Classificação

9
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

Contém spoilers!

Depois de ter lido Gone Girl, Gillian Flynn tornou-se uma escritora a seguir. Com Sharp Objects, ela passou a estar na lista dos meus autores preferidos, embora Dark Places me tenha desiludido, pois achei que não estava à altura dos outros dois. Gone Girl é brilhante, provavelmente o meu preferido dos três, mas há qualquer coisa de especial em Sharp Objects que me deixou agarrada literalmente desde a primeira frase da obra. Isso deveu-se em grande parte a Camille, de quem gostei imediatamente e me fez sentir empatia.

Claro está, recebi com entusiasmo a notícia de que um dos meus livros de eleição iria ser adaptado à televisão, ainda mais quando a HBO se chegou à frente como emissora e, embora eu estivesse a fazer figas para que Jessica Chastain fosse a protagonista, a verdade é que Amy Adams é uma intérprete fantástica e não fiquei nada desiludida com a escolha.

Passemos então ao episódio propriamente dito e vou esquecer as informações que tenho dos personagens e do enredo no livro – até porque poderá haver um afastamento do material de origem – e focar-me na série. No centro da trama está Camille Preaker, uma jornalista que se vê obrigada a voltar à sua terra natal, Wind Gap, precisamente para escrever um artigo a propósito do desaparecimento de duas meninas (sendo que uma delas já é sabido que está morta). Com relutância, ela acede ao pedido do seu editor e dirige-se ao local que a viu crescer. Quando conhecemos a família de Camille percebe-se, desde logo, que havia bons motivos para ela não querer voltar. A mãe é… ainda não sabemos muito dela, mas digamos que Adora não é mãe que eu gostasse de ter. Parece controladora e manipuladora. Amma… parece-me diferente da mãe, mas também não gostei muito dela. Camille parece sentir-se desconfortável junto das duas e é precisamente desconforto aquilo que elas me transmitem.

Eu que gosto tanto de cidades pequenas como cenário, rapidamente tive de resfriar o meu entusiasmo, porque Camille faz-nos perceber que aquele não é um sítio agradável. Há algo do passado da família que ainda não percebemos bem, mas que está certamente relacionado com Marian, a irmã de Camille que morreu e que, aos olhos da mãe, era perfeita. Assim sendo, Camille e Amma têm a noção do seu lugar secundário como filhas. Acho que a série vai viver muito da dinâmica entre estas três personagens e sinceramente quero ver mais disso.

Em termos do trabalho de investigação de Camille, não há muito que ela tenha já descoberto, mas agora há a confirmação da morte da menina desaparecida e, portanto, é justo dizer que anda um assassino à solta em Wind Gap. Aqueles que têm filhas preocupam-se em protegê-las, instalou-se um clima de medo, como seria de esperar, porque ninguém consegue prever se voltará a acontecer e ninguém quer que nova tragédia atinja a sua casa.

A trama deste episódio não avança muito. Serve mais para nos mostrar o contexto da história que vai ser introduzida e para nos dar a conhecer os personagens e as relações existentes entre eles. Fica a curiosidade de perceber quem é o responsável pela morte daquelas crianças e de descobrir o que aconteceu com Marian. É algo que continua a marcar Camille, que não para de ter recordações sobre o passado e é assolada de pesadelos. Sinceramente, não fiquei fã dos flashbacks. Acho que deveriam ser deixados para uma altura em que soubéssemos mais sobre o que se está a passar.

O ponto forte de Vanish é mesmo o seu elenco. Amy Adams é tudo o que podia esperar e acho que conseguiu ser muito fiel à Camille, que eu adoro, do livro; Patricia Clarkson também foi extraordinária no papel da perturbadora Adora. Tudo nela é estranho. O próprio ambiente daquela casa dar-me-ia vontade de me instalar antes num motel. É quase como se a casa fosse também uma personagem e tudo aquilo que transmite é desagradável, o último sítio onde seríamos capazes de passar uma boa noite. Elizabeth Perkins fez-me querer ver mais, muito mais, da sua Jackie. Os outros personagens ainda não mostraram o suficiente para decidir se gosto ou não deles.

Não acho que tenha sido uma estreia de arromba, nem perto disso, mas vejo bastante potencial em Sharp Objects. Confesso que uma das coisas do livro que ansiava em saber como seria adaptada era precisamente o corpo mutilado de Camille. Já tivemos um vislumbre, mas algo tão marcante será certamente relevante para percebermos quem é esta personagem. Gostei o suficiente do que vi para estar muito curiosa com os próximos episódios. Para aqueles que esperavam um thriller, acho que vão ficar desiludidos. A série tem um andamento um pouco lento, muito mais enquadrado no género dramático, mas também estamos apenas a começar. Antes de terminar, não posso deixar de dizer uma coisa: Camille, das duas uma: para de beber ou então para de conduzir!

Diana Sampaio