Classificação

9.5
Interpretação
9.4
Argumento
8.7
Realização
9.5
Banda Sonora

Contém spoilers… dos bons!

Acompanho American Horror Story desde a primeira temporada. Contudo, confesso que não tive paciência para concluir as duas temporadas anteriores. Foi com grande surpresa que, nos últimos meses, assisti a revelações que reacenderam a minha paixão pela série e que prometem a melhor temporada de sempre. Além do regresso de atores e atrizes que marcaram algumas das melhores temporadas, a fusão de Murder House e Coven, primeira e terceira temporadas, respetivamente, num cenário apocalítico traz bons augúrios para a qualidade de American Horror Story.

As séries antológicas têm tanto de positivo como de negativo. Se por um lado cada temporada é uma novidade, mas nem sempre fresca, por outro limita-nos a apresentação e desenvolvimento de determinados personagens. Curiosamente, as primeiras temporadas foram aquelas que tinham mais pernas para andar para se desenvolverem, contudo, ficaram limitadas pelo cariz ontológico com que Ryan Murphy criou American Horror Story.

O primeiro episódio começa com o fim. The End é nada mais, nada menos, que o fim do mundo, o tão temido apocalipse previsto por várias religiões e civilizações ao longo da História. Nada mais pertinente, já que a situação política que se tem desenvolvido nos últimos anos tem-nos aproximado galopantemente para as vésperas de uma Terceira Guerra Mundial.  É exatamente com uma chuva de mísseis atómicos que a temporada começa. O plano de emergência é posto em marcha e todos recebem mensagens sobre o mal que se avizinha… e não é um simulacro! Após a queda dos mísseis há dois saltos temporais que nos mostram que o planeta entrou num inverno nuclear que promete durar vários anos e que a sobrevivência da raça humana, bem como da sua humanidade, é posta seriamente em causa.

Sobreviver à radiação é muito difícil. E, segundo a nossa série, há duas hipóteses que ajudam: ter muito dinheiro ou ter ADN perfeito. Pela primeira via, temos a fútil Coco St. Pierre Vanderbilt (Leslie Grossman) que, na impossibilidade de se salvar com a família, arrasta consigo a sua assistente Mallory (Billie Lourd), o seu cabeleireiro Mr. Gallant (Evan Peters) e a avó deste Evie Gallant (Joan Collins), no seu avião privado rumo ao lugar preparado para este catastrófico evento. A segunda via salva Timothy Campbell (Kyle Allen), que se vê obrigado a deixar a sua família para trás, e Emily (Ashley Santos).

Mas esta salvação não é tão fácil e pacífica como se esperava. A organização secreta The Cooperative prepara um conjunto de bunkers, designados de outposts, que irão recolher milionários e jovens geneticamente perfeitos. O primeiro episódio ocorre sobretudo no Outpost 3, onde conhecemos Wilhemina Venable (Sarah Paulson) e Miriam Mead (Kathy Bates), duas das responsáveis pela ordem do espaço. Os responsáveis vestem de preto, os selecionados pelas vias acima descritas vestem de púrpura e os serviçais vestem de cinzento. A tecnologia, a principal causadora do apocalipse que ameaça a humanidade, é preterida e, segundo Mrs. Venable, uma nova ordem mundial surgirá em moldes bem diferentes daquele a que os selecionados estavam habituados. Já que estamos a falar dela, a personagem de Sarah Paulson, além de muito misteriosa, revela ser o cérebro do outpost e tudo fará para se sair bem, tem pulso de ferro e não hesita em esbofetear a milionária Coco quando as suas orientações são colocadas em causa. E isto faz com que o aparente paraíso para os púrpura se torne um verdadeiro inferno, já que até canibalismo existe, com a desculpa da escassez de alimentos. Além daquele prato com vestígios de dedos, aqueles cubos com os nutrientes necessários fazem-me lembrar o alimento produzido à base de carne humana do filme, também apocalítico, Snowpiercer.

Com os outposts a serem atacados pelos humanos que não foram salvos, o nosso elenco está em constante perigo. Mas uma possível salvação, ou perdição, chega nos minutos finais: Michael Langdon (Cody Fern), representante da The Cooperative, que promete selecionar os que verdadeiramente merecem ser salvos e levá-los para um novo local, onde haverá segurança e alimento em abundância. Mas Michael, para os mais distraídos, já foi timidamente apresentado na 1.ª temporada: trata-se do filho de Vivien Harmon (Connie Britton), fruto da sua relação sexual com aquele fantasma na primeira temporada, já descrito também como o anticristo.

O episódio inicial foi muito bom. Apresentou bem os personagens principais, talvez à exceção de Dinah Stevens (Adina Porter), que esteve muito apagada nesta premiere. A banda sonora deixou-me muito satisfeito, como é habitual, e aquele genérico que nos continua a arrepiar até aos ossos continua excelente. Estou muito curioso relativamente aos atores que ainda não surgiram para perceber a verdadeira potencialidade de American Horror Story: Apocalypse.

Questões que ficam para os próximos episódios:

  • Onde andam Emma Roberts, Jessica Lange, Lily Rabe, Frances Conroy e Connie Britton? Trarão as suas personagens anteriores ou trarão outras para apimentar ainda mais este apocalipse?
  • A personagen de Adina Porter esteve muito apagada, mas, pelo que estamos habituados, as suas personagens revelam sempre surpresas interessantes no desenrolar da série. A tradição vai manter-se ou teremos Dinah “sem sal” Stevens?
  • Michael Langdon chegou misteriosamente e em grande! Será mesmo o anticristo? E o lugar que promete ser a salvação de quem merecer existe?
  • Timothy Campbell e Emily, que inicialmente prometiam ser personagens centrais, estiveram também muito apagados. Aqueles beijinhos semanais inocentes não foram lá muito bem contextualizados. Qual o papel deles neste enredo todo? Serão apenas dois jovens geneticamente perfeitos ou terão um papel importante?

Rui André Pereira