Classificação

3
Interpretação
2
Argumento
6
Realização
6
Banda Sonora

[Contém spoilers]

“Que sera, sera…”

Não existe maneira mais infalível de nos estimularem a fazer ou ver uma coisa do que ao proibi-la, não é por nada que o fruto proibido é o mais apetecível. A série Heathers começou a dar mostras de um “parto” difícil quando em março deste ano a sua estreia foi adiada devido ao tiroteio mortal que houve numa escola em Parkland, nos EUA. Depois de anunciado o dia 10 de julho como a nova data de estreia foi com surpresa que pouco depois disso o público recebeu a notícia de que a Paramount Network tinha decidido que não iria pôr a série no ar já que “sentiam que não parecia correto”. Graças à saída antecipada do piloto no iTunes e na app da Paramount no final de fevereiro pudemos ao menos ver o início daquilo que seria a série.

Antes de passarmos à análise critica do piloto é preciso realçar que a censura de uma série e o abafar de assuntos não me parecem de todo opções viáveis para resolver um assunto que tanta polémica gera nos EUA. Não é por Heathers não ir para o ar que a violência nas escolas irá acabar e quem sabe se a forma satírica com que a série aborda o assunto não seria um importante veículo para encontrar novas formas de discutir o problema. Como tal, é com grande pena que vemos este tipo de decisões a irem para frente e as pessoas serem privadas de pensarem por si e tirarem as suas próprias conclusões. Foi também por sermos contra este tipo de atitude que, mesmo apesar de a série ter sido cancelada e até à data não ser possível visualizar mais do que o primeiro episódio, decidimos fazer a review do piloto.

Heathers é um reboot do icónico filme com o mesmo nome do fim dos anos ’80, de 1988, escrito por Daniel Waters, realizado por Michael Lehmann e com Winona Ryder e Christian Slater nos papéis principais. Após o sucesso do filme de humor negro, tendo sido considerado em 2015 o 5.º melhor filme da lista dos “50 Best High School Movies” pela Entertainment Weekly e com um score de 95% no Rotten Tomatoes, a história foi adaptada para um musical em 2010 que foi bastante bem recebido tanto pelos críticos como pela audiência.

Quanto à série foi criada por Jason A. Micallef e conta com estrelas como: Grace Victoria Cox no papel de Veronica Sawyer, James Scully no papel de J.D. e Melanie Field, Jasmine Mathews e Brendan Scannell como as três Heathers.

O enredo, adaptado para os dias de hoje, retrata uma escola onde a tentativa de eliminar a discriminação e de individualizar cada pessoa é tanta que se criou um regime opressor compactuado tanto por alunos como professores. Quando J.D. se muda para Westerburg High School e a sua influência impulsiona Veronica a voltar-se contra as Heathers, chegando mesmo a tentar assassinar Heather Chandler, aí é que as coisas começam a tomar um rumo sem controlo.

Podemos resumir a série como uma caricatura deliberadamente forçada que no final acaba por cair numa vazia ideia fora da caixa cuja crítica pouco construtiva é apenas mais um dos exemplos daquilo que caracteriza o que a série pretende demonstrar. Os atores parecem limitar-se a cuspir texto decorado, tentando dar umas notas de teatralidade, mas sem nunca transmitir a emoção suposta. O episódio destaca-se no entanto pela sua boa cinematografia e banda sonora alternativa.

Apesar de nada do que foi dito anteriormente ser mentira e de que a série merecia pelo menos ter visto a luz do dia para então ser criticada pelo público, em termos de qualidade, e se o piloto é um indicador do resto da temporada, verdade seja dita que não se perdeu grande coisa.

Emanuel Candeias