The Bold Type retrata a vida de três amigas: Jane (Katie Stevens), Kat (Aisha Dee) e Sutton (Meghann Fahy), que se conheceram enquanto assistentes na revista feminina Scarlet. A série explora o tema da identidade e sexualidade de cada um ao estilo de vida nova-iorquino. A série é inspirada na vida da editora chefe, Joanna Coles, da revista mundialmente conhecida, Cosmopolitan, e representa a realidade da vida, a luta pelos seus sonhos e amores e desamores destas três amigas.
Da emissora Freeform e criada por Sarah Watson, The Bold Type é um drama que está bem conseguido, principalmente a nível de temas debatidos nos episódios, havendo uma diversidade muito boa e “com os pés assentes na terra”. Deixo-vos 7 ótimas razões para verem esta ótima série!

[Pode conter spoilers!]

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1 – Feminismo

O facto de ser baseada em versões reais da vida de Joanna Coles, antiga editora da Cosmopolitan, uma das revistas femininas mais conhecidas a nível mundial, revela na série uma tendência feminina. Não no mau sentido, acho que tanto para raparigas como para rapazes é uma série que mostra como as mulheres estão e podem estar ao nível dos homens tanto na vida pessoal como profissional. Retrata temas do ponto feminino (sem querer spoilar muito) como a sexualidade, cancro da mama, religião, homossexualidade e violação.

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2 – Amizade

Em torno da vida de três amigas, Jane, Kat e Sutton, só penso que quero uma amizade assim! Ficamos a desejar que as amizades da nossa vida fossem todas como esta e que podemos ser tão mais felizes quando temos amigos que nos percebem, apoiam e ficam do nosso lado. Jane e Sutton são colegas de quarto e Kat vive sozinha; todas trabalham na Scarlet Magazine. A série começa quando Jane consegue um trabalho como redatora da revista, Kat é gestora das redes sociais e Sutton assistente de uma das diretoras com a pretensão de ser muito mais, como já verão mais à frente.

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3 – Vida Profissional

Todos nós desejamos atingir o auge da nossa vida profissional. É claro que nem toda a gente pode ser médica, advogada ou engenheira, mas quando nos desafiamos a nós próprios e vamos à luta conseguimos atingir todos os objetivos. The Bold Type foca-se neste tipo de situações. Sutton, a meu ver, é o símbolo da persistência e dedicação no trabalho, acabando por ser uma das personagens com que mais me identifico. De família pobre e sem ter tido a possibilidade de integrar o ensino superior, Sutton teve de trabalhar o triplo para conseguir o cargo que tanto queria na moda.

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4 – Jacqueline

Para além das três personagens principais – que para mim estão muito bem pensadas, sendo a minha preferida, como já referi, a Sutton (apesar de gostar imenso de Jane e Kat) – há uma personagem que guia estas três amigas, Jacqueline (Melora Hardin), diretora da Scarlet Magazine e uma autêntica woman boss. Forte, perspicaz e muito inteligente, não se deixa levar por um conselho administrativo composto apenas por elementos do sexo masculino e é um ponto fulcral nesta série, não só por ser quase “mãe” das três meninas, mas pelo facto de fazer com que elas se superem a si mesmas. Para mim é uma das principais razões pela qual vejo esta série.

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5 – Temas Tabu

The Bold Type segue-se mais ou menos por temas ainda considerados tabu. Por exemplo, o segundo episódio é em volta do orgasmo feminino e do porquê de as mulheres o ‘fingirem’. Jane, que nunca tinha tido nenhum, foi obrigada a escrever um artigo sobre esse assunto, obrigando-a a sair da sua zona de conforto. Outro exemplo é o interesse amoroso de Kat, Adena (Nikohl Boosheri), uma muçulmana lésbica, que trabalha como artista fotográfica e que se debate com racismo e discriminação. A série acaba por abordar temas importantes com que nos debatemos no nosso dia a dia de forma mais fresca e jovem.

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6 – Sonhos & Realidade

“The girls from The Bold Type”, como são chamadas nas cenas pré-episódio, são aquilo a que gosto de chamar sonhadoras realistas. Jane começou como assistente e conseguiu chegar a redatora; Kat também iniciou a sua carreira na Scarlet Magazine como assistente e agora é diretora das redes sociais; por fim, Sutton, no início da série era assistente de Lauren (uma diretora executiva muito irritante, diga-se de passagem!), mas lutou muito para agora estar no departamento de moda, que sempre tinha sido o seu sonho (não é um spoiler, porque o percurso até chegar onde se quer é o “muito bom” desta série).

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7 – O Guarda Roupa

Era impossível terminar sem referir o tópico ‘fútil’. A Scarlet Magazine, como revista feminina que é, retrata a moda: vestidos, sapatos, malas, marcas como Givenchy, Louis Vuitton, MiuMiu, entre tantas outras. Não só as personagens estão sempre muito bem vestidas e com estilo, como existe um cenário que marca todos os episódios: o guarda-roupa da Scarlet. Este spot é o escape de Jane, Kat e Sutton. Quando algo de bom ou de mau acontece, seja a nível pessoal ou a nível profissional, é aqui que as três personagens principais desabafam e se apoiam umas às outras, conseguindo vencer os problemas que as atormentam.

No seu todo, considero-a uma boa série. As personagens estão a aprender a encontrar as suas vozes, a explorar a sua sexualidade e a descobrir a sua identidade, com amores, desamores e moda (claro) à mistura. É uma boa série para passar um bom momento, mas que só tem prevista esta temporada de 10 episódios (ando a rezar a todos os santinhos que seja renovada!!!). São boas personagens, é um bom guião; no geral, é um sólido oito de um a dez.

Margarida Rodrigues