Classificação

8.8
Interpretação
8
Argumento
8.9
Realização
8.3
Banda Sonora

[Contém spoilers]

“Don’t even blink

Desde a sua criação que dois dos pontos-chave em que os X-Men se centraram foram na importância da família e na perseguição mutante e The Gifted parece estar a conseguir focar-se e explorar bem ambos. Depois de um piloto cativante, o segundo episódio assegura o momentum e continua a mostrar o porquê de esta série fazer falta nas nossas vidas.

Com Reed capturado pelos Sentinel Services e Blink a entrar em colapso após o uso abusivo dos seus poderes na fuga do episódio passado, o episódio desta semana centra-se nessas duas narrativas, também mostrando a estadia de Polaris na prisão. Um dos melhores aspetos do episódio é o analisar mais à lupa da família Strucker. Dos flashbacks no passado até ao presente, não só aprendemos bastante sobre os elementos da família, como também vemos uma evolução tremenda, principalmente em Kate e Lauren. Lauren, tendo o segredo de ser mutante finalmente desvendado, pode deixar de se reprimir como tem feito há anos e esta nova liberdade vem revelar que ela tem o perfil de uma líder nata. Para além disso, o seu raciocínio rápido em situações extremas permite que os seus dotes mutantes possam ser usados nas mais diversas situações, até mesmo para fechar portais. Em relação a Kate, com o acumular das suas atitudes no episódio passado, chegamos a meio do episódio a considerá-la a personagem mais irritante da série, mas num twist repentino e graças à sua viagem com Eclipse para arranjarem medicação para estabilizar Blink, Kate é obrigada a abrir os olhos para a realidade da vida mutante e sofre uma transformação extraordinária, deixando de se preocupar apenas com o seu umbigo. É excelente a maneira como os produtores jogam com a simpatia que temos pelas personagens, como em tão pouco tempo nos fazem relacionar com elas e como nos perguntam indiretamente como iríamos nós atuar caso estivéssemos naquela situação – exemplo da conversa entre Eclipse e Kate no carro.

Reed tenta combater a situação através da sua experiência como procurador federal e, apesar de todas as acusações intimidadoras, consegue dar a volta por cima e chegar a um acordo com os Sentinels Services. De notar que apesar de Reed parecer ter um coração bom, no fundo, este também parece mostrar que é capaz de “atropelar” tudo e todos para pôr a sua família a salvo. Se, por um lado, Kate se sente cada vez mais em dívida para com os membros do Mutant Underground, o seu marido dá indicação de que é capaz de vendê-los a troco da imunidade do resto da família.

Também a vida de Polaris na prisão não está de todo a ser fácil. Muda-se o cenário, mas mantém-se a discriminação contra os mutantes e, mesmo atrás das barras, os Homo sapiens querem mostrar-se superiores. Apesar de limitado, mesmo com o colar, Lorna consegue usar os seus poderes mutantes. Irá ela conseguir escapar sozinha? E será inevitável a perda do bebé? O emergir das Sentinels e os prisioneiros mutantes serem ainda colocados em conjunto com os outros prisioneiros apesar de terem os colares repressores dos seus poderes são algumas das medidas que os leitores dos comics podem identificar como predecessores de medidas anti-mutantes muito mais drásticas, nomeadamente os campos de concentração mutantes.

Dos momentos mais marcantes/awesome do episódio destaco: a mudança de cabelo de Lorna, revelando o característico cabelo esverdeado da personagem; a carrinha a ser cortada ao meio quando Blink abre acidentalmente o primeiro portal; e o fervente sangue de Eclipse. Todas elas foram cenas de largar um “woow”.

Ao longo do episódio “rX” foram-nos ainda dadas pistas sobre diversas situações. Nomeadamente a data de 15 de julho como a de um acontecimento que terá levado a uma luta entre fações diferentes de mutantes e que terminou com a perda de várias vidas humanas como danos colaterais, podendo ter sido esse o desencadear do crescimento da onda de ódio para com os mutantes. Descobrimos que o pai de Strucker vive isolado em Chattanooga e que o gene X pode ter vindo desse lado da família. E, para os mais atentos, no pedaço final de jornal que aparece sobre a notícia no Rio de Janeiro podemos ler a indicação de gémeos com cabelos louros e olhos azuis que certamente se refere aos gémeos Fenris, os filhos do Baron Strucker com ideais de supremacia que adotam o papel de super-vilões. Parece que sempre teremos uma abordagem ao passado negro dos Strucker.

Como seres humanos é-nos impossível não comparar a ficção com que nos entretemos e a realidade que nos rodeia. Propositadamente ou não, The Gifted consegue bem retratar algumas das situações de discriminação que se vivem hoje em dia e põe-nos a questão no fundo da cabeça, “E se fosse consigo?”. Na estreia da Fox de The Gifted, a IGN aproveitou para perguntar aos fãs a mesma pergunta que vos faço agora: Qual seria o vosso poder mutante e porquê?

Quem é quem tu queres saber. Quem é:

  • Thunderbird (John Proudstar) – sem surpresa é outra personagem que entrou em X-Men: Days of Future Past (interpretado por Booboo Stewart). O seu futuro na série, no entanto, pode ser mais curto do que o esperado, caso a personagem siga a mesma linha que o seu criador Chris Claremont lhe deu nos comics, eliminando-o logo na sua 3.ª aparição (enquanto combatia com os X-Men contra o super-vilão Count Nefaria). Porém, James Proudstar, irmão de Thunderbird e com poderes semelhantes, assume o manto do super-herói e mais tarde muda o nome para Warpath, personagem esta ainda em ação nos comics e que ao longo dos anos teve diversas afiliações desde os X-Men, à equipa X-Force e atualmente integra na equipa Weapon X. Thunderbird é um rastreador e caçador especializado, como já vimos na série, possui habilidades sobre-humanas de força, resistência e velocidade, o seu corpo é muito resistente e para além disso também possui um fator de cura regenerativo.
  • Mutant Underground – nos comics existe a organização Mutant Underground Support Engine (ou M.U.S.E.) cuja missão é basicamente a mesma da que vemos a acontecer em The Gifted, encontrar e ajudar mutantes em perigo e que surgiram devido ao aumento de atividade anti-mutante nos EUA. Esta equipa enquadra-se bem com a escolha dos produtores usarem mutantes menos conhecidos, já que este grupo também não é de grande destaque.
  • Mutant Liberation Front – após termos ouvido acerca do desaparecimento dos heróis X-Men e dos revolucionários/terroristas Brotherhood of Mutants, neste episódio é referido um conhecido terceiro grupo de mutantes. Mutant Liberation Front ou MLF foi um grupo criado por jovens mutantes anarquistas e que devido às suas tendências terroristas se viram como adversários dos X-Men.

Para a semana é dia de novo episódio de The Gifted e em “eXodus” descobriremos o acordo que Reed fez com os Sentinel Services, a quem é que os filhos Strucker vão pedir ajuda e o treino de Thunderbird com Blink de forma a esta conseguir controlar os seus poderes. Até lá, não temam o que não compreendem!

Emanuel Candeias