Quando foi anunciado um episódio musical de Once Upon a Time eu pensei que a ABC estava louca e que devia ter uma fixação por musicais, recordando-me de Song Beneath the Song, que Grey’s Anatomy nos trouxe, e da série Galavant. A minha primeira reação foi de reservas; já as tinha demonstrado com Grey’s Anatomy também. O musical do drama médico causou-me estranheza da primeira vez, embora tenha acabado por apreciá-lo bastante das vezes seguintes em que o vi, continuando, contudo, a achar que não encaixa particularmente naquele tipo de série. O facto de ter resultado bem deve-se mais aos dotes vocais de alguns dos atores do que a qualquer outra coisa.

No entanto, o caso resultou de forma completamente diferente em OUaT. Apesar de receosa, eu estava expectante e não podia ter previsto que resultasse de forma tão positiva. Foi uma decisão inteligente que os momentos musicais se tivessem passado na Floresta Encantada e noutras partes do mundo dos contos de fadas, nomeadamente em Oz, e não no ‘nosso’ mundo. Porque nos contos de fadas há lugar para todo o tipo de magia, mesmo que a magia assuma a forma de uma canção. Os Charming cantam sobre esperança, sobre amor, enquanto a Rainha Má prega que o amor não tem hipótese.

Josh Dallas não é um cantor brilhante, longe disso. Será de todos no elenco o que se saiu menos bem, mas o mais importante era a história a contar e as capacidades vocais dos intervenientes ficam em segundo plano. Foi mais um momento da vida dos personagens que foi apagado das suas memórias – mais uma tradição de Once Upon a Time – e que só Emma conseguiu ‘recordar’, de alguma forma. Ginnifer Goodwin e Jennifer Morrison também não estiveram mal, mas Colin O’Donoghue e Rebecca Mader, em especial esta última, foram quem mais brilhou, sem dúvida. Mader foi espectacular e ajudou a cimentar Zelena como uma das minhas personagens favoritas. Já Lana Parrilla deu uso ao lado badass e sexy da Rainha Má num estilo virado para o rockeiro que combina com o alter-ego maléfico de Regina e com o seu visual.

No entanto, nem tudo foi cantoria e ainda bem, foi tudo feito com moderação, que normalmente é a chave do sucesso. O verdadeiro evento deste episódio é o casamento entre Emma e Hook. No entanto, sobre este casamento paira uma ameaça chamada Black Fairy, que está decidida a destruir a nossa savior na Batalha Final. No entanto, quando o espírito de OUaT se centra na força do amor, da esperança e do bem, esta fada não tem tarefa fácil e falha redondamente ao tentar que Emma trave a derradeira batalha sozinha. O casamento concretizou-me e um novo obstáculo espera os nossos heróis, mas ao menos irão enfrentar esta provação juntos. Resta saber onde.

Resta também saber se a série será renovada ou não. Jennifer Morrison anunciou a sua saída do elenco e é um pouco difícil imaginar a série sem Emma. No entanto, Lana Parrilla e Robert Carlyle estão perto de chegar a um acordo que assegura a sua permanência, mas ficamos na incerteza até a ABC anunciar a sua decisão, coisa que deverá acontecer lá para o final deste mês. Foi prometida closure para este final de temporada, que talvez acabe por ser o final da série. OUaT já viveu melhores dias, embora também já tenha tido piores, mas com um final digno prometido, sinto-me preparada para dizer adeus. Se se prolongar, podem contar comigo para a nova temporada. Até lá, podem crer que vou recordar este episódio musical com um sorriso.

Diana Sampaio