São inúmeras as séries que foram buscar inspiração a livros, quer sejam obras únicas, séries ou sagas. Algumas mantiveram-se fiéis aos livros, outras distanciaram-se mais um pouco do material original para criar a sua própria história, mas a verdade é que há uma infinidade de adaptações para o pequeno ecrã (ou para os ecrãs de computador, para não deixar de fora as séries de serviços de streaming). The Handmaid’s Tale, Big Little Lies, The 100, Pretty Little Liars, Gossip Girl, Lipstick Jungle, The Vampire Diaries e True Blood são alguns exemplos dessas séries, mas há muitos mais. Para além de fãs de séries, também adoramos livros e por isso quisemos dar a conhecer-vos dez livros que deram origem a séries e que vale a pena ler. Muitos mais haveria para colocar, certamente, e a nossa lista de futuras leituras não para de crescer, mas para já ficam aqui estas sugestões:

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22.11.63 (11.22.63), Stephen King

11.22.63 é uma história criada por Stephen King, autor conhecido por imensos bestsellers, como por exemplo It ou Carrie, que deu origem a uma minissérie de sucesso da Hulu com o mesmo nome. A história é sobre um professor de Inglês, Jake, que encontra uma máquina do tempo que o leva a 1960 e decide entrar numa jornada para melhorar o mundo, salvando Kennedy de morrer no dia 22 de novembro de 1963. Quer tenham visto a série ou não, é um livro que vale a pena ler! Pode assustar alguns leitores menos habituais pelo seu tamanho, mas é um livro fácil de se ler, com uma narrativa extremamente interessante, personagens profundas e cativantes, mas acima de tudo humanas e com as quais nos podemos identificar, como costuma acontecer com as histórias de King. Pelo próprio formato, o livro permite aprofundar mais a caracterização das personagens e a própria época de 1960. Se conhecem a história do assassinato de Kennedy é uma oportunidade de a conhecerem mais a fundo e de outra perspectiva, da de alguém que é como se tivesse estado lá no próprio dia. Se não conhecem um dos mais famosos assassinatos do mundo, então este livro dá-vos a conhecer tudo sobre isso. No entanto, o que mais gostei no livro não foi a história de tentar salvar Kennedy, mas sim mesmo o período que Jake passa nesta bela época em que tudo era diferente. Para terminar, deixo-vos com uma pequena curiosidade pessoal: este livro foi o primeiro que li de Stephen King, ainda por cima em inglês, tal e qual como ele o escreveu. Gostei tanto que decidi ler tudo dele; vou a meio dessa jornada, mas tudo começou com 11.22.63.

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Por Treze Razões (13 Reasons Why), Jay Asher

É suposto que esta seja a história de Hannah Baker, a adolescente que se suicidou depois de não ter aguentado mais a pressão, o bullying e o sentimento de que estava sozinha neste mundo. No entanto, eu vejo Por Treze Razões como se fosse a história de Clay Jensen. Mesmo que Hannah seja uma parte importante desta narrativa, não consigo deixar de ver Clay como o protagonista. Ele é o tipo de pessoa com quem não nos cruzamos frequentemente ao longo da vida e digo isto porque é difícil encontrar pessoas genuinamente boas. Clay é-o. A forma como a morte de Hannah o marca, o desespero dele em ouvir as cassetes para saber porque é que também ele lá está, para depois descobrir que era a única pessoa que lá estava por um bom motivo… Foi por causa de Clay que senti uma verdadeira ligação a esta história. A trama arranca sem grande impacto, mas mais para a frente sente-se as emoções começarem a apoderar-se de nós. Esta não pretende ser uma obra-prima da literatura, tem uma escrita simples, mas oferece uma leitura bastante agradável e pouco pesada, bem ao estilo young adult, de um tema tão delicado como o suicídio adolescente e o bullying. A quem ainda não tiver visto a série, recomendo primeiro o livro.

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Série Dexter, Jeff Lindsay

Esta colecção de oito livros de Jeff Lindsay deu origem a uma série muito conhecida com o mesmo nome, Dexter. Este é um dos poucos casos em que vi a adaptação antes de ler os livros. Adorei e era completamente obcecado pela série e um dia, depois desta acabar, encontrei numa livraria inglesa um livro de Dexter e foi aí que descobri que a série tinha sido baseada numa saga (aparentemente estava demasiado focado na intro maravilhosa para ler as palavras que diziam isso mesmo todas as semanas!). Sabendo que iria gostar, comprei logo os oito e não desiludiram. Os livros e a série começam no mesmo ponto, mas depois seguem caminhos completamente diferentes, o que aumenta ainda mais o interesse, mesmo que já tenham visto a série. Não só podem explorar mais intensamente o universo de Dexter, o humor negro deste e o seu código de honra, como ainda têm histórias fundamentalmente diferentes e caminhos alternativos. Tal como na série, temos acesso aos pensamentos deste e da sua voz interior, o que é uma estratégia de escrita altamente peculiar, mas muito interessante.

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Saga As Crónicas de Gelo e Fogo (A Song of Ice and Fire), George R. R. Martin

Todos já ouviram falar desta magnífica coleção pela sua adaptação feita pela HBO. Sendo uma das séries mais vistas, só por isso vale a pena ir bisbilhotar a fonte de inspiração, mas não foi assim que a minha aventura com ASOIAF (A Song of Ice and Fire) começou. Quando soube que havia uma série (tinha na altura acabado a 1.ª temporada) que estava a chamar a atenção e que era baseada numa saga de fantasia decidi comprar logo os livros e manter-me fiel ao mantra de ler antes de ver e assim foi. Antes da chegada da 2.ª temporada, acabei os dez livros, não sendo capaz de esperar para que as traduções acompanhassem o meu ritmo de leitura. E que jornada que temos a oportunidade de ler! George R. R. Martin sabe bem como criar empatia com os leitores e manipular-nos a gostar de uma personagem para logo de seguida nos dar um desgosto. O estilo de escrita também torna a saga atrativa; em cada capítulo acompanhamos uma personagem diferente, dando-nos assim acesso a pensamentos e raciocínios a que não é possível na televisão. Se acham que por já terem visto a série não vale a pena ler os livros, estão completamente enganados. Já fiz uma re-leitura depois da 6.ª temporada e acabamos sempre por descobrir pormenores novos. Aproveitem que o penúltimo livro deve estar perto de sair para começar esta jornada!

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Trilogia Hannibal Lecter, Thomas Harris

Esta trilogia de Thomas Harris já inspirou muitas adaptações, sendo que as mais conhecidas são os dois filmes com Anthony Hopkins e a série protagonizada por Mads Mikkelsen. Seja qual for a adaptação que tenham visto, vale sempre a pena ler estes livros. São muito fáceis de ler e apresentam-nos uma das personagens mais complexas e inteligentes alguma vez criadas. Temos um acesso mais pormenorizado e intenso à psique de Hannibal. O Dragão Vermelho é uma história em que Hannibal aparece mais como um consultor, mas foi a sua primeira aparição. No segundo e terceiro volumes, as obras primas de Thomas Harris, é quando este é verdadeiramente explorado. É engraçado que começamos os livros já a saber que Hannibal é um serial killer e até se encontra preso, logo, isto muda completamente o esquema habitual de acompanhar o percurso até se descobrir e prender o assassino. O que torna esta trilogia mais deliciosa é capaz de ser as conversas que Hannibal tem com as diversas personagens, em especial com Clarice, a maneira como este psiquiatra é capaz de penetrar as mentes dos seus interlocutores e explorar esta capacidade. Se transmitir esta sensação não é uma capacidade extraordinária de escrita então não sei o que alguma vez será.

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Orange Is the New Black – O Ano que Passei Numa Prisão de Mulheres, Piper Kerman

Como grande fã de Orange Is the New Black, chegou uma altura em que senti que havia uma coisa que me faltava: ler o livro. Comprei-o e devorei-o em poucos dias. A forma como o livro está escrito agarrou-me a cada página. Piper Kerman pode não ter feito da escrita a sua carreira, mas há qualquer coisa na forma como pega nas palavras que considero muito interessante e acho ideal para um livro como este. Kerman dá a conhecer a sua história contando-a de forma intimista. No entanto, o tom do livro não nos apresenta um drama (são vários os momentos cómicos) e sim um momento complicado da vida desta mulher, mas que foi encarado da melhor forma possível, dadas as circunstâncias. Obrigatório ler para os fãs da série, mas esperem algo muito diferente da adaptação.

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Série Rizzoli & Isles, Tess Gerritsen

A genialidade da escrita de Gerritsen terá muito a ver com a sua carreira de médica, que lhe deu os conhecimentos necessários para descrever uma série de pormenores que um comum escritor nunca terá vivido. Há algo de muito realista na descrição dos crimes e das vítimas, mas isso não seria suficiente para uma receita de sucesso. Contudo, a verdade é que a autora tem o dom de conseguir juntar todos os ingredientes necessários para a criação de um bom livro. Duas personagens femininas fortes (com especial destaque para Maura, que é absolutamente fascinante) são as protagonistas alternadas desta série que já conta com 12 livros. É recomendável a leitura completa, uma vez que as histórias dos personagens têm a sua relevância para o contexto geral, mas é possível ler-se as obras individualmente sem se ficar com a sensação de se estar a perder informação essencial. Esta série fez-me incluir Tess Gerritsen na lista dos meus autores favoritos. Para além da parte mais técnica ser muito bem conseguida, os plots são convincentes e a sensação de que temos perante nós um bom policial não nos abandona ao longo dos vários volumes. Só é pena cá não ser muito fácil arranjar todos os livros publicados pela mesma editora. Recomendo especialmente O Cirurgião, O Aprendiz, Duplo Crime e Seita Maldita.

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Objetos Cortantes (Sharp Objects), Gillian Flynn

Sharp Objects ainda não estreou, mas a ansiedade é muita para ver a adaptação deste fantástico livro de outra das minhas escritoras favoritas. Não estou a exagerar quando digo que a primeira página me prendeu logo. A personagem principal, Camille Preaker, conseguiu conquistar logo a minha atenção e até ao fim manteve-se fascinante, com muita coisa empolgante a acontecer pelo meio. Camille é jornalista e um crime que vai investigar obriga-a a voltar à pequena cidade onde cresceu e de onde fugiu assim que pôde, deixando para trás a mãe, uma mulher sinistra. É claro que este regresso de Camille iria desenterrar questões do seu próprio passado, mas Flynn nunca é previsível e faz-nos sempre duvidar de tudo e todos, com uma visão um tanto ou quanto sombria do mundo, mas que encaixa na perfeição num livro como este. Camille tem graves problemas, mas é o tipo de personagem com quem é fácil sentir-se uma certa proximidade. O desenrolar da trama ajuda-nos a conduzir até ao desfecho, mas nunca da forma que se pensa, há sempre surpresas. Objetos Cortantes é tão bom que nos deixa arrepiados e perturbados, mas não como se de um livro de terror se tratasse. Essa sensação prende-se com a nossa condição de seres humanos capazes dos piores atos. Flynn é magistral a lembrar-nos disso.

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Série Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle

Outra série que inspirou imensas adaptações, tanto no pequeno como no grande ecrã, foram as histórias contadas por Sir Arthur Conan Doyle, protagonizadas pelo detetive Sherlock Holmes e o seu ajudante Dr. Watson. Existem todo o tipo de opiniões para as adaptações, mas nada como ir ler a fonte original para sermos apresentados a vários magníficos mistérios e um detetive que é capaz de ser a pessoa mais inteligente do mundo, com grandes capacidades de dedução e de memória. Estes mistérios têm a capacidade de nos maravilhar e de nos deixar boquiabertos sem saber como os crimes foram cometidos, mas ao mesmo tempo conseguem a genial simplicidade de, quando Sherlock une as pontas todas, dar a sensação ao leitor de que todas as pistas estavam no texto e que podia ter chegado lá por ele próprio. Imaginem escrever um mistério e ter que deixar pistas para o leitor, mas ao mesmo tempo tentar garantir que não cheguem lá para não estragar o final do livro. Agora imaginem repetir isto imensas vezes e apresento-vos as aventuras de Sherlock Holmes por Arthur Conan Doyle.

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Trilogia Os Mágicos (The Magicians), Lev Grossman

A trilogia de Lev Grossman inspirou uma série com o mesmo nome produzida pelo Syfy e que tem aumentado o seu sucesso de temporada para temporada. Para qualquer amante profundo de fantasia, Lev é uma leitura obrigatória, não só pela excelente história que ele nos propicia e pela profundidade das personagens, é pela forma única como ele trata a magia. A maior parte dos fãs de fantasia, como eu, hão de ter um gosto especial pela magia e portanto é mais do que fácil identificar-nos com a personagem principal, um brilhante jovem que vive deprimido porque o mundo não tem a magia que ele encontra nos livros. O que torna genial é a maneira como Lev mostra que a magia não seria a solução para os nossos problemas e acompanhar a depressão de Quentin torna-se especialmente interessante no primeiro livro. A história vai evoluindo, mas o seu nível mantém-se sempre alto, além de que são apenas três livros e a história chega a um fim. Preparem-se para mergulhar num universo mágico diferente de todos os outros e ao mesmo tempo muito semelhante ao nosso.

Diana Sampaio e Raul Araújo