[Contém spoilers]

Foi com muita ansiedade que aguardei por esta 6.ª temporada de Orange Is the New Black, depois do extraordinário final que tivemos no ano passado. As expectativas eram extremamente elevadas, mas o facto de esta se ter tornado a minha série preferida não impede que tenha ficado desiludida. Bastante, até. Mais uma vez, OITNB tinha potencial para contar histórias muito relevantes e marcar a diferença, mas acho que só conseguiu roçar a superfície daquilo que pensei que seria uma temporada transformadora e de mudança, que continuasse a honrar o espírito da season finale anterior.

Quando era suposto que os guardas e o próprio sistema prisional e de justiça fossem os vilões da trama, a verdade é que as reclusas – não todas, mas muitas delas – preferiram encarar-se umas às outras como inimigas só porque tinham sido atribuídas a diferentes blocos prisionais. Se dantes costumavam juntar-se pela cor da pele ou por uma etnia em comum, passou a ser a roupa dos uniformes a definir alianças. No entanto, os guardas continuavam a fazer o que sempre fizeram: aproveitar-se da sua posição de poder, contrabandear para dentro da prisão e a tratar as reclusas como se a vida fosse a porcaria de um jogo em que se ganha pontos. E elas, demasiado cegas, esqueceram-se que ali dentro só podem contar verdadeiramente umas com as outras, preferindo alinhar numa guerra com mais anos do que os que Nicky ou Daya têm, por exemplo.

Confesso que, para mim, um dos grandes problemas desta temporada se prende com as novas personagens. Nem me façam falar de Badison: pior personagem de sempre! Também não gostei nada de Carol e de Barb, as duas criaturas horríveis que mataram a irmã pequena e que são responsáveis pela formação dos gangues que dividem a prisão de segurança máxima. Contudo, se, por um lado, as reclusas perpetuam um clima de ódio sob o domínio de cada uma daquelas irmãs, a verdade é que há que colocar uma questão: como não? Que opção é que elas teriam para se integrarem, para terem proteção, simplesmente para sobreviver? É um sistema viciado e que empurra estas mulheres para os gangues. Agora Carol e Barb estão mortas, mas o mundo, e Litchfield também, vai ser um local melhor por isso.

Espero que agora seja possível haver alguma paz naquela prisão. Pensar que esta possibilidade surgiu de um jogo de kickball… Foi um óptimo presente de despedida de Piper! Nem me acredito que ela saiu da prisão, logo agora que estava a conseguir ficar um pouco à margem de confusões. A saída é uma coisa boa, sem dúvida, mas foi triste vê-la separar-se de Alex. É claro que isso iria acontecer sempre, porque Alex enfrenta uma pena bastante superior, mas era suposto terem tido mais alguns meses juntas para digerir a separação. Acho que lhes faltou também tempo de ecrã e o casamento ao qual queria que tivessem direito não era bem este. Não tinha em mente um casamento na prisão, mas por agora vai ter que servir.

Uma coisa que achei estranha foi as dez ‘resistentes’ que ficaram na prisão não se terem tramado à grande. Não que me esteja a queixar, até porque as minhas preferidas estavam todas lá, mas foi esquisito. Pensei que elas e Daya não teriam escapatória e que todas veriam as suas penas serem exponencialmente aumentadas. No entanto, umas tiveram sorte, outras não. Será sorte? Ou mais uma prova de que o sistema é corrupto?

Uma das histórias mais interessantes desta temporada voltou a ser à volta de Taystee. Ela torna a ser uma das personagens mais relevantes da história, alguém que continua a querer fazer a diferença. Como é óbvio, isso virou-se contra ela. Como é que um júri foi capaz de a considerar culpada de homicídio? A acusação não conseguiu provar, de forma alguma, o envolvimento dela na morte de Piscatella. Certo, ela tinha-o ameaçado, pegou na arma do crime, mas ficou provado que ela o fez? Não, não ficou. Black Lives Matter, mas não importam para todos. Acho que Red teria sido uma candidata mais certeira para bode expiatório. Quem odiava Piscatella mais do que ela? Ninguém, mas suponho que Taystee se tenha tornado um ‘incómodo’ maior e que não a pudessem deixar escapar facilmente. Nós sabemos que não foi ela, muitos outros sabem que ela não teve nada a ver com aquilo, mas continua a não haver justiça. Nesse sentido, é um retrato muito fiel do que acontece na vida real.

Eu consigo perceber as que permitiram que as amigas se ‘afundassem’ para salvarem a própria pele; ninguém quer passar 70 anos numa espelunca daquelas quando não fez nada para o merecer e sabe que outra pessoa tem alguma responsabilidade no cartório. Não consigo perceber é quem faz uma coisa dessas de ânimo leve, como uma traidora que não parou dois segundos a pensar nas consequências. Houve de tudo nesta temporada, algumas personagens que desiludiram e outras que provaram o seu valor. Sobre Taystee não há mais nada a dizer, a rapariga tem um coração enorme e não merece as ‘patadas’ que a vida lhe deu e muito menos merece apodrecer na prisão. Caputo conseguiu redimir-se e provar ser o bom homem que pensei que era, embora durante uns tempos eu tenha chegado a duvidar disso. Nicky conseguiu ser uma voz de razoabilidade dentro de uma prisão cheia de pessoas doidas. Sempre gostei do pragmatismo dela e da forma como encara as coisas de uma forma realista. Mesmo pedrada, em temporadas anteriores, ela conseguia ver aquilo que muitos não eram capazes de ver. Manteve-se sóbria e longe de problemas, mas, mais importante do que tudo, manteve a sua humanidade, sem se deixar seduzir pelas suas novas cores e família prisional.

Esta temporada está longe de me ter marcado da mesma forma que a anterior. No entanto, Orange já conquistou um lugar especial no meu coração e não é uma temporada menos boa que vai mudar isso. Espero que na próxima temporada as coisas acalmem um pouco entre as reclusas e que possamos ver um pouco sobre a vida daquelas que foram enviadas para prisões mais distantes, como Maritza ou Janae. Sobretudo, espero que personagens insuportáveis como Badison tenham muito menos tempo de antena. Ou desapareçam de todo!

Estou curiosa por ver a vida de Piper fora da prisão, com a sua família meia doida. Esta saída de Chapman faz-me pensar se a série estará a aproximar-se do fim. Foi com ela que entrámos em Litchfield, será que teremos muito mais temporadas depois de ela deixar a prisão? Acho que será interessante vê-la adaptar-se novamente à vida em liberdade e perceber como é que irá fazer as coisas com Alex resultar agora que não estão fisicamente juntas. Haverá drama à espreita? Espero que não, quero vê-las a ter um casamento a sério, por muito impagável que tenha sido Nicky a celebrar a cerimónia.

Esta temporada teve alguns momentos engraçados, principalmente à conta de Nicky e do casal Caputo/Fig, e é neste lado cómico que sempre se saiu bem, mas para mim Orange tornou-se uma série fantástica graças ao seu drama e o desta temporada não esteve no ponto. Que a próxima temporada seja melhor do que esta é o meu desejo!

Diana Sampaio