O último dia da Comic Con Portugal começou com a conferência de imprensa da atriz Kirsten Vangsness. Pelas 10h30, a atriz surgiu com toda a sua simpatia e boa disposição para receber as perguntas dos presentes.

Mais tarde no painel, moderado pelo também bem disposto João Paulo Sousa, Kirsten revelou que tentou aprender algumas palavras em português, conseguiu distinguir entre “obrigado” e “obrigada”, e ainda cumprimentou todos com  “Bom dia, como estão?” e “E aí?”.

Num registo pessoal, conseguimos apurar que a Supermulher é a sua super heroína favorita, gosta de musicais e tocava clarinete quando era jovem.

Revelou ainda que, quando era criança, era considerada estranha e vítima de bullying, não achava que se encaixava no mundo, então a mãe dela fê-la ter aulas de representação. De pequena enveredou por esse mundo, porque o pai fazia peças também e ela tinha sempre um pequeno papel nelas. Questionada sobre o que diria à sua “versão mais nova”, Kirsten responde que diria para não ser tão dura consigo mesma.

kirsten vangsness joao paulo sousaUma fã perguntou ainda à atriz o que faz para se acalmar quando está nervosa, ao que Kirsten apenas respondeu que esses sentimentos apenas duram alguns segundos, por isso o melhor é mesmo enfrentá-los e seguir caminho. Identificando-se como uma pessoa bastante emocional, a atriz tem uma lista de coisas que a fazem sentir melhor – normalmente, dançar. Em relação aos seus rituais de preparação de cenas, a atriz contou que usa canetas de gel para sublinhar as suas falas.

Se não fizesse parte de Criminal Minds, Kirsten afirma que provavelmente estaria mais envolvida em teatro e na criação de projetos, pois é algo que gosta muito, fazendo até parte de uma companhia. A atriz confessou que, durante todos os anos de gravações da série, participa em duas a quatro peças por ano e que, muitas vezes, em Los Angeles, não se recebe nada por trabalhar nessa área, mas que não se importa, pois gosta mesmo do que faz e até o faria de graça (“mas não contem a ninguém!”) por ser o seu trabalho de sonho.

Perguntámos à atriz como é escrever guiões de alguns episódios de Criminal Minds (a atriz já escreveu quatro) ao que nos respondeu que adora a experiência de poder escrever na série, pois tem bastante liberdade dada pelos escritores, apesar de ser uma tarefa bastante difícil – escrever a sua personagem e a dos seus amigos e colegas.

Questionada sobre que outra personagem na série gostaria de personificar, a atriz ficou um pouco atrapalhada, brincou que gostaria de personificar Sergio, o seu gato, mas no final acabou por escolher a sua própria personagem. Quando lhe perguntaram em que outra série gostaria de entrar, Kirsten “panicou” um pouco e acabou por responder que gostaria de entrar em Doctor Who, que é a sua série favorita, pois é uma geek. Revelou ainda que todos os meses se junta com as outras atrizes do elenco em casa para falarem e desabafarem, num momento em que gostam de chamar “Hot Tub Wine Machine”, em que encomendam sushi e fazem um prato de queijos, em conjunto com muito champanhe, e por vezes acabam por chamar o resto do elenco, mostrando que a amizade entre os membros da série é real.

Kirsten confessou que é uma honra e uma dádiva pode fazer parte de uma série como Criminal Minds, e ainda melhor com uma personagem como Penelope Garcia, que é tão parecida com a sua pessoa e ao mesmo tempo tão diferente, mais confiante – não sentindo que a série está no ar há muito tempo. É uma sensação ótima para ela e era o que sempre quis fazer, brincar ao faz-de-conta. Ainda nos contou que a forma como passou a fazer parte do elenco regular na série teve tudo a ver com a dinâmica que se gerou logo à partida com Shemar Moore, que interpreta Derek Morgan, que fez com que os guionistas mudassem as suas duas falas originais para muitas mais!

A atriz falou ainda sobre o facto de a equipa agora ser constituída maioritariamente por mulheres. Kirsten falou da importância que é ter uma série que tem tantas mulheres poderosas e que encara esse poder feminino como mais do que ação e violência, mas sim assertividade, inteligência e empatia.

Em tom de brincadeira, Kirsten chamou-se a ela própria uma gárgula, pois todos os outros atores entram e saem da série, enquanto ela é das únicas que se encontra lá desde o início. Diz-nos ainda que a única coisa que funciona realmente no gabinete de Garcia são dois sapos que Kirsten comprou numa loja, por 1 dólar cada, e que dão luzes – e são eles que fazem o trabalho por ela.

Em relação à sua relação com Morgan, quando uma fã lhe perguntou como se sentiu quando este se juntou com a namorada e teve um filho, Kirsten respondeu em tom de brincadeira: “Não percebo porque assumes que por ele ter uma namorada e um filho significa que não podemos estar juntos…”

No painel, uma fã quis saber como Kirsten se sentia em relação à falta de representação da comunidade LGBTQA tanto no elenco principal como nos casos semanais. Kirsten concordou com a frase, e ainda comentou que se identifica sempre com o B e o Q, e às vezes com o L. Diz que a televisão americana de canal aberto é bastante contraída e que, por vezes, o medo faz com que as pessoas sejam mentecaptas e pouco criativas. Kirsten confessou que há cerca de seis anos os escritores tentaram criar uma cena em que Prentiss está a sair da cama, a preparar-se para mais um dia de trabalho, e aparece outra mulher. Está na consciência dos escritores, é uma realidade e ela luta por haver representação, apesar de por vezes poder falhar.

A atriz admitiu ainda que existem “buracos” na série e que um deles está relacionado com o passado da sua personagem, como o facto de ela ter quatro irmãos e nunca os termos conhecido.

Uma fã perguntou à atriz de onde tinha vindo a ideia da caneca em forma de polvo que Garcia tinha e que fez parte de um episódio do spin-off e ela explicou que, cada vez que a traziam de volta ao set, deixava objetos para que, se fosse despedida, tivesse de lá voltar. Admitiu ainda que compra constantemente objetos para a sua personagem quando vê algo que acha que Garcia iria gostar, assim como guarda os presentes que as outras pessoas lhe dão para a sua personagem e os põe na secretária de Garcia. Vai fazer isso com um colar que uma fã lhe deu por cá!

Em relação à cena mais difícil que fez na série, foi quando a personagem JJ saiu – ela não queria que a personagem saísse, estava chateada com a situação, então a atriz teve dificuldades em representar quando na verdade estava triste e sem controlo sobre a sua tristeza.

Quando questionada sobre qual foi o criminoso mais difícil de ver, Kirsten respondeu que foram todos. No início da série, quando estavam a filmar um episódio (porém, não sabia que as câmaras estavam a filmar), Kirsten passou por uma pasta com uma fotografia de um caso e a sua reação foi simplesmente fechar a pasta para não ver mais a imagem e isso passou a ser uma característica de Garcia, o facto de não gostar de ver imagens chocantes, relacionadas com os casos – sempre que a personagem está a apresentar um caso, ela nunca olha para trás, para as fotos.

A atriz relembrou-nos ainda que a série é parte de um universo imaginário e que não existem tantas pessoas “más” como na série e que os monstros são gerados por outros monstros, ou seja, as pessoas não acordam e decidem fazer algo mau. Espera que a mensagem passada pela série seja para ficarmos conscientes de como tratamos os outros e que há sempre uma razão por trás de todas as ações. Em vez de julgarmos e apontarmos o dedo, devemos tentar compreender as razões por que as pessoas fazem o que fazem.

Daniela B.