Classificação

6.5
Interpretação
6
Argumento
6.7
Realização
6.4
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Flash, the Purple Speedster

Ainda sem Supergirl e com Arrow em pausa, esta semana contentamos-nos apenas com Legends of Tomorrow e com The Flash como nossas séries do Arrowverse. Já agora, andam a seguir Black Lighning? Tem-se revelado uma boa aposta da CW, uma grande estreia de 2018 e podem seguir as reviews dos episódios aqui.

Com algumas boas ideias, o episódio “Run, Iris, Run”, acaba por não impressionar, caracterizando-se por várias inconsistências e conceitos forçados.

Matthew Kim, aka Melting Point, é o novo bus meta apresentado esta semana e se, na cena inicial, desperta algum interesse, rapidamente essa excitação se vai perdendo ao longo do episódio. Matthew dá uma certa vibe que faz lembrar Peter Petrelli da série Heroes, sendo até mesmo os seus poderes de certa forma parecidos. No entanto, no caso de Petrelli, este conseguia absorver os poderes de outros, enquanto que o poder de Matthew é muito menos impressionante e é de longe aquele que alguém escolheria ter. A habilidade de passar os poderes de uma pessoa para outra que não nós é no mínimo desapontante e muito típico de personagens secundárias. Além disso, deixa muito a sensação de este poder ter sido escolhido apenas para fazer frente a DeVoe. Aliás, que utilidade dará DeVoe a esta habilidade? A faceta de herói de Matthew foi o que mais chamou à atenção da personagem, demonstrando ter à partida mais garra para o heroísmo do que Ralph, por exemplo. Porém, a cena que estragou por completo a atitude corajosa de Melting Point foi quando Joe e Iris vão atrás dele e ele faz Iris refém, não mudando a sua escolha mesmo quando Flash aparece. Ora, se eu quero ajudar pessoas e me aparece o conhecido super-herói da cidade a pedir ajuda, se calhar roubar-lhe os poderes e ameaçar outras pessoas não é a atitude mais heroica, digamos assim.

Continuando com as coisas que não fizeram muito sentido neste episódio, o regresso de Erik Frye a Central City é um “tiro no pé”. Ele próprio diz que quando Flash apareceu na cidade decidiu mudar-se para outro sítio. Ora se Flash continua a proteger a cidade, porquê voltar e assaltar um banco em plena luz do dia? E se Frye deu um vilão sem lógica, Jaco Birch não foi muito melhor. 1.º passo: ganhar poderes; 2.º passo: decidir ser um super-vilão só porque sim. mesmo vivendo na cidade de um famoso super-herói conhecido por prender meta-humanos desonestos num instante; 3.º passo: “I want my money!”; 4.º passo: levar uma malha e ir para a prisão. Que plano fantástico este de Birch! Sem falar que é incompreensível a velocidade com que aprendeu a dominar os seus poderes.

O holofote em Iris poderia ter sido uma oportunidade para nos ligarmos mais a uma personagem que muitos acham ser praticamente dispensável, mas ficou aquém do esperado. Momentos existem em que Iris merece o título de líder da Team Flash – na realidade alternativa de Flashpoint e no início desta temporada quando não deixou que a equipa se desmoronasse mesmo quando Barry desapareceu na Speed Force são exemplos bem sólidos da sua capacidade de liderança. No entanto, esta semana, onde esse papel deveria ter sido reforçado, o que aconteceu foi nós duvidarmos do porquê de ela sequer fazer parte da equipa. Foi interessante vê-la num fato de super-herói, a cena dela a criar a onda gigante foi espetacular e a decisão final de dar os primeiros passos para voltar a tentar a sua carreira de jornalista foram os destaques positivos da aventura da personagem. Mas quanto às aptidões nela no campo ficou provado que são próximas de zero. Os produtores tentaram mostrar-nos que o seu lugar é essencial a coordenar e a dar apoio à equipa, mas foi forçado demais ninguém saber como lidar com um meta-humano novato e terem que recorrer ao Thinking Cap de Wells.

A nova criação de Wells, baseando-se na origem dos poderes de The Thinker, foi um dos melhores enredos da semana e foi bastante interessante ver a fricção e o desentendimento que se criou entre Wells e Cisco. Se ele usasse a matéria negra como fonte de energia para o aparelho de certeza que teríamos a criação de um novo vilão, mas a alternativa pode vir a revelar-se uma peça chave na luta contra DeVoe. Acham que Wells aguenta o impulso de inteligência? Ou irá-lhe acontecer o mesmo que a Clifford DeVoe?

Quanto a Ralph Dibny, já percebemos que um episódio dedicado a ele não é boa ideia e aprendemos também que o Ralph deprimido/medroso é das coisas mais chatas que existe. Os seus pontos altos são quando aparece em pequenas doses e em formato principalmente de comédia e ocasionalmente de drama. Com a temporada a mais de meio, o que se pode concluir é que Ralph não é uma personagem interessante o suficiente para que queiramos que continue para a próxima temporada com aparição regular.

Por fim, o drama criado em volta de Iris devolver ou não os poderes a Barry foi a maior falsidade já vista. Mas por que razão haveria ela de alguma vez ficar com o acesso à Speed Force? Está tudo louco?! É percetível que a ideia era mostrar a empatia de Barry e que ele não é um louco sedento por poder, mas a exposição dessa ideia saiu bastante ao lado.

The Flash entra agora num mês de pausa e no próximo episódio, “Null and Annoyed”, entramos na reta final da temporada. A faltar-nos conhecer os dois últimos meta-humanos criados na exposição de matéria negra no autocarro, é já no próximo episódio que conhecemos o penúltimo. O que estão a achar da temporada até agora?

Até lá, boas corridas!

Emanuel Candeias