Classificação

8
Interpretação
6.6
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

[Contém spoilers]

We are all sheep

A nova aposta do Discovery Channel, que chegou este verão à televisão, é baseada em factos verídicos e retrata a história de um dos maiores terroristas domésticos do mundo. Manhunt: Unabomber é uma minissérie original que joga com o interesse do público em serial killers, em grandes investigações policiais reais e na atual ameaça terrorista, que há uns anos atrás assumia um rosto diferente. Com o aliciante de se tratar de uma história que realmente aconteceu, a série irá principalmente agradar àqueles que se interessam por seguir pistas até chegar à resolução do puzzle.

Andrew Sodroski faz a sua grande estreia como criador da série e conta com a ajuda do experiente Greg Yaitanes como realizador (Banshee, Dr House, Lost). Sam Worthington (Avatar – 2009; Clash of Titans – 2010), Paul Bettany (A Beautiful Mind – 2001) e Jane Lynch (Glee, Angel from Hell) são as estrelas de destaque nos papéis de James Fiztgerald, Ted Kaczynski e Janet Reno, respetivamente.

A história passa-se em 1995 e em 1997. Há mais de 17 anos que o criminoso Ted Kaczynski, conhecido como Unabomber e que se autointitula “FC”, aterroriza os EUA através de correios armadilhados, contando com 16 ataques com bombas, dúzias de feridas e três mortos. Ao longo da série iremos seguir James Fiztgerald, que começou como um comum polícia de rua, mas que se veio a tornar um dos melhores profiler criminais do FBI e o responsável por apanharem o Unabomber.

O episódio piloto começa de maneira vulgar, com muitos clichés da “american way” e que já vimos não só no piloto de Shooter, por exemplo, mas em dúzias de ocasiões.  A banda sonora é praticamente inexistente, mas a realização destaca-se pela boa reprodução da época, que nos faz sentir como se estivéssemos realmente nos anos 90. O melhor do piloto passa pela interpretação, onde percebemos que Sam Worthington foi bem escolhido para o papel de protagonista e mesmo Paul Bettany, apesar de só o ouvirmos falar duas ou três vezes no episódio, consegue transmitir o sentimento que se espera de Ted Kaczynski. Também o resto do elenco de apoio dá uma boa qualidade à série em termos de atores e é uma das razões que podem levar a continuar a vê-la.

Existem argumentos que funcionam bem em termos de televisão e outros são melhores para o cinema, neste caso ficamos a interrogar-nos se não teria sido melhor optar por fazerem um filme do Unabomber. O episódio parece arrastar-se muitas vezes e o ritmo de suspense perde-se rapidamente. A série está no seu melhor quando vemos Fitz a juntar os pedaços das provas para tentar traçar o perfil deste terrorista e os últimos minutos do episódio, desde que Fitz vai analisar a cena do crime até ao momento em que recebem o manifesto, são sem dúvida o ponto alto do piloto.

Ficamos com curiosidade para saber como irá decorrer o encontro com Fitz e Ted em 1997, no que aparenta ser uma cena ao género do Hannibal de Anthony Hopkins e também para desvendar o mistério do que aconteceu na vida de Fitz depois de ter conseguido apanhar o Unabomber. O piloto tem apenas o suficiente para nos fazer avançar para o 2.º episódio, o qual se não for bem mais cativante será uma razão válida para abandonar a série.

Em nota de curiosidade: sabiam que a personagem de Leo James Fitz de Agents of SHIELD é inspirada no verdadeiro James Fiztgerald?

A série de crime e drama contará com 8 episódios que serão transmitidos na Discovery Channel até meio de setembro.

Emanuel Candeias