Não há uma forma certa de ver séries. Há quem goste de ver um episódio por semana, quem prefira maratonas; quem goste de ver sozinho e quem goste de ver acompanhado; quem goste de ver uma série apenas uma vez e quem goste de rever. Já em tempos escrevi sobre o quanto pode ser boa ideia rever uma série ou não, mas desta vez quero focar-me no quanto podemos encarar uma série de forma diferente quando a revemos passados muitos anos.

Há várias séries que vi numa altura da minha vida e com as quais me deparei vários anos mais tarde, mas muitas dessas remontam à minha infância, como The Pretender, e é pouco ou nada aquilo que recordo da primeira vez, por isso nem é possível estabelecer um termo de comparação e, para ser sincera, esta crónica foi escrita a pensar numa série específica.

Provavelmente para muitos de vocês que nasceram no início dos anos 90, as primeiras séries surgiram através da RTP2. Pelo menos comigo foi assim! A maioria não me marcaram nem me ajudaram a estabelecer como seriólica; estou certa que nem me conseguiria lembrar do nome da maioria, mas há uma inesquecível, Friends! Os meus colegas do secundário viam, eu também e, inclusive, tinha algumas temporadas em DVD que circularam por alguns dos meus amigos. Friends foi a comédia que marcou a nossa geração, aquela que para muitos de nós é A comédia. É certamente a comédia mais marcante para mim, mas vivi a série de um modo bem diferente naquela altura do que agora. Bem, eu adorava Friends; ainda adoro, a série proporcionou-me muito boas memórias. Mas vê-la aos 16 ou aos 20 e tal anos em nada se compara! Confesso que agora não consigo achar tudo tão engraçado como dantes, mas essa nem sequer é a principal diferença. No passado, os meus personagens preferidos eram Phoebe e Rachel, dependendo da fase. Também gostava imenso de Ross e ele e Rachel foram o primeiro casal que shippei à séria, muito antes de conhecer o termo.

Agora não tenho paciência para Ross, acho Phoebe um pouco exagerada e Rachel um bocado fútil para os meus padrões de personagens. Acho que Ross e Rachel são mais um daqueles casais típicos das séries que se amam e tiveram inúmeras oportunidades para estar juntos, mas que acabam separados durante grande parte do tempo para, no fim, se voltarem a reunir. Confesso que a minha paciência para esse tipo de relações é escassa. Ao invés, Chandler, com o seu sarcasmo, tornou-se o meu preferido, logo seguido de Monica, com a sua obsessão pelas limpezas e a ordem. Passei a shippá-los a eles, um casal muito mais estável que Ross e Rachel. Identifico-me com o prazer que Joey retira da comida, mas sobretudo desfruto dos convidados especiais que ajudaram a fazer de Friends aquilo que é. Se há mais de dez anos atrás muitos deles eram desconhecidos para mim, agora reconheço-os de séries e/ou filmes que adoro.

Bem, agora tenho uma idade aproximada da que o elenco e os personagens tinham quando a série começou, mas a vida deles na Big Apple continua a parecer a anos luz da minha. Depois de Friends já vi muitas comédias e talvez por isso ela não pareça ter a mesma magia de antes, mas é muito engraçado ver uma série que nos é querida muitos anos depois e perceber o quanto encaramos tanta coisa com uma perspetiva renovada. Dez anos mudam uma pessoa e mudam a forma de se ver uma série. No entanto, Friends é daquelas que vou querer rever, nem que seja apenas alguns episódios, daqui a mais alguns anos. Não sinto essa vontade em relação à maioria das séries, o que só prova que Friends vai ser sempre especial. Era-o há mais de dez anos e continua a sê-lo. Isso nunca mudará.

Também vos aconteceu o mesmo? Rever uma série muito tempo depois e ver que os vossos personagens preferidos tinham deixado de o ser e que outros tinham ocupado esse lugar? Partilhem!

Diana Sampaio