Há casais que são simplesmente maus ou aborrecidos, mas depois há outros que, por vários motivos, nunca poderiam resultar. Diferenças irreconciliáveis, sentimentos não ultrapassados por terceiros, há uma infinidade de razões para muitos casais das séries não terem finais felizes. Para muitos deles, o início da relação não adivinha o que aí vem, mas outros, como estes, já era possível adivinhar que acabariam separados, pelas circunstâncias ou por causa deles mesmos, simplesmente porque há relações destinadas a falhar. Vejam as nossas escolhas:

Pode conter alguns spoilers sobre as séries em questão!

Addison Montgomery e Pete Wilder (Private Pratice)

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Durante muito tempo, Addison não teve a melhor sorte no departamento amoroso, mas talvez também por culpa dela. Envolveu-se com o melhor amigo do marido; depois reatou a relação com o marido, mesmo quando estar com ela parecia ser a última coisa que ele queria; envolveu-se com o ex-marido da melhor amiga… Não estou a julgar, mas Addison parecia escolher relações condenadas, quase como se, depois de ter traído Derek, não merecesse melhor do que acumular desastres amorosos. Addison parecia ter dificuldades em estar solteira, como se isso significasse que estava sozinha. Já nem sei muito bem como começou a relação com Pete, mas Lucas foi um grande motivo. Addison queria uma família, queria filhos, e apegou-se ao menino, ajudou a tomar conta dele, e foi a coisa mais parecida que aquela criança teve com uma mãe nos primeiros meses de vida. Estou certa de que isso significou muito para Pete e que ele teria gostado de sentir por Addison aquilo que sentia por Violet, mas enganou-se a ele próprio ao fazê-lo. E Addison deixou-se levar pela ilusão de que os três poderiam ser finalmente a família que ela tanto desejava, quando também ela sabia do passado complicado entre Pete e Violet.

Amanda Clarke e Jack Porter (Revenge)

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Este é mais um exemplo de que quando se ama alguém que nunca se esqueceu é difícil seguir em frente. Jack nunca foi capaz de deixar Amanda Clarke no passado, mesmo sendo crianças quando se separaram. Quando vários anos depois pensa ter reencontrado a menina – agora mulher – que nunca esqueceu, põe de parte os sentimentos que tem pela misteriosa Emily Thorne e envolve-se num romance com Amanda, desconhecendo que esta e Emily tinham trocado de identidades. No entanto, ‘Amanda’ é uma jovem complicada e Jack não estava preparado para lidar com a relação. No entanto, não dá para ignorar que, fosse como fosse, o verdadeiro problema era Amanda não ser ‘Emily’. Só que quando Amanda regressa uns tempos depois, grávida de Jack, ele faz aquilo que pensa ser o que é certo e põe de parte os seus sentimentos por Emily. Talvez Jack tenha amado realmente Amanda e ficado devastado com a morte dela, mas nunca a poderia ter amado da mesma forma que amava Emily. Até porque Emily era, afinal, a verdadeira Amanda.

Cristina Yang e Owen Hunt (Grey’s Anatomy)

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Tal como as coisas não resultaram com Burke a longo prazo, nunca poderiam ter resultado com Owen. Cristina sabia disso, Owen sabia disso, mas os dois encetaram uma relação séria e tomaram decisões precipitadas, ignorando aquilo que era óbvio. Quando no início da 7.ª temporada os dois casaram eu lembro-me de dizer para mim mesma que Cristina só tinha feito aquilo porque estava a lidar com o trauma do tiroteio do hospital e precisava de ter algo a que se agarrar naquela altura. Cristina é uma mulher forte, mas quebra em situações limite; estava fragilizada e viu na relação com Owen o porto seguro de que precisava. Quando quase se casou com Burke ficou claro o quanto casar era algo que parecia desadequado a Cristina e algo que ela só iria fazer porque Burke queria. Um casamento não deve ser isso. Talvez não tenha sido com Owen, não da mesma forma, mas o cirurgião queria mais da relação, queria filhos. E uma família aumentada era tudo o que Cristina não queria. O grande amor da vida de Cristina foi sempre a carreira e não nenhum dos homens que amou. Além disso, Cristina era consciente o suficiente para saber que não podia abdicar daquilo que é, aceder a levar uma vida que não imaginaria para ela e que a deixaria infeliz.

Nicholas Brody e Carrie Mathison (Homeland)

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Quando se é uma agente da CIA e a pessoa por quem nos apaixonamos é um terrorista, as coisas estão condenadas logo à partida. Carrie foi a única a perceber que algo de errado se passava com aquele homem que todos viam como um herói, mas em relação a quem ela tinha uma atitude de desconfiança que a fazia parecer paranoica. No entanto, a verdade é que Carrie estava certa e todos os outros errados, mas isso não a impediu de se apaixonar por Brody nem de viver um romance com ele, durante uns tempos. Contudo, o destino de Brody ficou traçado ao ser condenado à morte, no Irão, restando da relação entre ele e Carrie a filha que Brody nunca viria a conhecer, Frannie.

Tyra Collette e Landry Clarke (Friday Night Lights)

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Não é por Tyra ser a típica ‘boazona’ com quem todos os rapazes querem dormir e por Landry ser um nerd com boas notas que as coisas não resultaram. Tudo tem mais a ver com o facto de Tyra nunca ter tido relações relevantemente positivas e Landry ter sido o primeiro rapaz a tratá-la de forma especial. Tyra não estava habituada a isso. Aliás, havia um padrão de as mulheres da família de Tyra estarem com homens que não eram bons para elas. No entanto, os sentimentos de Landry por Tyra eram sinceros e abnegados e embora acredite que ela gostasse dele e até o amasse – talvez em parte por causa de ele a ter salvo de ser atacada e terem tido de encobrir que ele, inadvertidamente, matou o atacante dela. No entanto, Tyra nunca amou Landry da mesma forma que ele a amava e foram várias as situações em que se aproveitou precisamente desses sentimentos. Nunca estariam em pé de igualdade na relação.

Eleanor Guthrie e Charles Vane (Black Sails)

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Charles Vane era um pirata, um dos melhores de Nassau, e conhecido por não ter escrúpulos. Da parte dele, realmente estava apaixonado por Eleanor. No entanto, esta desde o começo da série que se percebe que o que via nele era uma grande atração, tanto pela reputação dele como por saber que seria sem dúvida a escolha que mais irritaria o pai. Assim, durante algum tempo, Charles era o fruto proibido que lhe dava um sentimento de adrenalina e paixão semelhantes ao poder que exercia sobre o comércio em Nassau. No entanto, uma das características de Eleanor é que escolheria sempre o poder face aos sentimentos e, portanto, seria inevitável que mais cedo ou mais tarde esta traísse Charles. Não no sentido de se envolver com outro, mas sim de tomar uma decisão que fosse contra Charles, mas a ajudasse na subida pelo poder.

Sadie Dunhill e Jake Epping (11.22.63)

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Sadie e Jake formavam o par perfeito. Sadie é uma rapariga engraçada e divertida, à frente do seu tempo, com gosto pela leitura e dança e com um passado amoroso complicado. Jake parece ser o homem para a ajudar a ultrapassar esse passado e as más experiências que teve; é um homem no qual pode confiar e que lhe dá o que ela merece. Chegam a viver juntos durante algum tempo e são bastante felizes, mas existe um não tão pequenino pormenor que torna difícil este romance ser de longa duração: é que Jake vive no século XXI e Sadie em 1963. Jake conhece-a ao voltar atrás no tempo para salvar o presidente Kennedy, mas, inevitavelmente, quando voltar ao seu tempo, Sadie terá cerca de 80 anos. Ainda para mais, sempre que volta atrás o passado dá reset, condenando assim um romance perfeito ao fracasso. No entanto, Jake nunca a esquece e a primeira coisa que faz quando volta ao presente é procurá-la e ir vê-la.

Dexter Morgan e Rita Bennett (Dexter)

Michael C. Hall as Dexter Morgan and Julie Benz as Rita Morgan (Season 4, episode 1) - Photo: Randy Tepper/Showtime - Photo ID: dexter_401_0109

Para quem viu a série, estes dois nomes não apresentam nenhuma surpresa. Dexter nunca esconde aos espectadores o que Rita representa para ele: o disfarce perfeito para um serial killer. Rita é uma mulher com dois filhos que tem um ex marido violento e vive ainda traumatizada; é uma pessoa um pouco irritante e bastante inofensiva, com medo de compromissos, ou seja, é o que Dexter procura. Por fora dá o aspeto de ser uma relação saudável e normal, quando Dexter tudo o que tem que fazer durante grande parte da relação é estar lá, despistando assim as pessoas do facto de ele não ter emoções e ser um psicopata. No entanto, com uma vida como a que Dexter levava e sem sentimentos de verdade por ela, não é surpresa nenhuma que o relacionamento tenha tido um fim precoce, mesmo que a maneira violenta como acabou tenha sido uma surpresa. Mas ter o hobby de ser um serial killer não é propriamente saudável para a maioria das relações.

Gregory House e Lisa Cuddy (House M.D.)

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Desde cedo na série que se percebe que se existe alguém para House, esse alguém é Cuddy e, eventualmente, acabamos por ver a relação e que nunca House esteve tão feliz. O grande problema é que House não sabe nem quer viver feliz. Está numa altura da vida em que já só sabe viver miserável e, portanto, com o seu grande ego, relutância em falar sem sarcasmo e comportamentos auto-destrutivos não é de espantar que Cuddy e House tenham acabado. Cuddy é uma mulher decidida e forte, habituada ao poder e se há características que pudessem ter controlado e ajudado House eram estas, mas infelizmente para a relação não foi o suficiente. No entanto, House nunca esqueceu Cuddy, uma vez que após o fim da relação os seus comportamentos auto-destrutivos aumentaram ainda mais, pondo até em risco as suas relações de amizade.

Will Graham e Alana Bloom (Hannibal)

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Will é um génio a entender o pensamento de assassinos, capaz de chegar a uma cena de crime e entender quase na perfeição o assassino e reconstruir o que ele fez. Alguém com esta capacidade é normal que viva perturbado com a sua própria mente, mas seja capaz de exercer um fascínio nas outras pessoas, fascínio este que existe mutuamente entre Will e a Dr.ª Alana Bloom. No entanto, este casal nunca chega a acontecer, apesar de se perceber claramente que estava muito bem encaminhado. E tudo porque aparece alguém no meio, Hannibal Lecter, que exerce um fascínio tão grande sobre Will que este se torna a prioridade: persegui-lo, provar que este é culpado. E se criar esta obsessão não fosse o suficiente para pôr fim às esperanças de uma relação entre Will e Alana, Hannibal ainda dorme com esta, quase apenas por saber que Will o queria fazer.

Que casais colocariam numa lista como esta? Partilhem connosco!

Diana Sampaio e Raul Araújo