Classificação

9.7
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
8.2
Banda Sonora

Este texto tem spoilers!

O episódio sete da temporada está a ser apontado por muitos como O episódio até agora. Por isso, vou fazer uma apreciação diferente neste texto. Vou resumir o que se passou e depois dar uma visão sobre o tema que foi exposto durante o episódio.

Basicamente neste episódio tivemos várias mortes. Morreram personagens secundárias como Lawrence ou Clementine. Maeve ficou gravemente ferida, assim como William, que foi alvo da vingança de Maeve. Dolores e o malvado Ted invadiram as instalações da Delos e destruíram o berço. Inclusive, a destruição dá-se com Angela a rebentar aquilo que acredito que seja uma bomba que esta tinha guardado. Dolores reencontra o pai, que a reconhece, e acaba com o sofrimento dele. Descobrimos que Abernathy tem nos seus códigos uma chave para alguma coisa. Dolores encontra Maeve, que foi gravemente ferida pelos militares que Sizemore chamou no último episódio. Ela foi levada para as instalações e lá Dolores quer acabar com o seu sofrimento, mas dá a Maeve a decisão e ainda bem, porque Maeve quer sobreviver e lutar. Os anfitriões revoltaram-se e neste momento não sabemos onde vão parar. A única coisa que sabemos é que todos querem ir para além do vale. Talvez seja a porta para a saída do parque e talvez seja essa a chave que Abernathy tinha. Mas o ponto alto deste episódio foi Bernard e Ford.

Bernard encontra Ford, que lhe revela que o plano do parque sempre foi aquilo que William disse a James Delos, ou seja, retirar informações das pessoas. Aperfeiçoar. Procurar a imortalidade. Inclusive, descobrimos que Bernard foi testado por Dolores para ser igual a Arnold. Ford revela também que levou a sua memória para o berço porque ele acredita ser uma espécie de Deus no parque. Ele diz que os anfitriões têm um livre-arbítrio, mas que este é doseado por ele. Depois, Ford consegue possuir Bernard, o que explica o porquê de o Bernard do presente ser tão aluado. Ele vê Ford, que lhe diz o que fazer ao ponto de o pressionar mentalmente e Bernard mata uns militares da Delos.

Esta, para mim, é a questão do episódio e, quem sabe, da série. Até que ponto existe mesmo a liberdade? Até que ponto não estamos nós condicionados a uma ideia de livre-arbítrio que está delineada por alguém superior como um Deus? Estas questões bíblicas entram na série porque percebemos que nem os anfitriões eram livres, nem os humanos. Tudo naquela empresa servia para roubar dados às pessoas e piora quando o parque é liderado por um sádico homem que se acha Deus e teima em controlar as narrativas das pessoas. Chega a ser assustador pensar nisso. Tanto quanto foi quando Clementine viu uma outra personagem exatamente com as falas dela. A nossa individualidade é pura ficção da nossa consciência. Como se diz na série, temos de começar a questionar a natureza da nossa realidade.

Este episódio está a ser super elogiado pelo mundo. Honestamente, o quatro foi mais do meu agrado, mas este foi muito bom e mantém o nível de uma série que, volto a repetir, é a melhor do momento na televisão. E que inveja devia ter o cinema por ver tanta qualidade a entrar na casa das pessoas semanalmente. Bom, para a semana teremos um episódio sobre a nação fantasma. Promete ser muito bom. Até lá, ficamos com os pensamentos filosóficos de Ford num mundo cada vez menos poético.

Carlos Real