Atenção… se ainda não viste a série, avisamos desde já que este artigo poderá ter spoilers!

O fim de 12 Monkeys chegou e muito ficou por dizer sobre a série… por isso, caros leitores, precisamos de falar sobre o que se passou. O melhor será começar pelas suas origens. A ideia de 12 Monkeys partiu da premissa do filme homónimo de 1995. A ideia continua a mesma, mas tudo mudou e para melhor! O Syfy fez um reboot que resultou e mostrou uma versão alternativa de James Cole, o primeiro viajante do tempo, que tenta travar a disseminação de uma praga que vai aniquilar mais de 90% da população mundial.

Precisamos de falar sobre o enredo… e que enredo! Como não achei grande piada ao filme, confesso que apenas espreitei o piloto para fins meramente profissionais: fazer uma review para o Séries da Tv. O que é certo é que aquele piloto cativou-me de tal maneira que 12 Monkeys passou a ser aquela série em que eu nunca poderia ter episódios atrasados. Mal saía um, a ansiedade por ver o desenlace dos problemas levantados pelo episódio anterior consumia-me. Julgo que esta ansiedade, saudável, é normal em algumas séries, sobretudo nas primeiras temporadas, mas comigo manteve-se até aos créditos finais do season finale (mas a esses já lá vamos) e sofri semanalmente enquanto esperava pela minha dose de 12 Monkeys. Bem, parando com divagações.. O guião foi excelente do princípio ao fim; mesmo os momentos mais parados foram reveladores e podemos mesmo afirmar que não tivemos episódios fillers como em determinadas séries intermináveis (não é, Supernatural?). E com um enredo tão complexo, fiquei completamente vidrado no ecrã desde os segundos iniciais até aos créditos finais. Graças à invenção da Dr.ª Katarina Jones (Barbara Sukowa), James Cole (Aaron Stanford) inicia incursões ao passado para travar a libertação do Kalavirus pelo exército 12 Monkeys, liderado pelo The Witness, que pretende criar/formular a floresta vermelha onde a noção do tempo descartará o passado e o futuro, já que tudo existirá no presente. Depressa o grupo de viajantes aumenta e a interação passado-presente começa a criar momentos e resultados que nos deixam de queixo caído até nos começar a doer o maxilar.

Precisamos de falar sobre o elenco… com a morte de mais de 90% da população mundial, o normal foi começar com um elenco pequeno. Contudo, a equipa de Cole cresce com elementos do presente e do passado. Cassandra (Amanda Schull) já sabíamos, desde o piloto, que seria um elemento essencial. O que evoluiu a indefesa médica do CDC! Mas, na minha opinião, as grandes surpresas foram o mauzão Deacon (Todd Stashwick) e a doida da Jennifer (Emily Hampshire). À partida, Deacon seria aquele que morreria após cinco ou seis aparições, mas Jennifer passou de doida a Primordial, ou seja, mas não uma primordial qualquer… ela vai ser a chave do início e do desenlace da investigação de Cole. É verdade que Cassandra e Cole são a alma da série, mas a mesma nunca teria o brilho que conquistou sem a ousadia de Jones, a sabedoria de Jennifer, a lealdade de Ramse (Kirk Acevedo) e o espírito aventureiro de Deacon. A própria Jones proferiu algo do género num dos episódios finais: “começamos isto como um grupo, mas vamos terminá-lo como uma família”. E é este o sentimento que este elenco nos transmitiu, que a força e a complexidade deste enredo levaram a uma união entre os elementos do elenco principal… ou são verdadeiramente excelentes atores.

Precisamos de falar sobre aquele desenlace. Não o vou descrever, mas foi tão perfeito e bem planeado! Os dois últimos episódios funcionaram como um grande series finale de cerca de uma hora e meia, mas a sua preparação começou desde o primeiro episódio da temporada. E, como sempre, aquilo que se esperava nunca aconteceu… pelo menos da minha parte. Tenho de concordar que Olivia (Alisen Down) foi uma grande vilã, senão uma das melhores vilãs da tv da década. Ela podia não ter os poderes de Primordial, mas provou que se a vida lhe dá limões, ela não se limitará a fazer uma limonada, mas sim construirá uma cidade mortífera que se teletransporta pelo tempo e espaço para destruir a linha temporal e criar a floresta vermelha. Mal sabia ela que seria a origem do Kalavirus… mais uma daquelas cenas que me revolveu os neurónios e me fez aplaudir, pela enésima vez, esta fabulosa série! Agora sobre o desenlace do elenco principal, o que doeu cá dentro! A solução para terminar com os círculos intermináveis foi subtilmente introduzida pelo génio de Jennifer no nono episódio. E esta solução leva-nos a uma reflexão antropológica e sociológica das grandes. Aposto que a minha ex-professora de antropologia, caso conheça a série, a vai começar a utilizar nos seus incríveis e peculiares exemplos relativos à nossa existência e à consequência dos nossos atos e vivências para as gerações futuras. Apesar de lutar para evitar as tão comentadas causalidades, Cole e o seu grupo apenas está a alimentar este círculo vicioso e interminável. Aquela hora e meia final foi imprópria para cardíacos, já que adivinhávamos que a existência de alguém teria de ser integralmente apagada do tempo e do espaço para neutralizar a ação de The Witness.

Resta-me apenas congratutar o Syfy pela fantástica e indescritível série. Com 12 Monkeys conseguiu provar que é capaz de construir uma série complexa que não se baseia num enredo por episódio, mas que consegue construir uma teia de eventos num enredo espetacular e imprevisível. 12 Monkeys foi uma lição completa de ficção-científica, química, física, biologia, virologia e história… bem, exceto daquela vez em que os nossos heróis mataram Hitler antes do tempo. Foi com grande nostalgia que escrevi este texto. 12 Monkeys mostrou-me que é possível criar algo novo quando se insiste em investir sempre em “mais do mesmo”. Esta é e será uma das minhas séries… a série que recomendarei a todos os que solicitarem a minha opinião… e aquela que obrigarei os meus filhos e netos a assistirem (assim que eles existam e tenham idade suficiente para a entenderem).

Até sempre, 12 Monkeys! E lembrem-se… a mais pequena ação que fizermos hoje poderá ter grandes consequências (positivas ou negativas) amanhã!

Rui André Pereira