Classificação

9.5
Interpretação
8.9
Argumento
9
Realização
8.6
Banda Sonora

“O Oliver vai tentar,/ Por isso ele vai lutar

(…)

Continue sonhando/ Pois só quem sonha sai ganhando

E vai conquistar/ Essa cidade” (música do filme Oliver e os seus Companheiros)

Oliver e os seus Companheiros é a referência que Cisco faz quando diz que têm que salvar os heróis raptados pelos Dominators e diz respeito a um filme de animação da Disney, de 1988.

Episódio 100 de Arrow! Acreditam que já fazem mais de 4 anos desde que começámos a ver Oliver a correr por Lian Yu e que já ouvimos umas 100 vezes a introdução de “My name is Oliver Queen”? Parabéns, Arrow!

Para quem está fora de todo o evento do crossover entre as quatro séries, Arrow, The Flash, Legends of Tomorrow e Supergirl, é normal que ao ver este episódio se sinta completamente perdido. O que fazer? A minha sugestão é verem o episódio de The Flash – “Invasion!” que corresponde à primeira parte do crossover (devem também ler a review desse mesmo episódio aqui) e depois poderão seguir a conclusão do evento em Legends of Tomorrow, “Invasion!”. No entanto, se não estão para estas coisas é só passar à frente o episódio desta semana e continuar a seguir a série na semana que vem.

Se a primeira parte da história estava ótima, esta continua muito boa. Este episódio foi uma excelente celebração do aniversário do episódio 100 e uma envolvente continuação da história do crossover, deixando tudo preparado para a épica conclusão em Legends of Tomorrow, num episódio que promete ter um ritmo acelerado e ser uma explosão de ação.

Apesar de a história do crossover não ter avançado assim muito, focou-se bastante no aprisionamento dos heróis e no seu mundo de sonho alternativo, permitindo também às personagens secundárias brilharem no salvamento do Oliver e dos seus companheiros.

Oliver, Diggle, Sara, Ray e Thea foram raptados pelos Dominators no final da primeira parte da história. De repente, vemo-los num mundo estranho e em que nada faz sentido. Tudo está como se Oliver e Robert Queen nunca tivessem embarcado na viagem no Gambit. O mais engraçado neste mundo do sonho é vermos os pormenores daquilo que podia ter sido e compararmos com o verdadeiro tempo presente:

  • Moira e Robert estão vivos e a família Queen vive toda junta na sua mansão. A mansão Queen, para quem não sabe, é a mesma usada em Smallville (2001-2011) como a mansão dos Luthor
  • Robert é o atual CEO da Queen Consolidated, mas à beira de deixar o cargo para assumir o de prefeito de Starling City. Presumo que neste mundo a cidade não tenha mudado de nome e parece que estava destinado um Queen chegar a prefeito em qualquer dos mundos; neste mundo é Robert e, no real, após Moira ter tentado, é Oliver quem ocupa o cargo. Robert quer que Oliver assuma então a chefia da empresa para esta ficar na família e não ser Walter Steele a comandá-la, evitando ainda que Ray Palmer compre a empresa. Engraçado como tudo isso aconteceu na realidade! Walter chegou a ser CEO da empresa Queen Consolidated, passou a fazer parte da família ao casar com Moira e no final a empresa foi absorvida pela Palmer Technologies
  • Thea continua como a dona do club Verdant, não faz ideia que Malcolm é o seu verdadeiro pai e ao contrário do que aconteceu no piloto de Arrow, é ela a dar a pedra em forma de flecha a Oliver, dizendo que simboliza a reconexão
  • A atriz Katie Cassidy está de volta como prometido. Dinah Laurel Lance, o nome completo da personagem que já tinha sido apresentado, mas que relembra que esta é a mesma personagem que nos comics é conhecida por Black Canary, não seguiu pela vida de heroína e está prestes a casar-se com Oliver (para além disso, o caso entre Oliver e Sara também nunca aconteceu). O colar que ela usa é o símbolo usado pela Black Canary nas bandas desenhadas. O momento romântico em que Oliver repete a proposta de casamento a Laurel é exatamente o mesmo que aconteceu na temporada passada com Felicity. “Will you marry me?”, com a resposta “I think I already answered that”. Já agora, alguém encontrou o feto durante o episódio? A planta que simboliza a Olicity segundo o diretor James Bamford encontra-se numa qualquer cena do episódio
  • Neste mundo, o vigilante The Hood é nada mais nada menos do que Diggle, que trabalha em conjunto com Felicity, que está noiva de Ray Palmer. Na 1.ª temporada vimo-lo a assumir o manto temporariamente apenas para tirar as suspeitas da polícia de que Oliver poderia ser o vigilante. O retrato que Quentin tem na esquadra da polícia do The Hood porém é o mesmo visto na season 1. Quando Oliver descobre a Arrow Cave, Diggle aperta-lhe o pescoço e profere as mesmas exatas palavras que Oliver disse no início desta temporada ao matar o polícia corrupto: “No one can know my secret.”
  • Tommy Meryln não pode estar presente no casamento, segundo Malcolm, pois estava ocupado a ser um médico em Chicado agora. Isso é uma engraçada referência ao facto do ator Colin Donnell ser agora regular na série Chicago Med e por isso não poder ter comparecido no episódio (acho que a agenda ocupada do ator deita abaixo a minha esperança de Tommy poder ser Prometheus)
  • Quão satisfatório foi para vocês o confronto com os grandes vilões das temporadas anteriores de Arrow? Tirando Ra’s Al Ghul, tivemos a presença de todos os big bosses: Oliver vs, Deathstroke, Thea vs. Malcolm e Sara vs. Darhk. Darhk a ser derrotado com uma seta no coração e Deathstroke com uma seta no olho foram jà vu brutais!
  • Após todos se aperceberem que estão numa espécie de sonho é interessante que a saída fosse no edifício da Smoak Technologies. Este edifício é o aspeto mais estranho de todos, pois não existe nem no passado, nem no presente e só o vimos numa linha temporal alternativa do futuro em que Sara e Ray encontram John Diggle Jr. como o Green Arrow da altura. O momento mais tocante do episódio deu-se quando Oliver se despede dos pais em abraços ternurentos, mesmo sabendo que não são os verdadeiros pais dele. A vida de herói já lhe levou muita coisa e não é fácil decidir abandonar uma vida simples e livre de preocupações para arcar com as responsabilidades num mundo real, mas muito mais negro e difícil. Decerto que esta jornada tornou os nossos heróis mais fortes

Os cinco heróis conseguem escapar do controlo dos Dominators, mas veem-se então perdidos no espaço na nave-mãe dos alienígenas. Para além disso, qual terá sido a razão dos Dominators terem apenas escolhido raptar aqueles que não eram meta-humanos e que informações terão extraído deles?

Paralelamente, os recrutas da Team Arrow e Felicity – em conjunto com Cisco, Flash e a Supergirl – tentam localizar os seus amigos desaparecidos para então os poderem salvar. Para isso, e como nada nunca é fácil, têm que lutar contra Laura Washington, uma cientista maligna que melhorou o seu corpo com tecnologia roubada, dando-lhe um aumento na resistência, força e ainda poderes elétricos. Tudo isto para recuperar um protótipo roubado da Van Horn Industries (nos comics esta companhia pertence à família de Andrew Van Horn, um super-herói conhecido como Gunfire. Tal como a anterior referencia a Amertek, é provável que sejam apenas easter eggs e que não venha a haver um maior desenvolvimento) de forma a hackearem uma peça da nave dos Dominators e terem acesso às coordenadas de Oliver e seus companheiros.

Com um papel menor, os recrutas foram bem encaixados e foram uma mais valia para a história, particularmente no pormenor de Rory reconhecer uma linguagem encriptada em números pela parecença com a Torah. Felicity, Cisco e Curtis na mesma sala é um mar de referências a filmes e cenas geeks, proporcionando sempre uma boa dose de humor. O tag-team entre Flash e Supergirl para derrotar Laura foi um máximo e dá vontade de rever umas quantas vezes! No entanto, o preconceito repentino de Wild Dog para com os meta-humanos e os heróis com super-poderes foi um pouco estranho e subdesenvolvido; ele tem trabalhado com Ragman sem nunca questionar as suas habilidades. Mesma na hora H, a Waverider e Nate Heywood conseguem salvar Oliver numa cena que faz lembrar a Millennium Falcon e Han Solo ao salvamento num filme de Star Wars (fiquei-me apenas a perguntar se Ray perdeu o fato do Atom outra vez).

A nave-mãe dos Dominators continua em direção à Terra e os nossos heróis terão que reagrupar, descobrir os objetivos dos aliens e parar uma invasão total ao planeta.

Pessoalmente gostei mais da primeira parte do crossover, embora as duas tenham sido excelentes e de certeza que há pessoas que preferiram esta 2.ª parte, que foi muito mais emocional e nos permitiu lembrar com carinho partes essenciais de todas as temporadas de Arrow até agora. A grande conclusão do crossover acontecerá em Legends of Tomorrow, por isso não se esqueçam de ver o episódio e depois seguir a review aqui connosco no site. Na próxima semana, estreia o episódio “What We Leave Behind”. Parece que teremos um grande episódio de midseason finale com Prometheus a revelar que conhece a identidade de todos da Team Arrow e que os irá caçar um por um. Para além disso, iremos também ter o seguimento do cliffhanger do último episódio de Arrow, “Vigilante”, em que foi revelado que Artemis é uma traidora que está a trabalhar com Prometheus. Segundo o produtor executivo Marc Guggenheim, Artemis não foi incluída no crossover propositadamente para não complicar as coisas e confundir o público, uma vez que poderíamos estar sempre à espera que ela desse uma facada nas costas dos companheiros, distraindo assim do foco dos Dominators. Por isso, se pensaram que foi esquecimento dos produtores, tal não foi o caso, tudo foi pensado. Até lá, salvem a vossa cidade!

Emanuel Candeias