit e vemos que a relação entre as duas se começa a desenvolver e elas tornam-se mais livres de viverem o seu amor. Em relação ao facto de serem um casal lésbico, Ioannides gostou que a série tivesse abordado esta temática e diz que a sociedade está cada vez mais aberta e que no futuro as relações homossexuais deixarão de ser um problema.

Um dos traços da personalidade de Tilda com que a atriz mais se identifica é com a sua capacidade de questionar as coisas. “Acho que me relaciono com as emoções dela.  E acho que sinto empatia com ela nessa situação.”

Como sabem, a série foi cancelada, por isso esta será a última temporada. Questionada sobre se o fim da série ficaria em aberto ou não, a atriz respondeu que os argumentistas terão tido essa questão em mente, mas que será muito difícil conseguir juntar todos os pontos e dar um fim a todos os personagens. Os guiões estão sempre a mudar e há alterações a toda a hora. Acrescentou ainda que “as pessoas vão ficar bastante chocadas com algumas coisas que se vão passar.” Em relação à sua participação na série afirmou: “Estou bastante orgulhosa do calibre a que a série chegou e é uma coisa muito bonita de ver acontecer e da qual fazer parte”.

Para terminar a entrevista, abordámos o tema do empoderamento da mulher e de como a sua personagem, assim como a de Lydia (Orla Brady), da Viúva ou até mesmo da Mestre, pode ser uma inspiração e um exemplo para as jovens e mulheres de todo o mundo. Ally disse ter ficado bastante feliz quando soube como iria ser a personagem a que iria dar vida. Mesmo antes de ler o guião, telefonaram-lhe a descrever a personagem e Ally ficou bastante entusiasmada. “Espero mesmo que as jovens vejam a série e que esta as inspire. Eu fiquei bastante inspirada e cresci imenso durante a série. E através das artes marciais também. (…)  São uma forma incrível para as mulheres descobrirem a sua força.”

Cláudia Bilé