Para algumas pessoas é estranho que jovens estabeleçam amizades com adultos bem mais velhos, mas sempre encarei isso com naturalidade, visto que eu própria tenho duas amigas próximas que, pela idade, poderiam bem ser minhas mães. A idade é apenas um número e isso pouco importa numa boa amizade. Assim sendo, lembrei-me de compilar alguns pares de amigos das séries que têm uns valentes anos de distância entre eles, mas cuja ligação não é menor por isso.

Tony Olivia 13 Reasons Why

Olivia Baker e Tony Padilla [13 Reasons Why]: Depois da morte de Hannah e com o casamento arruinado, a verdade é que Olivia não teria ninguém, se não fosse Tony. Foi ele quem lhe mostrou as cassetes que Hannah tinha feito, achando que aquela mãe devia saber aquilo que se tinha passado, e acabou por se formar uma improvável amizade entre os dois. Tony é um rapaz decente, maduro para a sua idade, e significa uma espécie de ligação ao mundo de Hannah no liceu, para além de ser alguém em quem Olivia sabia que a filha confiara. Apesar da diferença de idades, os dois tornaram-se próximos, com Tony a revelar-se mesmo um apoio e alguém capaz de ajudar Olivia a compreender um lado da filha que esta não conhecia.

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Jane Chapman, Madeleine MacKenzie e Celeste Wright [Big Little Lies]: Apesar da diferença de idades, com Madeleine e Celeste bastante mais velhas do que Jane, a relação entre estas três é mais igualitária, digamos assim, sendo que ambas são mães de crianças a frequentarem a mesma turma. Jane, uma jovem mãe a tentar fugir dos fantasmas do passado, é muito bem recebida na cidade por Madeleine, que não tarda a fazer dela uma presença frequente nos seus cafés com Celeste. A empatia entre as três forma-se rapidamente e Madeleine é até bastante feroz a defender a nova amiga e o filho desta quando o menino se vê acusado de ter feito mal a outra coleguinha de turma. Os acontecimentos do final da temporada de estreia só serão capazes de fortalecer o elo que se criara entre elas. Celeste bem vai precisar das amigas neste momento difícil da sua vida!

Tyra Tami Friday Night Lights

Tami Taylor e Tyra Collette [Friday Night Lights]: Aqui não se trata apenas de uma amizade, mas também de uma espécie de relação maternal que Tami estabeleceu com Tyra. A adolescente tinha mãe, mas a verdade é que não desempenhava o seu papel da melhor forma e Tyra não tinha grandes modelos a quem aspirar. Ao aperceber-se disso, a conselheira do liceu decidiu então que iria apoiar Tyra e ajudá-la a entrar para a faculdade, convencida de que era disso que a jovem precisava. Foi o início de um laço que Tyra nunca tinha tido, o de ter alguém que acreditava nela o suficiente para achar que era capaz de algo mais do que a vida em Dillon lhe poderia proporcionar. Tyra passou por momentos difíceis, mas pôde sempre contar com Tami para a ajudar a ultrapassá-los.

Blair Dorota Gossip Girl

Blair Waldorf e Dorota Kishlovsky [Gossip Girl]: Bem, nunca escondi o quanto Blair me irrita, mas sempre achei piada bastante piada a Dorota e a verdade é que as duas desenvolveram uma relação engraçada. Se, no início da série, Dorota pouco mais era vista como a empregada da família Waldorf, a verdade é que não demorou muito a evoluir desse estatuto para algo que se aproximava de uma parceira nos esquemas de Blair, mas também de uma certa figura maternal. Dorota era a pessoa a quem Blair podia recorrer sempre que precisava de apoio e este laço entre as duas era tão visível que a própria Eleanor tinha noção de que negligenciara a filha e que Dorota tinha acabado por substituí-la no papel que lhe cabia, mas que nunca desempenhou plenamente. Não sei o que seria de Blair sem a sua leal amiga!

Cristina Dr. Thomas Grey's Anatomy

Cristina Yang e Craig Thomas [Grey’s Anatomy]: A amizade entre estes dois foi tão curtinha, mas acho que deixou uma marca muito interessante na história de Grey’s Anatomy. A coisa não começou nada bem, com o Dr. Thomas a ser um dos examinadores no teste de Cristina para se tornar uma cirurgiã especializada. No entanto, quando a jovem cirurgiã iniciou uma nova fase da sua carreira, voltaram a encontrar-se na Mayo Clinic. Thomas era superior de Cristina, claro está, mas tinham formas muito diferentes de pensar no que dizia respeito a tratamentos médicos e cirurgias. Cristina sempre foi um pouco arrogante, uma vez que sabe o quão boa é na sua profissão, mas teve de admitir que podia aprender muito com o médico mais velho. Aliás, os dois podiam aprender muito um com o outro. Quando se aperceberam disso, foi o início de uma bela amizade, curta, mas muito interessante. Tomavam bebidas juntos, faziam piadas acerca um do outro e tornaram-se uma espécie de confidentes. Cristina não tinha mais ninguém no Minnesota e Thomas acabou por se tornar um bom amigo.

Homeland

Carrie Mathison e Saul Berenson [Homeland]: Estes dois nem sempre têm uma relação fácil, mas Saul foi quem recrutou Carrie, quem a treinou como agente da CIA e a ajudou a tornar-se na agente que é. Também foram algumas as vezes em que Saul foi uma espécie de bússola moral para a agente mais nova, nem sempre concordando com ela, mas fazendo os possíveis para a proteger. No entanto, esta está longe de ser apenas uma ligação de mentor e aluna, porque sabemos o quanto os dois se preocupam um com o outro e se adoram e que Saul também tem sido uma segunda figura paternal para Carrie. Fossem quais fossem as circunstâncias, sabiam que podiam contar sempre um com o outro quando as coisas se complicavam.

Jane Korsak Rizzoli & Isles

Jane Rizzoli e Vince Korsak [Rizzoli & Isles]: Estes dois foram parceiros na força policial, com Korsak a ser sempre uma espécie de mentor para Jane e, mais importante do que isso, foi ele quem a salvou de morrer às mãos de Charles Hoyt. Continuaram a trabalhar juntos, na mesma equipa, apesar de terem deixado de ser uma dupla, mas a amizade manteve-se e Korsak acabou por se tornar um bom amigo, não só de Jane, mas de toda a família Rizzoli.

Camille Curry Sharp Objects

Camille Preaker e Frank Curry [Sharp Objects]: Tendo crescido no seio de uma família da qual quis fugir o mais rapidamente possível, Camille viu-se um pouco sozinha no mundo, mas a verdade é que encontrou em Frank Curry, o seu chefe no St. Louis Chronicle, um verdadeiro amigo. Mais até do que isso, Frank, bem como a sua esposa, tornaram-se a verdadeira família de Camille. Junto do casal mais velho, Camille conseguiu construir uma relação saudável como nunca tivera antes. Ao início, achei que Frank não devia ter feito Camille voltar a Wind Gap, mas talvez ele estivesse apenas a tentar que Camille ultrapassasse os fantasmas do passado. No entanto, mesmo à distância, Frank nunca deixou de se certificar de que a jovem jornalista estava bem.

Sidney Miss Parker The Pretender

Miss Parker e Sidney [The Pretender]: Já se passaram uns bons 11 ou 12 anos desde que vi The Pretender pela última vez, mas foi daquelas séries especiais da minha adolescência e na qual às vezes dou por mim a pensar, uma vez que nunca vi tudo do início ao fim. Olhem, é uma maratona a pensar quando houver oportunidade para tal! Miss Parker era a tipa mais badass, mais bitch e essas coisas todas à girl power que se podem pedir numa personagem, mas a verdade é que tinha algumas fraquezas. Uma delas era o pai, em quem ela parecia confiar cegamente, mas por quem mais ninguém seria capaz de meter as mãos no fogo. Outro soft spot da personagem era Sidney, o homem que também se mostrou sempre como uma espécie de figura paternal para Parker. Não que ela fosse capaz de admitir a importância de Sidney na sua vida, porque não era de todo pessoa que gostasse muito de expressar os seus sentimentos, mas a ligação entre os dois era visível e muito forte. Afinal de contas, Sidney esteve presente na vida dela desde a infância, nomeadamente quando a mãe morreu.

Dale Andrea The Walking Dead

Dale Horvath e Andrea Harrison [The Walking Dead]: O caminho de Andrea – e da sua irmã Amy – cruzou-se com o de Dale durante o apocalipse zombie. A partir daí passaram a ‘navegar’ o novo mundo em conjunto e formaram um laço próximo. Dale era protetor de Andrea, não foram raras as vezes em que lhe deu conselhos, nomeadamente acerca de Shane não ser de confiança, e fez tudo o que pôde para evitar que ela se suicidasse na sequência do sofrimento causado pela morte de Amy. De certa forma, acho que acabaram por se salvar um ao outro: ele salvou-lhe a vida, mas ela há muito se tornara na motivação para viver que Dale perdera com a morte da mulher. Andrea passou bastante tempo ressentida com Dale por ele a ter impedido de se suicidar, mas o tempo encarregou-se de a fazer perdoar-lhe. Quando Dale morreu foi mais do que visível o quanto Andrea gostava dele.

Que dupla de amigos com uma grande diferença de idade é que terias colocado nesta crónica? Partilha connosco!

Diana Sampaio