Olá, boa noite e bem-vindos a mais uma edição da nossa rubrica “Atores de Primeira à Segunda-Feira”. A nossa escolha de hoje é Amy Adams, conhecida principalmente por papéis no cinema que lhe valeram variadas nomeações aos Óscares, mas que agora, com Sharp Objects, dá cartas no mundo das séries. A atriz nasceu a 20 de agosto de 1974, em Vicenza, Itália, mas cresceu em Castle Rock, no Colorado, no seio de uma família numerosa constituída por sete filhos, sendo ela a quarta.

Estava nos planos de Amy tornar-se bailarina, mas o teatro acabou por lhe parecer uma decisão mais acertada e, entre 1994 e 1998, trabalhou na área, mas num formato diferente do habitual, o dinner theater, que alia uma peça ao serviço de uma refeição. O seu currículo no cinema começa a construir-se em 1999, com um papel secundário no filme Drop Dead Gorgeous (Linda de Morrer), uma espécie de sátira ao mundo dos concursos de beleza que nos leva até uma pequena cidade fictícia do Minnesota.

Amy Adams Drop Dead Gorgeous

O ano de 2000 manteve Amy bastante ocupada, com participações em filmes como Psycho Beach Party, uma paródia a vários tipos de filmes popularizados nas décadas de ’50, ‘6o e ’80 e adaptado de uma peça com o mesmo nome; e Cruel Intentions 2: Manchester Prep, uma prequela de Cruel Intentions que mostra como Kathryn Merteuil, interpretada por Adams, e Sebastian Valmont (Robin Dunne) se conheceram. Na televisão, marcou presença num episódio de That ’70s Show; Charmed; Zoe, Duncan, Jack & Jane; Providence; Buffy the Vampire Slayer e num piloto de comédia da NBC que nunca recebeu luz verde, The Peter Principle. A atriz teve ainda tempo de entrar numa curta-metragem intitulada The Chronium Hook.

Nos quatro anos seguintes, Amy entrou num episódio de Smallville, noutro de The West Wing, emprestou a voz na série de animação King of the Hill e integrou o elenco de Dr. Vegas, uma série que só durou uma temporada, sobre um médico a viver num casino. Nesse mesmo período, no cinema, juntou ao currículo The Slaughter Rule, Pumpkin, Serving Sara (Divórcio de Milhões), Catch Me If You Can, todos de 2002, e The Last Run (Quantas Mais Melhor), de 2004.

Amy Adams Smallville

Smallville

Embora Catch Me If You Can, protagonizado por Leonardo DiCaprio, tenha sido o primeiro grande papel de Amy, foi o filme Junebug que marcou uma viragem na sua carreira, tendo-lhe valido a primeira de cinco nomeações aos Óscares e uma nomeação também aos SAG Awards. Esta comédia dramática independente centra-se numa negociante de arte que viaja de Chicago até à Carolina do Norte, à procura de um pintor cujo trabalho pretende exibir na sua galeria. Assim, ela aproveita para conhecer a família de George, o marido, e instala-se com eles. Amy dá vida a Ashley, que é casada com o irmão mais novo de George, Johnny (Ben McKenzie). Ashley está grávida e acredita que um bebé vai resolver os problemas do seu casamento. No ano de 2005 pudemos ainda ver Amy nas comédias românticas The Wedding Date (Um Homem de Sonho) e Standing Still (Casar? Talvez Não).

Amy voltou a dar um pequeno salto até ao pequeno ecrã, para participar em três episódios de The Office, um da 1.ª temporada e em dois da segunda. Seguem-se alguns filmes, Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby (As Corridas Loucas de Ricky Bobby), Tenacious D in The Pick of Destiny (Tenacious D – Rock dos Infernos) e Fast Track (O Ex), sem esquecer a curta-metragem Pennies, que Amy protagoniza.

Amy Adams The Office

The Office

Em 2007, entra em dois filmes da Disney, Underdog (O Super-Cão) e Enchanted (Uma História de Encantar), sendo que neste segundo contracena com Patrick Dempsey. Charlie Wilson’s War (Jogos de Poder), Sunshine Cleaning e Miss Pettigrew Lives For a Day (A Vida Num Só Dia) são os títulos que podemos encontrar a seguir na filmografia de Amy.

Com Doubt inicia-se uma nova etapa na carreira da atriz, com a segunda nomeação para os Óscares, no papel da Irmã James, num filme passado numa escola católica sobre a qual paira a dúvida acerca da natureza da relação do padre com um dos alunos. Em Night At the Museum: Battle of the Smithsonian (À Noite, no Museu 2), Leap Year (Tinhas Mesmo Que Ser Tu…) e no flop Moonlight Serenade pode ser vista num registo um pouco mais leve. Vale ainda a pena mencionar Julie & Julia, que alterna a história da chef de cozinha Julia Child com a de uma blogger que se propõe experimentar todas as receitas de um dos livros de Child. Este filme também teve algum sucesso junto da crítica.

Sem nos querermos prolongar demasiado pelo mundo do cinema, nos anos seguintes seguintes vieram: Love & Distrust; o drama The Fighter (mais uma nomeação de Amy aos Óscares), passado no mundo do boxe; The Muppets (Os Marretas); On the Road, uma adaptação do livro de Jack Kerouac; The Master (quarta nomeação aos prémios da Academia); e Trouble With the Curve, onde contracena com Clint Eastwood.

Em Man of Steel (2013), filme da DC centrado no famoso Super-Homem, Amy dá vida a Lois Lane, personagem que volta a interpretar em Batman v Superman: Dawn of Justice (2016) e em Justice League (2017).

man of steel amy adams lois lane

Man of Steel

Para darmos por terminada a parte da carreira de Amy no cinema, destaque ainda para os filmes Her (Uma História de Amor); American Hustle (Golpada Americana), que lhe a valeu a 5.ª e última nomeação até agora para os Óscares; o drama Lullaby; a biografia Big Eyes; Arrival e Nocturnal Animals, ambos com nomeações e/ou vitórias nos Óscares e nos Globos de Ouro de 2017. Antes de passarmos à parte que faz Amy constar da edição de hoje da rubrica, faz ainda sentido falar da passagem da atriz pelos palcos em 2012, no musical Into the Woods, cuja história foi também adaptada ao cinema, mais tarde.

Agora sim: Sharp Objects! Depois de alguns trabalhos mais pequenos em televisão, já há vários anos, Amy volta ao pequeno ecrã, desta vez como protagonista da adaptação do livro de Gillian Flynn. Aí dá vida a Camille Preaker, uma jornalista com problemas psiquiátricos que regressa à sua pequena cidade natal, Wind Gap, para escrever sobre o assassinato de duas adolescentes. No entanto, Wind Gap representa para Camille o pesadelo de que fugiu e ao qual não queria regressar. Esse pesadelo é personificado por fantasmas do passado, mas também por um ainda bem presente e de carne viva, a sua mãe, a controladora e manipuladora Adora Crellin (Patricia Clarkson).

camille preaker sharp objects

Em Wind Gap, Camille irá ainda relacionar-se com a sua meia irmã, Amma, que ela mal conhece, mas terá sobretudo de lidar com os seus fantasmas pessoais. Camille refugia-se na bebida e tem o corpo todo auto-mutilado, mas são as suas feridas emocionais as mais preocupantes. Ela era a menina bonita da pequena cidade nos tempos do liceu, mas agora é vista como ‘a ovelha negra’ pela mãe e por uma comunidade fútil preocupada com as aparências. Wind Gap, Missouri, é um local sufocante, recheado de rumores e bisbilhotice. Os dois crimes lá ocorridos fazem os habitantes atribuir culpas, recearem-se uns aos outros e deixa-os receosos pela segurança das suas adolescentes, com medo de que ocorra um novo assassinato. A investigação está a cargo de Richard Willis, um detetive de Kansas City que a população também encara com desconfiança. Já foram emitidos seis dos oito episódios previstos de Sharp Objects e resta saber quem matou aquelas adolescentes. Para aqueles que leram o livro, a resposta já é conhecida. Para aqueles que não leram, preparem-se para serem surpreendidos!

Antes de terminarmos, queremos ainda dar a conhecer os próximos trabalhos de Amy. O primeiro, Backseat, conta a história de Dick Cheney, vice-presidente dos Estados Unidos no tempo de George W. Bush. Neste, Amy vai dar vida a Lynne, a esposa de Cheney, e irá contracenar pela terceira vez com Christian Bale. O segundo projeto é Disenchanted, a sequela de Enchanted, e o terceiro é uma adaptação do livro The Woman in the Window, no qual vai dar vida a Anna Fox, uma alcoólica problemática.

Assim terminamos mais uma rubrica, com uma foto de Amy acompanhada de Gillian Flynn e Patricia Clarkson. Fica também a promessa de mais uma edição na próxima semana!

Gillian Flynn, Amy Adams, Patricia Clarkson