Depois de mais de um ano de espera, 13 Reasons Why está de volta. Durante estes últimos 14 meses os fãs dividiram-se, sendo que a maioria era contra o regresso de Hannha Baker. A 1.ª temporada tinha contado uma história e, por muito que estivessem curiosos por saber como andava o pessoal do Liberty High School, era consenso geral que esta estava terminada.

Eu fazia parte dessa maioria e, nas horas que se seguiram à estreia da nova temporada, as redes sociais inundaram-se de críticas e quase que decidi não ver os novos episódios. Mas a imagem de Hannah e Clay em destaque na página de abertura da Netflix não me deixaram resistir e, antes que os spoilers dessem o ar da sua graça, decidi arriscar.

E só tenho uma coisa a dizer: thank God!

Ao contrário da maioria das pessoas, eu adorei absolutamente esta nova temporada. Teve os seus defeitos, mas não deixou de ser deliciosamente viciante.

Enquanto ouvíamos as cassetes de Hannah tornámo-la numa mártir, numa vítima, numa pobre alma demasiado gentil para as maldades do mundo. Oh, não façam essa cara! Contra mim falo. Hannah Baker era (e é) das minhas personagens favoritas. Quando comecei a ver os novos episódios e a atitude que estavam a ter contra ela senti revolta e nojo. O objetivo da Hannah era ser um símbolo da luta contra a depressão e o suicídio e estavam a torná-la numa vilã.

Contudo, à medida que a temporada ia avançando, dei por mim a compreender o objetivo desta nova história que nos estavam a contar.

Eles não queriam tornar Hannah numa vilã. Esse foi o papel da Sonya Struhl, a advogada de defesa da escola: tornar Hannah na má da fita para provar a inocência (inexistente) de Liberty High.

A 2.ª temporada foi tudo sobre o outro lado da história. Como a própria Hannha disse, ela contou a história como ela queria contar, como achou que devia ser partilhada pelo mundo. Mas a verdade é que estas histórias não tinham só a Hannah como protagonista.

Muitas delas não serviram de forma alguma para mudar a minha opinião sobre ela. Aliás, nenhuma delas serviu. Esta temporada só tornou Hannah Baker mais humana. Ela era uma adolescente e, como todos os adolescentes, cometeu erros enquanto se tentava encontrar a si própria.

Até mesmo a relação entre ela e Zach, por muito absurda que parecesse no início, era perfeitamente compreensiva. Eles eram dois jovens que encontraram conforto um no outro durante um verão solitário. Curiosos sobre a própria sexualidade e confortáveis um com o outro, perderam a virgindade. Poderá isto ser assim tão irrealista?

Mais irrealista foi a relação entre Clay e Skye. Não porque não era suposto o Clay seguir em frente, mas porque não existia qualquer tipo de química entre as duas personagens. Infelizmente, por mais que tentem dar um final feliz à vida amorosa de Clay, a química entre Dylan Minette e Katherine Langford vai ofuscar qualquer atriz que venha a seguir.

Mas ignorando o mundo real e focando-nos na série em si: Skye e Clay estavam marcados pela tragédia. Eu percebi a ideia de ele se aproximar da amiga, de a querer salvar, uma espécie de do over. Era poético e bonito, mas o que todos temos dificuldade em ver e admitir é que Clay está tão destruído como Skye e Hannah. Ele não pode ser o herói quando ele próprio precisa de ser salvo.

O que toda a gente, toda a gente, precisa de compreender é que, quem quer que exista no futuro de Clay, vai ter sempre de viver com o fantasma de Hannah Baker. O grande problema de Skye é que, em vez de compreender e aceitar, fez com que Clay tentasse sufocar esse sentimento porque não conseguia ter de o partilhar. Eu sei o que estão a pensar, quem é que irá querer dividir o namorado com uma miúda morta? Não se trata de dividir, trata-se de respeitar e dar espaço. E não gritar, fugir e fazer o mesmo que a miúda morta que vive no coração do nosso namorado fez. Mas quem sou eu para falar, certo?

13 Reasons Why está repleto de histórias de amor trágicas. Clay e Hannah. Justin e Jessica. Alex e Jessica. Qualquer coisa e Jessica? Estou a brincar. Na verdade, uma das coisas que mais me revoltou esta temporada foi este triângulo amoroso sem sentido.

Alex Standall é um excelente rapaz, mas Justin e Jessica são end game. Eu sei, eu sei, sou muito shipper e tal! Ele errou e muito. Pronto, ele fez uma asneirada de proporções épicas, mas sinto que o Justin já teve o seu grande castigo. Por muito terrível que tenha sido, esta temporada conhecemos o outro lado da história. Esperem… Na outra temporada também conhecemos o outro lado da história. Aliás, penso que as atitudes de Justin são provavelmente as mais bem explicadas de todos. Quando vejo tudo de mal a acontecer-lhe penso naquela cena em que o Clay grita na cara da Hannah fantasma. Só que neste caso sou a gritar na cara dos produtores. Cansada do sofrimento das minhas personagens favoritas. Mas 13 Reasons Why não seria o mesmo sem esse sofrimento, certo? Até quando eu pensei que estava tudo bem, que pelo menos Clay e Justin iriam encontrar conforto na amizade que surgiu entre eles e no facto de se terem tornado irmãos (?), sou desiludida novamente. Drogas, Justin? A sério? Não podia ser uma coisa mais simples?

Mas não tive tempo de me chatear o suficiente, pois logo de seguida sou obrigada a revoltar-me com o fim da temporada.

Quer dizer, eu sou das poucas pessoas neste mundo que gostou desta temporada. Eu até a elogiei! E no fim tiram-me aquilo que eu mais queria!

A quebra psicológica de Tyler e o tiroteio na escola eram o tema perfeito para dar seguimento a uma série que tem vindo a abordar temas sérios e atuais de forma inovadora, honesta e chocante. Durante aquela cena final, com Clay a segurar a arma em frente à escola ladeado de Justin e Jessica, tive um flash do futuro e foi horrível. E se 13RW se transforma em Riverdale? Ou em Pretty Little Liars? Felizmente não sou vidente, mas sou otimista.

Bem, se chegaram até aqui, espero que não me internem. Honestamente, a 2.ª temporada de 13RW foi, para mim (e nunca nos esquecendo que isto é um espaço seguro para partilharmos os nossos pensamentos), uma verdadeira surpresa. Pelo lado positivo.

Eu sei que muitos de vocês não concordam, mas eu espero que venha uma 3.ª temporada, porque ainda não estou pronta para me despedir de Liberty High.

Beatriz Pinto