Classificação

8
Interpretação
7.8
Argumento
7.8
Realização
7.6
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Estão todos a fazer a pose de super-herói? Sim? Então vamos a isto.

Esta semana, Grey’s Anatomy continua o ritmo acelerado do episódio anterior com Ain’t That A Kick In The Head, nome que acho bastante apropriado para este episódio por razões que já conhecemos. De qualquer forma, vamos lá fazer um recap dos acontecimentos deste episódio.

À semelhança do episódio anterior, Ain’t That A Kick In The Head foca-se, principalmente, em Amelia e no seu gigantesco tumor cerebral, o qual deixa de fazer parte da médica antes ainda da segunda metade do episódio. Pois é, quando digo que o ritmo de Grey’s mudou de forma drástica é disto que estou a falar – e, por um lado, até gosto deste novo andamento, como tenho vindo já a dizer. Gosto da forma como a storyline de Amelia não se arrasta de forma tortuosa por diversos episódios e, em vez disso, é rapidamente abordada e resolvida. Bom, pelo menos em parte! Todos sabemos que este não é o fim desta storyline, mas por agora podemos respirar de alívio ao saber que Amelia não corre perigo de vida. No entanto, esta mudança tem-me vindo também a incomodar, em especial neste episódio, apenas por me parecer tão repentina. Sem dúvida que vou levar algum tempo a habituar-me… Mas continuemos.

É verdade, o tumor de Amelia deixou, oficialmente, de ser um problema. A remoção do sacana deixa-nos com bastante tempo para acompanhar a recuperação de Amelia que, na sua fase inicial, nos dá um pequeno aperto no peito ao relembrar o sofrimento que precedeu a morte de Derek. Amelia acorda após a cirurgia, completamente ciente de tudo à sua volta, mas, à semelhança do seu irmão, vê-se incapaz de comunicar. Esta sensação de impotência causa-me uma certa ansiedade, uma vez que tudo o que quero fazer é entrar para o ecrã e dizer “Parem! Não veem que a estão a magoar?” Felizmente, Amelia não tarda a melhorar, mas há outro problema… Só consegue falar em francês. Parece que o seu cérebro está a demorar um pouco a fazer reset (algo completamente aceitável, dadas as circunstâncias). Pouco depois volta a falar inglês (uma pequena vitória), mas desta vez não se lembra da morte de Derek.

Tudo isto leva a que Amelia acredite que ainda há algo de errado consigo. Apesar do Dr. Tom (Greg Germann) a fazer chegar à conclusão que a perda de memória é apenas temporária, Amelia não se deixa convencer e pede mais uma série de exames de modo a confirmar que o tumor realmente desapareceu. Como seria de esperar, os exames não mostram nada de errado, mas a paranoia de Amelia não diminui – isto é, até que DeLuca fala com a médica e lhe explica que, como durante tanto tempo houve algo verdadeiramente errado, é perfeitamente natural que continue a sentir isso, apesar de agora estar em segurança. Estas palavras são precisamente aquilo que Amelia precisa de ouvir, pondo, finalmente, um fim à sua caça aos gambuzinos (pelo menos assim espero… nunca se sabe com Grey’s!).

Falando ainda sobre Amelia, há algo neste episódio que não me agradou de todo. Sim, Amelia e Owen estão casados, mas sejamos honestos: há muito tempo que a relação entre os dois não resulta e isso não se deve apenas ao tumor de Amelia. Existe todo um conjunto de razões que justificam a sua separação, pelo que não apoio a decisão de Amelia ir viver novamente com Owen. Com estes os dois, um dos seguintes cenários irá acontecer: ou percebem que o tumor de Amelia não foi o que levou à sua primeira separação e decidem seguir os seus próprios caminhos, ou o tumor realmente foi o causador de todos os seus problemas e desta vez tudo resulta. Não é por nada, mas aposto no primeiro.

Passando agora para as restantes personagens, cada vez se torna mais claro que estão a preparar a saída de Ben para o spin-off de Grey’s Anatomy, o qual foi anunciado no início deste ano. Neste episódio, Ben anda a treinar nas horas vagas para estar em forma para se vir a tornar bombeiro – uma ideia que tem já desde o final da temporada passada. Apesar de não se tratar de uma personagem importante, é certo que vou sentir a sua falta. O seu lugar não tardará a ser preenchido por novos internos – sim, vem aí uma nova fornada de personagens – e espero bem que nenhum dos incompetentes que nos foram apresentados no decorrer de Ain’t That A Kick In The Head se venha a tornar um personagem recorrente.

Este episódio marca ainda o reencontro de Farouk (Bardia Seiri) e Megan Hunt. Correndo o risco de parecer insensível, já estava farta de ouvir Megan dizer que tinha que sair do hospital e voltar para Farouk. Assim sendo, estou feliz por ver os dois finalmente juntos, graças aos esforços de Nathan e Meredith.

Irrita-me, ainda, o facto de Jo não poder fazer parte do artigo sobre Megan devido ao seu passado. Honestamente, sinto que sou das poucas pessoas que realmente gostam de Jo, mas lá por gostar da personagem não quer dizer que goste da storyline que lhe está associada. Aquilo que me fez gostar de Jo foi, precisamente, o seu passado trágico, de várias formas semelhante ao de Alex. No entanto, sempre achei completamente desnecessária a decisão de trazer de volta o marido de Jo (interpretado por Matthew Morrison, de todas as pessoas!), que apenas serve para desestabilizar ainda mais a série e abrir a porta a mais drama e confusão. Não é uma narrativa em que esteja interessada, mas, uma vez que foi introduzida, tem que ser levada até ao fim. Espero que Grey’s aproveite o rápido andamento desta sua temporada para resolver o assunto de uma vez por todas.

Tendo tudo isto em consideração, devo dizer que não achei este episódio tão forte como o anterior, apesar de ainda assim ter gostado do que vi. A realidade é que senti que certas partes do episódio foram um pouco apressadas quando não havia necessidade para tal e esta pressa levou a que por vezes algumas cenas não tenham tido o impacto que podiam ter tido. Veremos o que irá acontecer, mas algo me diz que uma vez que o tumor de Amelia já não está na ‘imagem’, as coisas irão regressar ao seu ritmo normal.

Inês Salvado

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