Classificação

7.9
Interpretação
7.6
Argumento
7.7
Realização
7.8
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Esta semana, Grey’s Anatomy traz-nos Harder, Better, Faster, Stronger, após o qual a segunda metade desta 14.ª temporada da série verá a sua primeira interrupção (o que, infelizmente, significa que a série entrará numa breve pausa, com o seu regresso agendado para março).

Harder, Better, Faster, Stronger marca, por fim, o início do Grey Sloan Surgical Innovation Contest, o concurso para a inovação cirúrgica financiado por Jackson. Obviamente, muitos dos nossos médicos estão ansiosos por começar e alguns deles até já têm uma clara ideia dos seus projetos.

Este é o caso do Dr. Avery, que planeia revolucionar o universo das cirurgias plásticas com a sua invenção: pele pulverizável. É, sem sombra de dúvida, uma ideia promissora, da qual Jackson está bastante orgulhoso… Isto é, até que Catherine e a Dr.ª Michelle Velez (Candis Cayne) lhe apresentam o seu próprio projeto.

Michelle pretende aperfeiçoar a forma como são feitas as vaginoplastias, de modo a proporcionar uma melhor qualidade de vida a mulheres transgénero, ou simplesmente a mulheres que precisem de passar por este procedimento pelas mais variadas razões. Jackson não percebe a razão pela qual Michelle precisa da sua ajuda até esta afirmar que ela própria será o objeto de teste, o que significa, obviamente, que não poderá realizar a operação a si mesma.

De início, Jackson não se sente confortável em aceitar a proposta de Michelle, pelas mais diversas razões. Não só teria de abandonar a sua ideia original, mas teria também de trabalhar com a sua mãe, apesar de os dois terem acordado em não trabalhar juntos em genitais (por razões óbvias e constrangedoras). Para além disso, Jackson acredita que o número de pessoas que iriam beneficiar deste procedimento é bastante reduzido (apenas 1% da população, segundo o médico) quando comparado à quantidade de indivíduos que poderiam ser ajudados com a sua proposta. É então que Meredith lembra o nosso Dr. Avery que 1% da população representa muita gente que pode ser ajudada e Jackson acaba então por concordar em trabalhar com Catherine e Michelle no seu projeto.

Existem ainda duas outras médicas que têm já uma ideia clara do projeto que querem desenvolver: Miranda, que pretende criar um objeto que simplifique o modo como realizam colonoscopias, e Maggie, que tem como objetivo inventar um modo de carregar aparelhos cardíacos através da pele. Bailey, ainda em descanso devido ao susto do episódio anterior, recruta Levi para ser o seu ajudante (ou, por outras palavras, moço de recados), enquanto Maggie acompanha Richard nas suas aulas de dança para surpreender Catherine no seu aniversário.

Contudo, nem todos os nossos médicos estão tão bem preparados… Aliás, no início do episódio, muitos deles ainda não sabem o que fazer ou se irão sequer participar no concurso.

Meredith e Richard são dois dos médicos que, surpreendentemente, ainda não têm uma ideia clara do que querem fazer. No caso de Meredith, a ideia para o seu projeto surge no decorrer da operação para remover os mini-baços que cresceram dentro de Judy (Lesley Boone). Durante esta cirurgia, Jo faz um comentário sobre o quão fantástico seria se, em vez de mini-baços, conseguissem produzir algo mais prático, como rins em miniatura, ou mini-fígados. Naturalmente, Meredith começa de imediato a pensar em formas de o fazer acontecer. Já o projeto de Richard – uma espécie de caneta capaz de distinguir tecidos saudáveis de tecidos cancerígenos – é inspirado por uma história que Maggie lhe conta, sobre uma “varinha mágica” que tinha em criança.

Para Amelia e Alex, a inspiração para o seu projeto vem de Kimmie Park (Nayah Damasen), uma jovem com um tumor cerebral inoperável. O desejo de Kimmie de participar em audições leva os nossos médicos a pensarem em alternativas aos tratamentos com radiação ou de quimioterapia. Assim, chegam à conclusão que, da mesma forma que um copo pode ser partido através de um som com a mesma frequência, também o tumor pode ser eliminado dessa forma.

Finalmente, ainda abalada por ter perdido a sua paciente em Personal Jesus (14×10), Arizona resolve fazer alguma pesquisa sobre a mortalidade materna nos EUA e chega a uma conclusão aterradora: segundo as estatísticas, o nível de mortalidade materna nos EUA é muito superior ao de outros países do mundo desenvolvido. A nossa Dr.ª Robbins quer descobrir o porquê disto acontecer e como o prevenir, sendo este o seu projeto.

Uma vez que há gostos para tudo, descobrimos ainda que Owen não tem qualquer interesse em participar no concurso. Afirma não precisar de competir num concurso, visto que compete com a morte todos os dias ao ajudar os seus pacientes.

Entregues as propostas, chega a hora de descobrir quais os projetos que recebem a luz verde para continuar na competição. É nesta altura que surgem algumas “surpresas”…

Descobrimos que o projeto de Meredith e Jo (que a Dr.ª Grey resolveu incluir no projeto, uma vez que Jo desvendou uma peça crítica do puzzle) continua na competição, mas há um senão: as nossas médicas precisam de um polímero patenteado por um médico em Madrid, o qual é extremamente caro. Será que irão conseguir dar a volta à situação?

Já Arizona apercebe-se que irá precisar de ajuda no seu projeto e, uma vez que Itália tem um índice de mortalidade materna muito inferior à dos EUA, recruta Carina para ser a sua parceira. A médica pergunta a Arizona se as duas serão apenas parceiras neste projeto, ao que a Dr.ª Robbins responde com um beijo. Parece que, depois de tantos episódios, a relação entre Arizona e Carina volta a ser uma possibilidade.  À semelhança do projeto de Meredith e Jo, o projeto de Arizona e Carina também continua no concurso.

Sabemos, também, que o projeto de Maggie recebe a luz verde para continuar na corrida.

Infelizmente, nem todos os nossos médicos conseguiram passar à segunda fase. Apesar de, no caso de Richard, Miranda ou Jackson, não ser claro se estes passaram ou não, um dos projetos claramente não continuará no concurso. É o caso do projeto de Amelia e Alex. Honestamente, fiquei muito surpreendida ao descobrir que não passariam à segunda fase. No fundo, sabia que algum dos nossos médicos iria ficar para trás, mas nunca pensei que seriam estes dois, ainda para mais sabendo que este concurso representa a última hipótese de Kimmie.

Chegamos, assim, às nossas considerações finais. Pessoalmente, entendi a relutância de Jackson em abandonar o seu projeto, mas aprecio o facto de este ter percebido que fazê-lo era o mais correto. Adorei que Grey’s tenha dado a entender que a cirurgia em questão não é apenas algo cosmético e que tenham ajudado a esclarecer algumas conceções erradas sobre a comunidade transgénero.

Gostei, também, de ver Jo e Meredith a trabalharem juntas, e admiro Meredith por tomar Jo como sua parceira e não como sua assistente. A relação de amizade e respeito mútuo entre estas duas médicas não é algo de novo nesta série, mas sinto que se tem vindo a intensificar nestes últimos episódios, o que me agrada bastante. Para além disso, ainda acho importante o facto de Jo usar o seu nome completo na proposta. Finalmente, Wilson não tem que se esconder, porque não há nada a temer.

Apesar de ter algum interesse no que aparentava ser o afastamento de April da sua religião, não sei se gosto desta sua nova atitude. Por vezes, senti que April se tornou um pouco irritante, mas quando o episódio se começou a aproximar do seu final esta pareceu melhorar um pouco, pelo que espero que Grey’s encontre um meio termo com esta personagem.

Outra coisa que me continua a chatear em Grey’s são estes internos. Por mais que queira, não consigo gostar da grande maioria deles. A narrativa de Sam e DeLuca irrita-me solenemente, assim como Taryn (cuja personalidade simplesmente odeio) e até mesmo Levi. A paixoneta de Dahlia por Jackson é completamente ridícula, tendo em conta que todos estes internos são adultos e deviam saber comportar-se como tal, pelo menos quando estão a trabalhar.

Tendo tudo isto em consideração, acho que Harder, Better, Faster, Stronger foi um bom episódio, com muito a acontecer ao mesmo tempo. Tenho curiosidade em ver qual será o resultado deste concurso mas, por agora, tudo o que nos resta a fazer é esperar, uma vez que a série só regressará no próximo mês. Até lá, sintam-se à vontade de partilhar os vossos pensamentos sobre este episódio!

Inês Salvado

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