Ainda em homenagem ao Dia Mundial da Música, que se celebrou na semana passada, decidi escrever uma crónica que, mais uma vez, põe em destaque a importância da banda sonora em certos momentos (alguns deles chave) do mundo das séries. O seu impacto é inegável e a verdade é que há músicas que ‘fazem’ as próprias cenas. Os acordes certos, a melodia perfeita, uma letra tocante, dão a certos momentos a força que nunca teriam apenas com imagens. Estas são cenas que nunca esquecerei, com músicas que para sempre irei associar àqueles momentos e que, de cada vez que as oiço, me remetem para aquela série. As mais especiais vou deixá-las para o final:

Seal, Kiss From a Rose (Bones – 05×17 – The Death of the Queen Bee): Decidi colocar esta música e este momento logo no início da crónica porque é aquele que, de entre as minhas oito escolhas, considero menos tocante. Gosto imenso desta música, mas, para quem não conhece a série, isto seriam apenas duas pessoas a dançar. No entanto, é muito mais do que isso. Este é o episódio em que Brennan vai ao encontro dos antigos colegas do liceu e no qual se sente tão deslocada quanto sentia há tantos anos atrás. No entanto, desta vez, ela não está sozinha, tem Booth com ela, a fingir que são casados, para investigar um crime. Isto abre todo um mundo de possibilidades, sobretudo para contentamento dos fãs, porque Brennan sente-se segura junto de Booth, muito menos sozinha do que dantes e aquilo que naquele dia foi apenas um disfarce talvez se torne uma realidade. E bem sabemos que tornou!

Air Supply, All Out of Love (Hung – 03×07 – What’s Going On Downstairs? or Don’t Eat Prince Eric!): Tenho que confessar que esta é a minha única escolha da lista cuja série não vi. Porquê incluí-la então? Deparei-me com este vídeo quando, há uns tempos, fiz uma pesquisa intensiva sobre o trabalho de Jamie Clayton para uma rubrica aqui no site e não fui capaz de não o colocar, de tão terna que achei a cena. Vou dar-vos o enquadramento que também eu tive que descobrir: esta série centra-se em Ray, um treinador de basquetebol do liceu que, depois de perder a casa num incêndio, toma a decisão de se tornar prostituto. Kyla, a personagem interpretada por Jamie, recorre aos serviços de Ray, mas acaba por surgir uma ligação entre os dois. O que é que isto tem de especial? O facto de ter feito algo que poucas (ou nenhuma) séries foram capazes de fazer, criar uma ligação amorosa entre um tipo heterossexual e uma personagem trans. E é ainda mais especial porque este tipo não se importa com a pessoa que Kyla foi, mas sim com quem é agora. E a música é muito bonita!

Scala & Kolacny Brothers, Nothing Else Matters (Crisis – 01×01 – Pilot): É fácil arrepiarmo-nos com uma série que nos é querida, mas não é algo que aconteça muito quando nos aventuramos em algo novo. No entanto, foi precisamente isso que me aconteceu no episódio de estreia de Crisis, na montagem final. Não só são reveladas informações importantes que ditarão o resto do enredo, mas também é criada uma ligação com algumas das personagens, nomeadamente as irmãs interpretadas por Rachael Taylor e Gillian Anderson, e uma preocupação para com o futuro daquelas pessoas. Muito do impacto desta cena se deve à extraordinária escolha musical de uma versão mais ao jeito de balada de um dos singles mais conhecidos da banda Metallica.

Band of Horses, The Funeral (One Tree Hill – 04×07 – All These Things That I’ve Done): Acho que nunca me ‘liguei’ a uma série da mesma forma que me liguei a One Tree Hill e não teria precisado de uma boa banda sonora para sentir isso, mas a verdade é que a música ainda conseguiu tornar a série mais especial em determinados momentos. The Funeral é daquelas músicas que procurei na internet imediatamente depois de o episódio ter terminado e, vários anos depois, continua a fazer parte da minha playlist. Este pode não parecer um daqueles momentos-chave em que algo que muda completamente a nossa vida acontece, mas é-o, de certa forma. Porque Nathan percebe que tem tudo para ser um bom pai e Haley sabe que terá nele sempre um apoio; Peyton aceita que tem de enfrentar os seus medos porque poderá não ter sempre alguém para a proteger; Lucas faz algo que vai contra os seus princípios para defender o irmão e Brooke descobre que não acreditou na amiga que a queria proteger. Estas pessoas podem estar a crescer, mas continuam a cometer erros e a fazer coisas erradas, só que nunca estarão realmente sozinhas, porque irão ter-se sempre umas às outras. Esse foi sempre o espírito de One Tree Hill e uma mensagem que a série honrou até ao final!

Youth Group – Forever Young (The O.C. – 03×04 – The Last Waltz): Eu nunca gostei muito de Ryan e Marissa como casal e nem sequer gostava de Marissa como personagem, mas nunca mais Forever Young foi outra coisa que não a música destes dois desde que vi este episódio. Há algo de incrivelmente bonito acerca de duas pessoas que se amam e que passaram por muito juntas poderem simplesmente aproveitar o momento, sem dramas, sem ninguém a interpor-se entre elas. Tudo o resto é apenas… background.

Florence & The Machine, Seven Devils (Revenge – 01×22 – Reckoning): Os Florence & The Machine são uma das minhas bandas favoritas, mas não foi isso a colocá-los aqui. Aliás, eles são os únicos desta lista que eu já conhecia antes do mundo das séries, mas ganharam o lugar por mérito. Seven Devils é uma música incrivelmente poderosa e que traduz bem a essência de Revenge: “antes de embarcar numa jornada de vingança, cava duas sepulturas”. Este extraordinário final de temporada fez-nos crer que Victoria, a eterna inimiga de Emily, estaria morta “antes de o dia terminar”, tal como é dito na letra da música, embora não às suas mãos. No entanto, não teria sido a melhor decisão matar uma das personagens mais interessantes da série e a única que dava realmente luta a Emily. É claro que Victoria não morreu, mas se tivesse sido esse o seu destino, não poderia ter-se despedido de melhor forma do que ao som de uma música tão magistral.

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Audra Day, Rise Up (Grey’s Anatomy – 12×22 – Mama Tried): E agora, os tearjerker! Este foi um episódio muito difícil de assistir para mim; aliás, toda esta narrativa da custódia de Sofia foi complicada para mim de gerir porque pôs duas das minhas personagens preferidas uma contra a outra numa situação impossível. Impossível pela sua complicação emocional, mas que poderia ter sido perfeitamente evitada se aquelas duas pessoas tivessem parado para pensar que aquilo iria destruí-las às duas. Mas também eu confesso que me deixei levar: se ao início tentei manter a imparcialidade, quando as coisas começaram a ‘aquecer’ tive de ficar do lado de Callie, a minha eterna favorita do mundo das séries. As coisas ficaram feias, atingiram um ponto de não retorno, mas quando se ouve a juíza a preparar-se para anunciar a detentora da custódia total de Sofia o meu coração quase parou de bater com a expectativa. Quando Meredith entregou Sofia a Arizona o meu coração partiu-se mais um bocadinho e só ficou pior quando Callie, completamente devastada, pergunta – mais para ela própria – como é que aquilo aconteceu. A cena em si é poderosa, mas este Rise Up torna-a ainda mais emocionante e continua a dar-me vontade de chorar.

The Cinematic Orchestra, To Build a Home (Orange Is the New Black – 05×13 – Storm-y Weather): Não há nenhuma música no mundo das séries que me tenha tocado tanto como esta. Nenhuma escolha poderia ter sido mais perfeita do que To Build a Home para um final de temporada, para o desfecho de mais um ano daquela que se tornou uma das minhas séries preferidas. A música é lindíssima, embora triste; ouvi-a vezes seguidas depois de o episódio ter acabado e sempre com o mesmo resultado: lágrimas. As personagens principais foram deixadas com destino incerto, quer as que se encontram em autocarros rumo a novas prisões, quer as que ficaram, que correm realmente perigo de vida. Esta será sempre a música ao som da qual dez mulheres corajosas deram as mãos e aguardaram o seu destino, com coragem e dignidade, a música ao som da qual tenho medo que algumas das minhas personagens favoritas morram. Esta música, quase quatro meses depois de a ter ouvido pela primeira vez – e após inúmeras repetições – continua a ter em mim o mesmo impacto. Aliás, rever esta cena, escrever sobre ela… Só me faz desejar que seja 2018 e que estreie a 6.ª temporada para saber se todas sobreviverão.

E para vocês, quais são aquelas músicas inesquecíveis e que tornaram os momentos das vossas séries ainda mais especiais?

Diana Sampaio