Já aqui há uns tempos, lancei uma crónica e depois outra em que fazia vários desabafos sobre séries. No entanto, nessas duas vezes fiz observações mais genéricas que se enquadram em várias séries, se bem que mencionando casos específicos em algumas. Desta vez vou generalizar menos e focar as minhas confissões em séries muito específicas e tenho a noção de que posso estar prestes a dizer coisas bastante parvas e nas quais nunca ninguém pensou, mas perdoem-me, todos temos as nossas pancas quando se trata de séries. Agora que eu avisei, preparem-se e aqui vai:

1. Se já são leitores habituais aqui das nossas crónicas, já se devem ter deparado com algumas minhas e então já perceberam que adoro casais LGBT. Isso é coisa que não me passa! É legítimo então que eu adore Orange Is the New Black, mas basicamente por esta razão: Alex e Piper. Elas não são tudo de que gosto na série, mas são o principal motivo. Quando estou a ressacar de saudades, costumo entreter-me a ver vídeos fan made delas no YouTube. Esses vídeos ajudaram-me a constatar algo de que já me tinha apercebido na série, mas que ao ver compilações de momentos reforçou a ideia: a Piper e a Alex dão os abraços mais fofos de sempre! Ok, toda a gente adora a química sexual entre elas (eu também!) e os abraços não são muito hardcore, mas são os melhores de sempre! [Mas já que estamos a falar de abraços… Não têm a sensação de que nas séries estão sempre todos aos abraços? Os personagens dão mais abraços num ou dois episódios do que eu em dois ou três anos!]

2. Próxima paragem: Grey’s Anatomy. Um dia estava eu muito contente a rever a 2.ª temporada (o quanto eu tenho saudades daqueles tempos em que a série era verdadeiramente viciante!) e houve uma cena no elevador com a Meredith, o Derek e a Addison. Não sei porquê, mas houve um clique qualquer que me fez pensar que a Kate Walsh também poderia ter dado uma excelente Evil Queen em Once Upon a Time. Acho que havia algo de sassy, engraçado, mas ao mesmo tempo infeliz em Addison e que me fez lembrar muito daquilo que Regina era nas primeiras temporadas. No entanto, Lana Parrilla é perfeita e ninguém poderia desempenhar aquele papel melhor do que ela!

3. Já que estamos a falar na minha rainha Regina, aproveito ainda para mencionar outra das minhas rainhas, a Callie Torres de Grey’s Anatomy. Eu tenho também uma certa panca que herdei da minha mãe e que muito aprecio: uh, este ou esta é parecido com aquele ou aquela. Faço muito isto! Adivinhem quem me faz lembrar quem? Callie Torres e Regina Mills. Não Sara Ramirez e Lana Parrilla, mas as próprias personagens. Mais uma vez, é o lado sassy e funny. Sei que neste caso a minha melhor amiga também concorda comigo! Outros dois casos do género: passei a última temporada de Once Upon a Time a achar que Adelaide Kane, a.k.a. Ivy, é a cara chapada de Dua Lipa. E Kate Walsh e Kristin Wiig também são praticamente fotografia uma da outra.

4. Continuando em Grey’sSempre que um dos médicos está em risco de vida (e acontece montes de vezes) por algum motivo, parece que todos os outros se juntam para o salvar e aqueles que não o podem fazer estão à espera de saber se a pessoa sobreviveu. A minha questão é: quem é que trata dos outros pacientes, com tantos médicos ocupados? Principalmente porque os nossos médicos são sempre apresentados como os melhores das suas especialidades… Não é um bocado irresponsável? Os argumentistas nunca se lembraram que isso era pouco credível? Talvez me pudessem contratar. Eu sou boa a reparar nessas coisas e a sério que daria menos desgostos aos fãs, pois nunca me lembraria de estar sempre a matar toda a gente! Sempre que há um casamento na série é a mesma coisa! Vão todos em bandos e quem fica a operar? A não ser que fechem o hospital!

5. A sério, Grey’s dá pano para mangas! Como é que os cirurgiões conseguem estar a operar e sempre a conversar? Quer dizer, eu consigo levantar mesas ou lavar loiça enquanto falo, mas a precisão do trabalho cirúrgico é um bocadinho superior à que se exige de uma empregada de mesa. Eu sei que basicamente ali são todos génios, mas parece-me negligente, seja como for. Seria aborrecido para nós, espectadores, que estivessem muito concentrados e calados durante as cirurgias, mas mais realista. Ao menos escusavam de estar sempre a coscuvilhar e a partilhar informações embaraçosas sobre a vida amorosa.

6. Hello, Friends! As meninas da série namoravam muitas vezes com homens que elas e as outras consideravam super hot e eu pensava: “em que universo é que estes tipos são irresistíveis”? Gostos não se discutem, mas nunca entendi a maioria das paixonetas. Bem, Tom Selleck é extremamente charmoso, mas tem idade para ser meu pai. É claro que de entre os namorados de Monica, Phoebe e Rachel houve tipos giros, mas nenhum verdadeiramente memorável. Já entre as mulheres com quem Chandler, Joey e Ross andaram havia escolhas bem mais consensuais, na minha opinião.

7. Still Friends! Lembram-se que Monica tinha a mania das limpezas e era bastante vocal em relação a isso? No entanto, há inconsistências graves no que a isso diz respeito. Há episódios em que se vê tanto ela como os outros personagens a andarem calçados dentro de casa. Estou muito longe de ser doida por limpezas e a primeira coisa que faço quando chego a casa é tirar o calçado com que andei na rua. Pior do que isso é tê-los visto calçados com os pés em cima do sofá e da mesa da sala. Se adultos andassem em cima da minha mesa ou do meu sofá com a porcaria dos sapatos com que vieram da rua podem ter a certeza que eu não gostaria nada e que a coisa terminava logo ali. E o que é que Monica fez ou disse? Nada! Faz sentido? Não. Ela devia ter dado em doida!

8. Bem, terminadas estas observações mais pessoais e específicas, vou permitir-me incluir aqui mais três, mais generalizadas. Porque é que os elementos de uma dupla têm sempre que se envolver romanticamente? Não podem ser só amigos ou simplesmente colegas de trabalho que não se adoram, mas também não se odeiam? É que começa-se a ver o episódio piloto de uma série e já se sabe como é que a coisa vai acabar, mesmo que a série dure dez temporadas.

9. Outra coisa que me irrita profundamente é quando um personagem ama alguém, mas há qualquer coisa (nem que seja eles próprios) a separá-lo dessa pessoa e então envolve-se com outra por quem não sente nada para tentar iludir-se. O problema é que normalmente a outra apaixona-se e temos aquela chatice de o amor não ser correspondido e de haver sempre alguém a sofrer profundamente. É um cliché demasiado frequente nas séries e que se tornou mais do que cansativo e imensamente previsível. Detesto esta coisa do second best!

10. Por último, já repararam que enquanto na vida real normalmente vemos pessoas de meia idade em grandes cargos e/ou na chefia, nas séries há sempre personagens muito jovens a desempenhar funções para as quais não parecem nada ter idade. Por exemplo, é pouco credível ver um monte de médicos no final da casa dos 30 ou início dos 40 a serem chefes de departamento ou a serem já detentores de uma série de especialidades.

Visto que isto é um lugar seguro onde não julgamos ninguém, sintam-se à vontade para partilhar connosco as vossas confissões.

Diana Sampaio