The Good Wife sempre dispensou apresentações, sendo uma constante nomeada aos principais prémios da televisão, mas The Good Fight, o seu spin-off, injustamente não goza da mesma popularidade. As duas séries são bastante diferentes, mas valem ambas tanto a pena! Aqui há uns anos fiz uma edição desta rubrica sobre a série-mãe e achei que estava na altura de escrever sobre o spin-off. Descubram então as minhas sete razões para ver The Good Fight:

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1 – Uma identidade própria que permite um distanciamento de The Good Wife: Bem, por muito que um spin-off possa parecer uma ‘extensão’ de um produto já existente e até consiga angariar alguns espectadores da série original, acho que é muito importante que traga algo de novo e que não se agarre demasiado ao seu passado. Se dantes tínhamos uma protagonista casada a lidar com o escândalo sexual e político que envolveu o marido, aqui temos três mulheres fortes, de diferentes idades, a navegar pelas suas vidas profissionais. The Good Fight é mais leve, mas não menos relevante por isso, e consegue ter uns quantos momentos engraçados. The Good Wife tinha uma audiência constituída por um público mais velho e esta tem muito para agradar a esse mesmo público, mas também a uma geração mais jovem.

The Good Fight

2 – Diane Lockhart: Christine Baranski é uma atriz extraordinária e trouxe para The Good Fight aquela que, para mim, era, se não mesmo a melhor, uma das melhores personagens de The Good Wife. Diane Lockhart é uma mulher brilhante, engraçada e com ideais fortes que defende com unhas e doentes. Para além disso, representa um tipo de personagem que não tem muito destaque nas séries, o das mulheres com mais de 50 anos que são mais do que esposas ou mães. Não há nada de errado em nenhuma dessas coisas, mas há mais na vida que uma mulher pode ser ou ter. Diane concentrou-se na sua carreira, não teve filhos e casou numa idade em que muitas pessoas já não esperam encontrar o amor. Mais importante do que tudo, Diane nunca foi daquelas mulheres que andava pelos cantos a arrepender-se da vida que levou e a pensar naquilo que poderia ter tido em vez disso, porque foi mesmo uma escolha. Numa sociedade em que as pessoas estranham que uma jovem não tenha namorado e não queira marido, por exemplo, parece-me que são necessárias mais personagens como Diane.

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3 – Personagens femininas em destaque: Para além de Diane, há muitas outras personagens femininas em questão ou não fossem elas o rosto da série. A Maia Rindell de Rose Leslie e a Lucca Quinn de Cush Jumbo – esta última também uma personagem que transitou de The Good Wife – juntam-se a Diane como personagens principais, mas não são as únicas ladies em destaque. Maia é uma jovem a dar os primeiros passos no mundo da advocacia, enquanto lida com o escândalo que envolve a família, e Lucca é uma advogada já com experiência, mas ainda nova também. Lucca não se preocupa muito com relacionamentos amorosos e apesar de ter um envolvimento com outro advogado, de quem engravida, não quer ficar com ele. As relações principais desta série são os laços de amizade que se formam entre estas três meninas da foto e o plano amoroso acaba sempre mais relegado para segundo plano.

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4 – Elenco recheado de atores negros: Se esta série contraria a tendência dos homens como protagonistas, também não vai de encontro a um elenco exclusivamente constituído por pessoas brancas, muito pelo contrário. Dos dez elementos que são classificados como parte do elenco principal no conjunto das duas temporadas, mais de metade são negros: Erica Tazel, Cush Jumbo, Delroy Lindo, Nyambi Nyambi, Michael Boatman e Audra McDonald. Numa altura em que cada vez mais se pede que as séries representem a diversidade, The Good Fight cumpre esse requisito, ainda para mais com grandes nomes, nomeadamente McDonald, atriz galardoada da Broadway, e Lindo.

adrian marissa the good fight

5 – Feroz crítica à política americana e discussão de temas da atualidade: Quase todos os personagens desta série são democratas que gostaram de ver Barack Obama como presidente e que odeiam aquilo que Trump representa. Também eu, people, também eu! Não é à toa que a série começa com Diane chocada a ver o resultado das presidenciais de 2016. São muitas as referências à presidência de Trump e até há um episódio que se centra muito na possibilidade de um impeachment. Além disso, sinto que me deu um conhecimento sobre coisas que de outra forma nunca saberia. Gosto de sentir que uma série tem alguma coisa a ensinar às pessoas e que faz do entretenimento um veículo de mudança, nem que seja pequena. The Good Fight fá-lo tão bem, abordando também temas como o uso de armas e as ameaças terroristas.

Elsbeth Tascioni Mike Kresteva The Good Fight

6 – Convidados especiais que já conhecíamos: A sério, The Good Wife tinha um elenco secundário e convidado fantástico e o melhor é que The Good Fight trouxe de volta muitos desses rostos conhecidos. Carrie Preston, mesmo aparecendo em poucos episódios, é uma das minhas personagens favoritas de ambas as séries e outros nomes extraordinários como Matthew Perry, Margo Martindale, Christine Lahti e Jerry Adler são também inesquecíveis. Se se desse o caso de o elenco principal da série não ser muito sólido (coisa que é), não seria muito grave, porque os restantes salvariam a “honra do convento”.

diane the good fight

7 – Mais ousada: Quando uma série passa num serviço de streaming e não num canal generalista – como era o caso de The Good Wife – há certas liberdades que se ganham, como dizer palavrões e abordar as coisas de forma um pouco mais ousada, mas sem roçar nunca os limites do razoável e neste aspeto acho que The Good Fight é mais autêntica do que a série original. No entanto, The Good Fight não apresenta cenas de violência, nem linguagem propriamente chocante, e sentir-me-ia completamente à vontade a recomendá-la a um miúdo(a) de 12 anos, apesar de provavelmente ir achar uma seca. Eu também não gostava de séries deste género com essa idade.

Era inevitável traçar os pontos fortes de The Good Fight sem mencionar umas quantas vezes The Good Wife, mas espero não ter exagerado. No entanto, acho que era importante explicar aquilo que as aproxima e as distancia para que todos saibam aquilo que podem esperar.

Diana Sampaio