O ano de 2018 marcou o final de The Americans, mas este início de janeiro valeu à série a consagração, com o prémio de Melhor Série Dramática, tanto nos Golden Globes como nos Critics’ Choice Awards. Assim sendo, achámos que era boa altura para dar a conhecer (ou recordar-vos) algumas curiosidades sobre The Americans:

1. Joseph Weisberg, o criador da série, trabalhou na CIA, mais concretamente num dos principais departamentos de operações, entre 1990 e 1994. Por causa da sua antiga ligação à agência, todos os guiões escritos por ele passam pela Publications Review Board da CIA. Aí, agentes destacados especificamente para esse trabalho lêem, coordenam e aprovam (ou reprovam) material relacionado com a agência, como forma de impedir que informação sensível ou confidencial se torne pública.

2. A premissa de The Americans é parcialmente baseada em acontecimentos reais que se tornaram conhecidos em 2010, acerca de uma célula russa constituída por agentes adormecidos (sleeper agents) que estiveram “escondidos” à vista de todos, nos Estados Unidos, durante vários anos. Os filhos, colegas de trabalho e amigos de muitos deles não faziam ideia da sua verdadeira identidade. Os agentes em questão acabaram por regressar ao país de origem, graças a uma troca feita que permitiu que americanos que estavam na Rússia voltassem aos Estados Unidos. A inspiração concreta para a série foi o caso de dois irmãos, Tim e Alex Vavilov, cujos pais foram agentes adormecidos. Não será preciso explicar aos fãs da série o que isso significa, mas para os menos familiarizados com o mundo da espionagem, este tipo de agente é colocado num país ou numa organização específica, mas sem uma missão a cumprir no imediato. No entanto, permanece lá para o caso de ser necessário entrar em ação e não deixa de ter um papel ativo, pois é uma ameaça à ordem instaurada e um veículo de rebelião. Eram dez estes agentes reais e foram descobertos graças a uma investigação levada a cabo pelo FBI.

3. Apesar de a ação decorrer nos anos 80, The Americans esteve quase para ser uma história passada na década anterior. A inclinação inicial de Weisberg recaía sobre a época da Guerra Fria, mas o criador da série confessa que começou a pensar em Jimmy Carter – um político que admitiu também adorar – e que era difícil retratar aquela época, em que “todos se queriam matar uns aos outros”. Acabou por matutar sobre a administração de Ronald Reagan e deu-se então um clique.

4. Antes de as gravações terem início, Weisberg ensinou aos protagonistas, bem como a alguns realizadores e produtores, alguns truques sobre como vigiar outras pessoas e perceber se se está a ser seguido.

5. Já que aqui falámos de Reagan, há um antigo membro ligado à administração do presidente, Oliver North, que é fã da série. Os mais velhos poderão recordar-se que ele esteve envolvido num escândalo conhecido como Caso Irão-Contras, em que vários elementos importantes da CIA foram acusados de facilitar a venda de armas ao Irão, que na altura estava sujeito a um embargo internacional de armamento. Os ganhos da venda dessas armas serviriam para financiar os Contras da Nicarágua, um grupo de rebeldes que levou a cabo vários ataques terroristas e cometeu uma série de violações dos direitos humanos. Oliver foi consultor na série, com destaque para um arco da 2.ª temporada relacionado com um campo de treino dos Contras.

6. Inicialmente, Noah Emmerich recusou o papel de Stan Beeman porque estava saturado de interpretar papéis ligados a forças de segurança. No entanto, Gavin O’Connor, realizador do episódio piloto e produtor executivo na série, era amigo pessoal do ator e convenceu-o a dar uma nova vista de olhos ao material que lhe fora apresentado.

7. Annet Mahendru entrou em mais de trinta episódios da série, mas originalmente estava previsto que a sua personagem, Nina Krilova, tivesse aparecido apenas em dois.

8. Costa Ronin, que dá vida a Oleg Burov, fez audições para The Americans depois de ter visto um grande cartaz publicitário da série enquanto conduzia por Los Angeles.

9. Keri Russell estava grávida de sete meses quando a 4.ª temporada terminou, mas essa questão foi facilmente contornada. A temporada foi passada durante o inverno, portanto os casacos disfarçavam a gravidez e houve alturas em que recorreram ao CGI (imagens geradas por computador) para fazer a barriga desaparecer.

10. Já depois de a série ter terminado, foi revelado que Elizabeth Jennings foi inspirada em Martha Peterson, a primeira mulher espia da CIA a ser colocada na URSS e cujas experiências foram contadas no livro The Widow Spy, escrito precisamente pela antiga agente.

11. Os gadgets de espionagem usados na série, bem como outros pormenores – desde anúncios a datas de programas exibidos – são historicamente precisos. Para ajudar a conseguir que tudo seja o mais fiel possível àquela época, a série recorreu aos conhecimentos de H. Keith Melton, um dos fundadores do Museu Internacional da Espionagem, em Washington D.C.. Como o nome dá a entender, este museu é dedicado às técnicas de espionagem e dá a conhecer a história e o papel contemporâneo da espionagem, tendo exposta a maior coleção de artefactos deste tipo aberta ao  público. Melton, inclusive, disponibilizou alguns itens da sua coleção pessoal para poderem ser usados na série.