Depois de anos e anos a viver com um sem fim de canais, eis que me vejo com uns míseros sete: RTP1, RTP2, SIC, TVI, ARTV, RTP3 e RTP Memória.

Não sei quanto a vocês, mas eu sou caseira, gosto muito de estar em casa, e portanto passo grande parte do tempo em que não estou a trabalhar instalada no sofá. Confesso que mais agarrada ao computador do que à televisão, mas é aí que esta questão da falta da tv cabo se coloca. Quando estou realmente interessada em ver alguma coisa, como uma série ou filme, recorro à internet, mas são muitas as vezes em que estou aqui pelo computador e gosto sempre de ter a televisão ligada, como barulho de fundo. Também há aqueles momentos em que estou a fazer tempo para ir a algum lado e em que não vale a pena ligar ou computador ou começar a ler um livro e nessas alturas também gosto de recorrer à televisão. No entanto, sou seletiva em relação àquilo que quero ver. Nada daqueles programas chatos da manhã e da tarde, de novelas e Casa dos Segredos ou outros dos género. Restam-me os blocos noticiosos, alguns filmes ocasionais, programas de culinária, mas como seriólica que sou, as minhas preferências recaem sempre sobre séries. São já algumas aquelas que me habituei a ver e embora use apenas a maioria delas como o tal barulho de fundo, a verdade é que até passei a desfrutar de algumas.

Já tarde, à noite, não é difícil encontrar policiais a dar, quer na SIC, quer na TVI. Durante a tarde, nos dias de semana, a RTP Memória passa séries portuguesas cómicas e algo disparatadas, mas que são a opção menos má nesses horários. À hora de almoço e do jantar, à semana, o saudoso canal das memórias também é a escolha mais acertada para mim, com apostas portuguesas como Alves dos Reis, Velhos Amigos e Um Lugar Para Viver, bem como as americanas Alf e Who’s the Boss.

No entanto, as rainhas das séries são a RTP1 e a RTP2. Conto com o primeiro canal para me acompanhar antes de ir dormir. This Is Us é uma série fofinha que até me desvia um pouco a atenção do computador e apesar de já ter visto Homeland, é sempre um prazer ter Carrie Mathison como companhia. Durante a manhã, costuma ser o segundo canal a encarregar-se do meu entretenimento. Primeiro, os desenhados animados e depois The Hood, uma série israelita que não consegui perder durante uns tempos. Já perdi o entusiasmo, mas continuo a espreitar e louvo a aposta do canal em séries internacionais dos países mais improváveis. Un’Altra Vita pode ter sido curtinha e nem sequer vi os episódios todos, mas gostei também desta série italiana centrada numa médica que se muda com as filhas de Milão para uma pequena ilha depois de o marido se ver envolvido em problemas que o levaram a tribunal. Maternidade, Sinais de Vida, Liberdade 21, Inspector Max e Conta-me Como Foi são mais algumas séries portuguesas que me foram acompanhando num ou noutro momento.

Mais haverá que tenha visto, mas estas são as principais. Nenhuma é a série da minha vida, nem anda lá perto, mas há alternativas aos típicos programas dedicados a reformados. É claro que sinto saudades da FOX Life, da FOX Comedy e do AXN, mas também reconheço que via sobretudo repetições de séries que já vira anteriormente. Vou ter sempre a Netflix à disponibilidade, até porque já vi todas as temporadas de Friends e Grey’s Anatomy que tinha em DVD.

Quando se tem tv cabo pode haver cem ou mais canais à disposição, mas a maioria são para esquecer e acho que não compensam verdadeira aquilo que se paga. Muitas das séries continuam a passar com uma grande diferença em relação à exibição nos Estados Unidos e há sempre imensas repetições, depois começam uma série e não a transmitem até ao final… Ter sete canais não é muito, mas cem não oferecem cem vezes mais de material de interesse.

Diana Sampaio