Classificação

9
Interpretação
9
Argumento
9
Realização
5
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

Chernobyl é uma mini-série produzida pela HBO que nos vem apresentar um retrato da catástrofe nuclear que aconteceu em 1986. Mais um produto de excelente qualidade que nos chega. Este primeiro episódio começa por nos apresentar o suicídio de Legasov (Jared Harris), em 1988, um minuto e dois anos antes da explosão, que saberemos mais tarde é um engenheiro que participará na comité de apoio ao desastre. Legasov grava cassetes que fazem considerações sobre o resultado da investigação ao desastre. Estes minutos iniciais dizem-nos ao que vem este produto. Chernobyl vai procurar mostrar como as autoridades lidaram com o desastre e quais as suas consequências quer naturais, quer humanas que o maior desastre provocado pelo homem teve.

Quando a série se fixa no ano de 1986, vemos quase de imediato a explosão do núcleo da Central Nuclear. Esta é-nos apresentada da casa de um dos bombeiros, que vai mais tarde combater o suposto incêndio, representando toda a comunidade que se constrói à volta de Chernobyl. A probabilidade de este desastre acontecer sempre foi muito reduzida, quase que impossível, por isso todos à volta da Central Nuclear acreditam que não passa de um incêndio, juntando-se mesmo para assistir ao “incêndio”, expondo-se assim ao perigo radiações.

Esta aparente ingenuidade é também uma das sensações que temos quando assistimos as cenas que envolvem os trabalhadores da Central Nuclear. Os engenheiros que lá trabalhavam realizavam um teste que correu mal, resultando na explosão do núcleo central. O engenheiro-chefe, Dyatlon (Paul Ritter), é o rosto da arrogância que reinava na Central, julgando-se apenas que era uma incêndio. Apesar de alertado por outros engenheiros para o perigo do que poderia estar a acontecer, o engenheiro-chefe adota um comportamento leviano e arrogante perante a situação.

Chernobyl aposta também em mostrar o comportamento das pessoas do poder perante um perigo que pôs em causa todo um regime político. Mais uma vez, a série apresenta de uma maneira magnífica a ligação entre todos, continuando com as atitudes sobranceiras, mas agora por parte das chefias. Mal aconselhados pelos especialistas, não têm a humildade de perceber que aquilo que fazem pode não ser o mais correto de se fazer numa situação como esta, não se importando de pôr em causa vidas inocentes para defender o indefensável.

O elenco de qualidade eleva o nível da série para outro patamar. São-nos entregues interpretações de excelência a condizer com uma excelente realização. O episódio consegue transmitir ao espectador ao mesmo tempo a sensação de pânico e a sensação de incredulidade perante a passividade que as autoridades locais tiveram nas primeiras horas do desastre, fica retratado na cena em que a população está a assistir ao incêndio e as cinzas tóxicas vão caindo neles muito suavemente, como se fossem apenas cinzas.

Este primeiro de cinco episódios de Chernobyl consegue arrancar esta minissérie com um nível bastante elevado, fechando com uma imagem aterradora do desastre. Chegamos ao fim com a perspetiva de ver um filme de grande qualidade, mas dividido em cinco partes que nos vai contar uma parte da nossa história mais recente.

Catarina Lameirinhas