Classificação

7.8
Interpretação
6.5
Argumento
8.2
Realização
8
Banda Sonora

Bem vindos a um milagre da Medicina ou, como eu lhe prefiro chamar, uma impossibilidade da ciência e um episódio que do ponto de vista da coerência científica deixa mesmo muito a desejar. Apesar disso, e tirando desenvolvimentos tão mas tão forçados, o episódio desta semana ainda conseguiu dar-nos umas miragens de suspense e emoção que esperemos que sejam um bom indício para um bom desfecho, que está já bem perto.

Michael Scofield tinha sido ferido, estava a esvair-se em sangue, quase inconsciente e voltar a Saná parecia ser a sua melhor – ou até única – hipótese no final do episódio passado. Estava com poucas horas de vida se nada fosse feito. Mas em vez do regresso ao centro do Iémen, embarcou rumo à Grécia, numa viagem de cerca de 3000 km, com Whip e Lincoln, tendo Ja ficado para trás, já que estava a apreciar a sua liberdade e tinha gostado do ambiente em Phaecia. Pena! Estava a gostar deste Ja, até acho que ficávamos melhor servidos se deixassem o Whip, mas ainda há bastante para perceber sobre a sua relação com Michael e o cruzamento do destino dos dois.

E qual a salvação de Scofield? A super-médica Sara, que do nada apanha um vôo de avião de Nova Iorque para Creta, na Grécia, e sem fazer exames, sem qualquer medicação, sem qualquer intervenção cirúrgica, com uma transfusão improvisada num hotel, deixa Michael como se nada tivesse acontecido. Vamos fingir que não aconteceu mesmo, ok?

E o reencontro não pedia um pouco mais de emoção? Bem sei que a situação era de urgência médica, mas a julgar pela recuperação velocíssima havia tempo e espaço para mais emoção. O primeiro pedido de Michael foi o de ver uma foto do filho e um scroll “maroto” foi logo parar a uma foto de Sara com Jacob. E não é que se confirma a identidade de Poseidon? Depois da série de nos ter lançado à cara a sua identidade e de terem tentado tornar a envolver a mesma em mistério, a confirmação torna-se apenas previsível e até algo desinteressante. Scofield revela que, para além da chantagem de que tem sido alvo por parte de Poseidon, houve uma altura em que o próprio levou o seu controle sobre Michael avante, incriminando-o de um homicídio, traindo a sua relação, que já de si era no mínimo “estranha”. Mas foi isso que despertou o velho Michael e o fez começar a magicar um plano para dar a volta à situação. E nesta conversa com Sara, Michael revela que há um plano para resolver tudo e deixá-los em segurança. E é esse plano que me deixa esperançoso em relação ao par de episódios que faltam para culminar este mini-evento de Prison Break.

E eis que o cameo de Fernando Sucre evolui um pouco mais. Mas continua forçado que dói, tentando até introduzir um tom mais leve e cómico, mas sem grande sucesso, pelo menos na minha opinião. Ajuda-os a entrarem num barco, no qual é tripulante, mas não tendo ele muita influência sobre o líder do barco, a viagem fica cara para os fugitivos que felizmente têm um anel muito valioso do qual Sara abdicou para dar uma oportunidade ao amor de outros tempos.

Nesse barco, mais um pouco de emoção para animar um episódio morninho. O exército americano invade o barco em busca de Kaniel Outis e o génio de Michael tem de vir ao de cima para arquitectar uma “fuga” deste barco que não é mais que uma prisão para eles no momento. E quando uma viragem de rota conseguida por Sucre parecia levá-los para águas argelinas e eliminar a ameaça que os perseguia, o inimigo agiu e lançou um míssil que torna a deixar o grupo de Scofield na luta pela sobrevivência, com todas as probabilidades contra eles. Será que vem aí mais um milagre?

Já em Nova Iorque, Sara está de regresso e determinada a proteger o seu filho Mike, mas ele estão nas mãos de Jacob, que comanda as regras do jogo. Mas algo me diz que o furacão Scofield está prestes a invadir o tabuleiro e entrar nesse jogo, juntamente com Lincoln, Whip, Sucre e, quem sabe, T-Bag, que tem andado desaparecido nestes últimos episódios.

Há séries que funcionam lindamente com eventos de 10 episódios, como são exemplos Game of Thrones ou Spartacus, mas nessas a acção não para, está sempre tudo em rebuliço, com constantes desenvolvimentos. Agora uma série que depende do detalhe, de planos meticulosos, precisa de mais episódios para conseguir ser fluida e coerente. Caso contrário gera um ritmo surreal, forçado, pouco lógico e inconsistente. É o que tem acontecido a esta sequela que apenas a espaços nos vai brindando com o ADN de Prison Break, que queremos mesmo ver.

De qualquer modo, o potencial imenso de uma série de culto como esta e não obstante a fraca qualidade dos últimos dois episódios, estou ansioso e esperançoso que possa vir aí uma reta final surpreendente. Esperar para ver…

André Borrego