Esta semana, no dia 21, celebrou-se o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial. Foi escolhida esta data para relembrar um massacre ocorrido em Sharpeville, Joanesburgo, no ano de 1960. Cerca de vinte mil pessoas tinham-se reunido para um protesto pacífico contra a obrigatoriedade de a população negra ter que usar um cartão com identificação dos locais onde lhes era permitido circular. A polícia disparou sobre a multidão desarmada, o que resultou na morte de 69 pessoas e 186 feridos. Este acontecimento trágico ficou para a História, como muitos outros, infelizmente. Quase 60 anos depois, estamos longe de poder dizer que o mundo se tornou um lugar diferente onde a discriminação já não existe, mas há sempre quem lute para tornar as coisas melhores e talvez um dia cheguemos a uma realidade ideal. Havia muitas possibilidades de abordar o tema da discriminação racial, mas decidimos falar de casais que não partilham a mesma cor de pele. Ainda há muitas pessoas que não encaram com bons olhos ver um negro com uma branca ou um latino com uma asiática, por exemplo, e a verdade é que não passou assim tanto tempo desde que certos países ditos civilizados tinham leis a proibir relações interraciais. No entanto, nós acreditamos que amor é amor e que o resto não importa.

Kit Alma American Horror StoryKit e Alma Walker [American Horror Story: Asylum]: A trama desta temporada da série de terror começa em 1964, mas só em 1967 é que todos os estados americanos tornaram legal o casamento interracial. Para um país que diz ser “the land of the free” parece-me excessivamente tardio, mas se fosse para ficar a falar de tudo o que de mal se passa nos Estados Unidos ficávamos aqui até amanhã e não bastava. Para a sociedade da altura, Alma e Kit não eram vistos como o casal apaixonado que eram, mas sim como uma afronta a valores absurdos de um país conservador.

Cam Arastoo BonesCam Saroyan e Arastoo Vaziri [Bones]: Cam é afro-americana e Arastoo é de origem iraniana e não sei se a relação dos dois seria muito bem aceite no conservador país dele. Fiquei interessada em saber e tentei encontrar alguma informação sobre relações interraciais no Irão, mas sem muito sucesso. Acho que nunca imaginei Cam como o tipo de mulher que manteria uma relação com alguém que trabalhasse para ela. Não há que haja nada de errado com isso, mas simplesmente achei que ela fosse pessoa de separar totalmente o trabalho da vida amorosa. No entanto, o amor tem destas coisas e quando bate à porta parece que não dá para fugir. Numa altura em que a relação de Brennan e Booth já estava mais do que estabelecida e em que a de Hodgins e Angela tinha perdido há muito o interesse, não foi difícil que Cam e Arastoo se tivessem tornado o meu casal preferido da série.

April Ethan Chicago MedApril Sexton e Ethan Choi [Chicago Med]: A relação de April e Ethan tem tido altos e baixos ao longo da série. O principal problema deste casal não é o facto de terem cores de pele diferentes, se bem que este assunto da discriminação racial é abordado em diversos episódios da série, por exemplo quando algum paciente se recusa a ser tratado por um médico asiático ou uma enfermeira mulata. O choque entre eles deve-se às culturas diferentes na qual foram educados. April vem de uma família brasileira cuja relação é bastante próxima e amigável. Já Ethan, de descendência coreana, vê-se que teve uma educação rígida, talvez devido ao pai pertencer ao exército. A forma fria como Ethan trata a irmã é um tema habitual de discussão entre o casal. Adicionalmente, o facto de April ser enfermeira e ver as suas decisões serem postas em causa por Ethan, que sendo médico se acha superior, não ajuda nada na evolução da relação dos dois.

Cristina Burke Grey'sCristina Yang e Preston Burke [Grey’s Anatomy]: A série médica estreou em 2005, numa altura em que não se falava tanto em diversidade e em representatividade nas séries como agora e creio (corrijam-me se estiver errada) que Cristina e Burke foram um dos primeiros casais com destaque em que nenhum dos dois é caucasiano. O impacto fora do ecrã é positivo, mas confesso que nunca fui fã da história deles. Primeiro, sempre me fez confusão o quanto metade dos personagens nesta série tinha relações com os chefes, mas sobretudo não gostei daquilo que os argumentistas fizeram com Cristina. Ela nunca escondeu que o seu foco (basicamente o único) era a carreira e a ideia de casamento pareceu estar sempre completamente afastada. No entanto lá se lembraram de casar, mesmo que nunca tenham chegado a fazê-lo. Burke nunca apareceu na cerimónia porque decidiu que não podia ‘obrigá-la’ a fazer uma coisa que ela não queria. O timing foi péssimo, mas foi a melhor decisão. Ainda assim, acho que devia ter sido Cristina a nunca aceder a fazer algo que não queria. Teria sido péssimo para a relação que tivessem casado. Algo que deixa um dos dois infeliz não está destinado a resultar.

Poussey Brook Orange is the new blackPoussey Washington e Brook Soso [Orange Is the New Black]: Conheceram-se na prisão e nunca terão a oportunidade de estar juntas em liberdade. Brook chegou a Litchfield e teve dificuldades em encaixar-se naquele ambiente restrito em que cada um se junta aos da sua cor. A jovem reclusa passou por momentos difíceis, mas foi precisamente de um desses momentos complicados que viria algo um bocadinho melhor. Poussey encontrou Brook depois de esta se ter tentado suicidar e com a ajuda das amigas conseguiu livrá-la de sarilhos maiores ao encobrir a situação. As três acabaram por acolher Brook no seu grupo e não tardou que houvesse uma aproximação entre ela e Poussey. Brook é uma apaixonada pelas mais diversas causas e o comportamento dos novos guardas de Litchfield, nomeadamente o profiling racial, deixa-a revoltada. Mal podia ela imaginar que Poussey morreria às mãos de um guarda. Ironicamente, Bayley, o responsável pela morte, era um dos poucos guardas decentes ali, mas com uma formação inadequada para trabalhar num contexto daqueles e lidar com situações delicadas, ainda para mais sob ordens de um chefe inumano, cometeu um erro terrível que resultou na morte de uma pessoa inocente.

Wolfgang Kala Sense8Wolfgang Bogdanow e Kala Dandekar [Sense8]: Kala e Wolfgang são de mundos completamente diferentes. Ela nasceu e cresceu em Mumbai, no seio de uma família sempre presente, e está disposta a casar com um homem que agrada muito à sua família, mas que ela não ama. Wolfgang é um alemão que teve de aprender a tomar conta dele mesmo desde pequeno e que se entregou a uma vida de crime. No entanto, sempre se disse que os opostos se atraem e é precisamente isso que acontece com estes dois. Em teoria, Rajan seria o homem certo para Kala, mas não é isso que ela sente. Apesar de se recusar a aceitá-lo ao início, Kala sabe que não pode fugir ao seu desejo e sentimentos por Wolfgang, até porque a ligação deles transcende todos os limites da realidade, ou não fosse esta uma série de ficção científica.

Magnus AlecAlec Lightwood e Magnus Bane [Shadowhunters]: No mundo de fantasia de Shadowhunters, Alec e Magnus pertencem a espécies diferentes. Os shadowhunters veem-se como seres superiores por descenderem de anjos, enquanto que os downworlders (vampiros, lobisomens, fadas e feiticeiros) são vistos como seres inferiores por terem uma percentagem demoníaca neles. Uma relação entre um shadowhunter e um downworlder é vista como uma abominação pelos shadowhunters mais conservadores. Adicionando o facto de ser uma relação homossexual ainda aumenta mais o ódio e a intolerância. Contudo, Alec, um shadowhunter de uma família importante, e Magnus, um poderoso feiticeiro, apaixonam-se, declaram o amor que os une à frente de todos e tornam-se num símbolo de mudança no mundo sobrenatural.

kevin veronica shamelessKevin Ball e Veronica Fisher [Shameless US]: Já há algumas temporadas que deixei de acompanhar Shameless, mas sempre adorei este casal. Eles tinham uma relação sólida, mas não num sentido aborrecido, muito pelo contrário! Houve algumas confusões a intrometerem-se entre eles, mas nada que tenha abalado verdadeiramente a relação de cumplicidade, ternura e amor com maluqueira à mistura que criaram, proporcionando sempre excelentes momentos aos fãs. Já eu tinha deixado de ver a série por falta de tempo, soube que se tinham envolvido numa relação poliamorosa com Svetlana. Não sei lá como a coisa resultou a três e como é que ficou depois, mas sempre os achei um casal fantástico.

June Luke The handmaid's taleJune Osborne e Luke Bankole [The Handmaid’s Tale]: A história de June e Luke ganha especial importância pelo triste destino dos dois. Quando o mundo enlouquece e separa famílias, pessoas que se amam, a única coisa que resta são as memórias de tempos felizes e a esperança num futuro que pode nunca chegar. June passou muito tempo a pensar que o mais provável era que Luke estivesse morto, até que descobre que está vivo. No entanto, ela continua a ser uma escrava sexual num regime tirânico e do qual não parece haver escapatória possível. June não pode agarrar-se demasiado ao passado se quer tentar sobreviver sã e a sua maior preocupação continua a ser saber de Hannah, a filha de quem o regime de Gilead a separou. Não estou a ver possibilidades de estes dois poderem voltar a estar juntos num futuro próximo, mas espero que um dia seja possível. Eles amavam-se e gostava que sobrevivessem os dois ao mundo louco onde vivem para voltarem a ser uma família, juntamente com Hannah e a pequena Holly.

maggie glenn the walking deadMaggie Greene e Glenn Rhee [The Walking Dead]: Estes dois formam um dos casais mais queridos dos fãs de The Walking Dead, mas quando se vive num mundo pós-apocalíptico, cheio de zombies, não há muito tempo para o romance. Durante algum tempo, Maggie viveu a salvo do mundo exterior com a família na quinta do pai, mas a chegada de Rick e do restante grupo expõem-na à realidade nua e crua em que sobreviver significa ter de matar. Glenn já andava na estrada há algum tempo, juntamente com os outros, e tinha-se tornado um elemento imprescindível no grupo de Rick. A primeira vez que Maggie e Glenn se envolveram, ela deixou bem claro que seria uma coisa sem exemplo. Como ela estava enganada! Eles ajudaram-se um ao outro a sobreviver e foram um exemplo de amor num mundo praticamente destituído de tudo o que há de bom.

Ana Velosa e Diana Sampaio