Momentos de nos deixar de boca aberta, as séries estão repletos deles! Susto, surpresa, estupidez, indignação são algumas formas de nos deixar a pensar “mas que raio é isto”? Bem, às vezes não se percebe onde é que os argumentistas vão buscar certas ideias infelizes de enredos; outras até são bastante boas, mas não menos estranhas ou surpreendentes. Estes são precisamente alguns dos momentos das minhas séries que me deixaram estupefacta pelos mais variados motivos.

[Podem ver os vídeos das cenas que estavam disponíveis através do link na descrição de cada uma. Tenham também atenção aos spoilers!]

ally envenena ivy

Ally envenena Ivy – 07×09 – American Horror Story: Cult: Bem, quando tornas a vida da tua mulher num inferno, criando monstros para a aterrorizar, e ainda lhe tiras o filho, talvez seja de pensar que ela venha a querer vingar-se. Desde o momento em que Ally começou a cozinhar que pensei que Ivy ia ser envenenada. Quando as duas se sentaram e Ally não tocou em nada que estava no prato eu tive a certeza que Ivy iria morrer. Ok, isto é uma série de terror, por isso coisas más acontecem e Ivy estava a pedi-las. A cena foi extraordinária, mas confesso que me deixou um sentimento agridoce. Achei que Ally perdera parte da sua humanidade ao matar Ivy e que poderia ter havido uma forma menos fatal de vingança. Ter-me-ia sentido mais satisfeita se Ally decidisse ir embora com Ozzie para outro lado e que Ivy nunca mais visse o filho, que mais tarde descobriria o que uma das mães tinha feito à outra. Viver sabendo isso teria sido um castigo pesado para Ivy, mas menos definitivo do que a morte.

robert cospe sangue downton

A úlcera de Robert rebenta – 06×05 – Downton Abbey: Basicamente esta é a última série onde esperava ver uma cena que me deixasse aterrorizada. Robert já andava com queixas médicas há algum tempo e, nas séries, normalmente isso é uma pista de que algo mau se está a passar. No entanto, aquela cena gráfica, com Robert a jorrar sangue como resultado do rebentamento da sua úlcera… Não estava nada à espera, fiquei chocada, impressionada. Não sei como é que todos os que estavam naquele jantar não tiveram uma reação muito mais… Não sei, mais extrema. Eu estava deste lado do ecrã e assustei-me mais do que teria assustado com um filme de terror. O inesperado do momento, a sua aparente gravidade… Pensei que aquele seria o fim de Robert e foi tão bonito quando ele disse a Cora que queria que ela soubesse que a tinha amado muito! Acabou por não haver complicações por demais, mas foi um susto e tanto.

arizona e lauren

Arizona e Lauren envolvem-se – 09×23 – Grey’s Anatomy: Bem, os vídeos que promoviam este já distante episódio alertaram-me para o que ia acontecer, mas não acreditei. Pensei que nós, espectadores, estávamos a ser manipulados a acreditar – e que não passaria disso – que Arizona iria trair Callie. Haveria um beijo ou algo assim, mas Arizona interromperia o momento e nada mais se passaria. Eu estava confiante nisso e quase que teria posto as minhas mãos no fogo por Arizona, porque acreditava que a traição não tinha a ver com a pessoa que ela era. Bem, ter-me-ia queimado! No entanto, estes anos todos depois, continuo a achar que foi out of character, mas Arizona também não se sentia ela mesma. Via-se que ela queria ceder e envolver-se com Lauren, mas que algo a impedia. Quando esta lhe disse que podia perder o controlo, Arizona permitiu a ela mesma deixar-se levar. Lauren não significou nada, simplesmente foi alguém que não a amava, mas que lhe deu atenção e que se sentiu atraída por ela e, numa altura em que Arizona ainda estava a lutar para aceitar a perda da perna, isso pareceu ser tudo de que ela precisava. Não acho que tenha pensado em Callie, que se tenha apercebido do que aquilo significava e no que podia estar a deitar a perder, simplesmente penso que se deixou ir.

house entra com o carro na casa da cuddy

House entra com o carro pela casa de Cuddy – 07×23 – House M.D.: Eu considero House um verdadeiro idiota. Em termos intelectuais até pode ser um génio, mas em quaisquer outros aspetos é um idiota. Sempre considerei Cuddy boa demais para ele. Afinal ele não passou muito do tempo em que devia estar a trabalhar a arranjar formas de ignorar as ordens dela ou a humilhá-la com o seu sarcasmo e amargura? Era óbvio que as coisas nunca poderiam resultar a longo prazo e não resultaram, claro. No entanto, House é o tipo de pessoa que leva uma vida miserável, mas que vive melhor se os outros à sua volta também estiverem mal. Ele sofre com a constante dor na perna, por isso os outros não têm o direito de viver as suas vidas com normalidade. Por isso, quando vê Cuddy em casa com visitas, incluindo um tipo, de quem claramente sentiu ciúmes, não tem mais nada e decide entrar com o carro pela casa dela dentro. Eu não sou uma pessoa muito dada à violência, mas acho que me lembro de ter dito, naquele momento, que se estivesse no lugar de Cuddy o matava. Com vontade ficaria certamente.

tina descobre a traicao da bette e fazem sexo

Tina descobre que Bette a traiu e têm sexo – 01×13 – L Word: O que mais acontece em L Word são cenas de deitar as mãos à cabeça, mas nunca fui capaz de esquecer esta. Tina descobriu que Bette a traiu, diz-lhe isso mesmo e depois prega-lhe um estalo. Até aqui parece-me tudo bastante normal. No entanto, depois da estalada, o nível de violência aumenta um bocado. Começa a ser um bocado desconfortável assistir ao quanto as coisas descarrilam enquanto Bette, para evitar que Tina lhe bata, a domina e depois começa a tentar ter sexo com ela. Andam ali numa luta entre ter ou não ter relações e eu só penso que tudo aquilo, em certos momentos, roça a violação e a violência física. Não creio que tenham havido muitas cenas em televisão a incomodar-me mais do que esta. Primeiro é a forte dicotomia entre amor e ódio, a violência em contraste com a paixão… Como é que duas pessoas que se amam são capazes de fazer aquilo uma à outra? Mais do que isso, como é que pessoas que fazem aquilo uma à outra conseguem ficar juntas depois? É amor? Talvez seja, mas, mais do que isso, é loucura.

victoria sacrifica-se por ivy

Victoria sacrifica-se por Ivy – 07×11 – Once Upon a Time: Foram vários os momentos em que Victoria podia ter demonstrado alguma humanidade e amor pela filha e nunca o fez, quer no nosso mundo quer no mundo da magia. Ivy procurava claramente a aprovação da mãe e nunca a teve, foi sempre humilhada com palavras que a recordavam que nunca era boa o suficiente, que seria sempre uma desilusão. Foi por isso que achei ridículo quando Victoria decidiu sacrificar-se por Ivy. Bem sei que em Once há sempre uma tentativa de mostrar que nem os piores vilões são totalmente maus, mas neste caso não fez o menor sentido. Nunca vimos Victoria traçar um caminho para se redimir e a sua história contada em flashbacks não consegue nunca justificar o facto de se ter ressentido da filha, que era apenas uma criança. Anastasia tornou-se tudo para ela, Ivy não era nada. Esta cena não me convence como ato altruísta de uma mãe que, no final, foi capaz de se sacrificar pela filha. Parece-me apenas algo absurdo, que não fez sentido nenhum na narrativa das duas e uma forma demasiado ‘fácil’ de se livrarem de uma péssima personagem que foi custosa de ver durante toda a temporada.

cão come o coração de dan

O coração de Dan é comido por um cão – 06×18 – One Tree Hill: Esta cena é tão caricata que poderia ter saído da mais absurda comédia de sempre. Dan era uma pessoa detestável, certo, e se nunca mostrou ter um coração, porque é que haveriam de lhe dar um novo? Só que poderia ter havido um sem número de formas de sabotar o transplante sem algo que envolvesse um paramédico desastrado a cair com o coração. Seja lá o que for aquilo em que transportam os órgãos, suponho que deveria estar bem selado, não? E porque é que estava um cão no meio de um hospital? Pronto, o coração caiu e o cão estava com fome, por isso atacou logo a refeição. Esta é, provavelmente, a cena mais parva de sempre. Acho que não preciso de dizer mais nada, porque as imagens falam por si.

maritza orange

Maritza tem de escolher entre comer dez moscas ou um rato bebé – 04×09 – Orange Is the New Black: Foram vários os momentos em que vimos os guardas desta prisão a usarem a sua posição de poder em relação às reclusas de uma forma desumana, mas acho esta cena em particular um verdadeiro pesadelo. Está muito bem feita, não é isso que está em causa, mas é de uma violência emocional – com ameaça de violência física também –  tremenda. Que tipo de pessoa é que, para seu próprio divertimento, obriga alguém a escolher entre comer um rato bebé vivo ou dez moscas mortas? Tudo isto porque tinha ouvido uma conversa parva, mas inocente, entre Maritza e Flaca na cafetaria. E tratava-se mesmo de obrigar Maritza a escolher? Ou o guarda queria apenas forçá-la a comer o ratinho, como ela tinha dito hipoteticamente que preferia? Humphrey tinha uma arma e estou certa que não teria tido problemas em usá-la. Pessoas como ele não deveriam ser guardas prisionais, deveriam era estar elas próprias presas, de preferência por muitos e longos anos.

david clarke está vivo

David Clarke está vivo – 03×22 – Revenge: Ok, foi uma reviravolta dos diabos David Clarke estar vivo e até o foi de uma forma muito positiva porque a série ganhou uma certa vitalidade, mas toda a história de Revenge girava à volta da vingança de Emily/Amanda contra as pessoas que tinham causado a morte do pai. Quer dizer, o morto afinal não estava morto, portanto a jornada de Emily perdia, em grande parte, o sentido. É claro que muitas daquelas pessoas tinham ajudado a destruir a imagem de David Clarke e causaram o fim da infância feliz de Amanda, mas já não podiam ser consideradas ‘cúmplices’ da sua morte. Gostei que David Clarke estivesse vivo, afinal de contas? Confesso que sim, mas nunca teria imaginado essa possibilidade. Vê-lo aparecer do nada, numa noite de nevoeiro, ainda para mais tendo-se livrado de Conrad, que eu odiava, foi impagável.

lori espeta-se com o carro

Lori espeta-se com o carro numa estrada vazia – 02×08 – The Walking Dead: Bem, eu sempre admiti não ser boa condutora e por isso não tenho o hábito nem de conduzir nem de criticar a condução dos outros, mas até eu acho má demais a parvoíce desta cena. É certo que durante o apocalipse, onde não se vê vivalma na estrada nem em lado nenhum, uma pessoa não está muito preocupada em ter acidentes porque não há muito com que se espetar, mas Lori nunca ouviu a expressão “eyes on the road”? Até porque podem não haver pessoas e outros carros em circulação, mas há zombies! Toda a cena é um bocado pateta… Lori não ia a conduzir muito depressa, manteve-se a direito na estrada depois de se ter espetado com o walker e só depois parece ter perdido o controlo do carro, perceba-se lá porquê. Além disso, aquele capotar do carro pareceu-me um bocado exagerado.

Para vocês, quais foram aqueles momentos de séries que acharam completamente surpreendentes?

Diana Sampaio