Classificação

7.5
Interpretação
6.5
Argumento
6
Realização
8
Banda Sonora

Temporada: 8

Número de episódios: 10

A minha relação com American Horror Story tem tido os seus momentos altos e baixos, ao longo dos anos. Gostei de Murder House, adorei Asylum, tolerei Coven, desisti de Freak Show, de Hotel e de Roanoke no início e voltei a apaixonar-me pela série com Cult. Apocalypse esteve quase para me fazer desistir ao primeiro episódio e mais umas quantas vezes nos dois ou três seguintes, mas acabei por me aguentar até ao fim.

Ok, os primeiros cinco ou dez minutos da estreia da temporada foram bons, mas rapidamente o entusiasmo deu lugar ao tédio e à frustração. Nem eu sei porque continuei a ver, é daquelas coisas que acontecem. Queremos que uma série corresponda às nossas expectativas e estamos sempre à espera que isso aconteça, por isso continuamos a dar-lhe oportunidades. O ponto de viragem para mim foi quando Coven entrou em cena, que é como quem diz quando Sarah Paulson trouxe de volta a sua Cordelia, acompanhada de outros rostos bem conhecidos da série, nomeadamente da 3.ª temporada. É certo que não tinha gostado por aí além da história das witches, mas revelou-se um ‘corte’ com o rumo de Apocalypse, com o qual não estava a conseguir sentir uma ligação.

Não estou certa de que o modo como decidiram contar a história tenha sido o melhor. Sabíamos demasiado pouco sobre o apocalipse em si para termos recuado tanto às origens do Anti-Cristo e todos os eventos que nos levaram à destruição do mundo como o conhecemos. Deu-me um pouco a sensação de que havia pontos da história de que já não me lembrava muito bem porque tinham sido contados há demasiado tempo e tal não teria acontecido se tudo tivesse sido contado de forma diferente. Até porque já sabíamos que tudo acabaria com uma luta entre as nossas witches e o Anti-Cristo. Preferia ter sido conduzida até esses acontecimentos e não conhecê-los de antemão, mas não deixei de desfrutar da viagem.

Aquilo de que não gostei nadinha foi dos efeitos especiais e de Michael Langdon, o Anti-Cristo. Perdoem-me a sinceridade, mas Cody Fern é um ator bastante mau. Teatral até à exaustão, pouco credível, sinceramente nada à altura da exigência do papel e muito aquém das performances de nomes como Paulson, Frances Conroy, Emma Roberts ou Billie Lourd. Fern e o seu personagem foram o ponto mais fraco de uma temporada que narrou uma interessante luta entre o bem e o mal. Isto provavelmente são filmes a mais na minha cabeça, mas no episódio em que pudemos ver um pouco dos rituais satânicos houve uma altura em que pensei que podia haver um paralelo – metafórico, claro está – com a realidade. Satanismo em oposição… à religião em que muitas pessoas encontram conforto, paz de espírito… Satanismo como sinónimo do mal. Satanismo como uma forma de protesto contra o que é… comum? Fez-me pensar nos movimentos populistas que se servem do descrédito das pessoas no sistema político para promover o ódio e romper com tudo o que significa aceitação e respeito pelo outro, pelas suas diferenças e pela democracia no geral. Cult foi uma temporada marcadamente política e de crítica à sociedade e vi em Apocalypse um lampejo disso também, mas que reconheço que possa ser forçado.

Forçado penso que também foi o regresso de tantos personagens, apesar de nos ter sido prometido um crossover entre Coven e Murder House. Longe de mim protestar por voltar a ver Connie Britton ou Jessica Lange, mas será que toda aquela gente teria sido mesmo necessária para contar esta história? Não estou certa de que sim. Não encarei muitos dos regressos de uma forma natural, mas mais como uma tentativa de captar a atenção dos espectadores. Estou ciente de que a intenção é sempre garantir audiências, mas sou a favor de que a história que se está a contar é o mais importante de tudo.

Também esperava uma luta bem mais épica neste final, mas tivemos pouco disso. Houve mérito em Apocalypse, isso é inegável. Ver a união daquelas mulheres, Cordelia, Myrtle, Madison, Mallory, Zoe e Coco, foi extraordinário e aquilo que me agarrou verdadeiramente ao ecrã. Sempre adorei histórias de mulheres fortes e de ver exploradas as suas relações e tivemos uma boa dose disso. Foi uma temporada girl power numa série que também ela tem sido uma boa homenagem à força e à coragem das mulheres nos mais variados cenários. Nunca me hei-de cansar disso. Faço louvores especiais a Billie Lourd, de quem já tinha gostado imenso na temporada anterior, e a Emma Roberts, que trouxe uma Madison deliciosamente bitchy e que me divertiu imenso.

Está longe de ser a minha temporada favorita da série, mas faço um balanço positivo, mais do que apenas positivo, até. Estou satisfeita por não ter desistido nos primeiros episódios!

 

Melhor Episódio:

Episódio 10 – Pode ser um cliché escolher o último episódio como o melhor, mas American Horror Story já tem tradição em entregar-nos finais de temporada muito bons. Tive a sensação de que todas as emoções fortes foram deixadas para este episódio. Os membros da coven tiveram que fazer uma dolorosa despedida em que nem todas tiveram sequer a consolação de se poderem valer das recordações, vidas perderam-se (apesar de ter sido apenas temporariamente, ok) e o bem triunfou sobre o mal… Mais ou menos. O bem venceu, mas está à vista uma nova luta contra um novo perigo. O bem nunca vence para sempre, nada é para sempre. É também um bocadinho aquilo que fica deste final: um ciclo termina, mas outro começa. Gosto que o final não seja fechado, que haja uma sugestão sempre um pouco ao estilo daquilo que se diz sobre “os felizes para sempre” não corresponderem à história toda, apenas à que é contada. E há uma história aqui que também não vai ser contada, mas que nos deixa com aquele ‘bichinho’. Sempre que se altera o passado, o presente muda. Este que se avizinha será melhor ou pior do que o outro presente?

Personagem de destaque:

Cordelia Goode – Como já vem sendo tradição, a minha personagem preferida é interpretada por Sarah Paulson. Fiquei um bocado assustada com Miss Venable, que era completamente detestável, e começava a ficar desiludida com o papel que calhara à atriz, mas quando Cordelia entrou em cena respirei de alívio. Ela fora também a minha favorita em Coven e manteve aqui este estatuto. Há um quê de imensamente humano nela, de terno, de forte e de vulnerável ao mesmo tempo. Os sacrifícios que ela esteve sempre dispostas a fazer pela suas meninas, o quanto aceitou corajosamente o seu destino e provou que era a melhor supreme que se podia esperar fazem dela a personagem mais carismática da temporada. Esta escolha não se deve apenas ao talento inegável de Paulson, é mérito também da personagem. Cordelia é a melhor líder que qualquer grupo poderia pedir e mostra-se a verdadeira estrela deste oitavo ano da série.

Diana Sampaio