Classificação

10
Interpertação
10
Argumento
10
Realização
10
Banda Sonora

Temporada: 1

Número de Episódios: 5

[Contém spoilers!!]

Chernobyl é uma minissérie da HBO que relata a história do maior desastre nuclear, na aldeia de Chernobyl, Ucrânia, na altura pertencente ao regime soviético. Devo começar por dizer-vos que me apetecia que esta review se limitasse a duas palavras: “vejam isto!!”. Mas só essas duas palavras não fariam jus à obra prima que é Chernobyl. Por isso, vamos lá tentar explicar porque devem mesmo ver estas cinco obras de televisão da mais alta qualidade.

Quero começar precisamente pelo número de episódios e a divisão da narrativa que foi. Cada hora deste filme representa um momento do desastre, contando a sua própria história em cada um, mas que não deixa de estar completamente inserida na narrativa principal. Não quero dizer que dá para ver episódios independentes uns dos outros, porque não dá, mas cada trama apresentada em cada episódio é resolvida no mesmo, fechando pequenos ciclos que acompanham também a passagem do tempo. Temos a explosão do núcleo, as consequências imediatas, as ações para o resolver, as consequências para a população e o julgamento dos culpados.

Em todos os momentos desta história fui tomada por vários sentimentos. Já tinha referido o sentimento de incredulidade no primeiro episódio, ao qual juntei a raiva, a tristeza e a compaixão. Compaixão pelas pessoas que sofreram as consequências – que estão representadas em Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buckley) e na sua história verídica – de um regime demasiado arrogante para admitir erros e falhas, e que desvalorizou sempre o problema até se sentir encurralado, mas que mesmo assim procurou esconder (e ainda continua) a verdadeira dimensão da tragédia. Quando uma série nos fazer sentir tudo isto não podemos negar que a qualidade está lá.

Toda essa qualidade tem o seu auge nas interpretações dos brilhantes Jared Harris, Stellan Skarsgard e Emily Watson. Valery Legasov, Boris Shcherbina e Ulana Khomyuk, respetivamente, são as principais personagens que conduzem a história brilhantemente, sem desprimor das restantes. Confesso-vos que não me lembro de uma má interpretação, de alguma falha de argumento ou de alguma personagem de que não me irei lembrar por muito tempo.

Mas tudo este elenco resulta porque a realização, a fotografia e todos os pormenores técnicos são também eles brilhantes. Resultam porque completam o argumento muito bem escrito e ajudam a transmitir todos os sentimentos de que falei anteriormente.

A história do desastre nuclear que vitimou um incalculável número de vidas, afetando outro incalculável número, carecia de uma representação televisiva forte e bastante realista. Felizmente, a HBO decidiu que estava na altura de mostrar ao mundo todos os aspetos desta tragédia e fê-lo de maneira magistral.

Se me perguntarem qual é o género deste produto, escolho o terror. Sim, eu sei que é uma série histórica, mas é tudo tão bem construído, tão bem apresentado, que cheguei ao fim destes cinco episódios aterrorizada.

Melhor episódio:

Episódio 4 – Não sei se algum dia vou recuperar do terror a que assisti durante todas as horas de Chernobyl e isso deve-se sobretudo a este episódio. A realização, as interpretações, os diálogos (ou falta deles) estiveram na sua melhor forma nesta quarta hora. E sobretudo porque se centrou nas consequências que a irresponsabilidade política teve na vida das pessoas comuns.

Personagem de destaque:

Ulana Khomyuk – Apareceu em apenas quatro episódios, mas tornou-se, para mim, a melhor personagem quando desafia Legasov a contar toda a verdade numa conferência em Viena, provando que o ser humano mais corajoso é aquele que escolhe dizer sempre a verdade, independentemente do momento ou das consequências. No fim, descobrimos que é a personagem criada para representar todos os cientistas que trabalharam ao lado de Legasov, por isso o meu obrigada!

Catarina Lameirinhas