Em homenagem ao Dia Internacional da Amizade, que se celebra amanhã, decidi dedicar a crónica desta semana precisamente ao tema da amizade nas séries.

Não é a primeira vez (nem segunda ou terceira) que a amizade tem aqui destaque, mas nunca é demais falar de algo tão importante, pois não? É certo que séries como Friends, How I Met Your Mother e Sex and the City criaram expectativas irrealistas sobre a amizade, mas no bom sentido. Como é que estas pessoas conseguem passar tanto tempo juntas? Às vezes até parece que ninguém trabalha ou que não têm mais nada para fazer para além de se sentarem a beber café, cerveja ou cosmopolitans! Na vida real às vezes é difícil organizar uma saída semanal (ou até mesmo mensal), quanto mais diária! No entanto, deve ser muito agradável ter um grupo tão sólido com quem se pode contar a qualquer altura. Mais do que amigas, estas pessoas são família umas para as outras. Bem, diz-se que os amigos são a família que escolhemos, não é verdade? Eu concordo!

E não se pode falar no expoente máximo da amizade sem fazer uma paragem por Grey’s Anatomy! Meredith Grey e Cristina Yang protagonizaram uma das melhores amizades da história recente televisiva. Com os seus altos e baixos, mas épica. Tal como Brooke Davis e Peyton Sawyer de One Tree Hill. E quem é que não gostava de ter uma amiga como Jessica Jones? Ok, ela até pode ter jeito para afastar as pessoas, mas dá para a censurar? Nem por isso! E, quando está lá, é a melhor amiga que se pode pedir! Além disso, deve ser muito fixe ter uma amiga com super-poderes. E também deve ser incrivelmente fascinante – mas um tanto ou quanto assustador – ter os nossos amigos na nossa própria cabeça, a ajudarem-nos a dizer e a fazer coisas que sozinhos não conseguimos, como o grupo de Sense8.

Por falar em capacidade extraordinárias… Once Upon a Time nunca teria sido a mesma coisa sem os laços que Regina estabeleceu com as suas outrora inimigas Snow White e Emma Swan. É em coisas como essas que a magia de OUAT sobressai! Pessoas que tinham todos os motivos para se odiarem forjaram laços improváveis que as tornaram melhores e mais fortes.

E também incrivelmente improvável foi a amizade entre a quase sempre imensamente empertigada Lady Mary Crawley e Anna Bates em Downton Abbey. No entanto, com Anna, Mary provou ser uma pessoa melhor do que parecia e, certamente, menos emproada. Nos anos ’20 não seria certamente comum nem bem visto estabelecer amizade com uma empregada, mas a verdade é que isso nunca foi um entrave. Mary mostrou uma preocupação e estima para com Anna que não a víamos ter com a própria irmã Edith, por exemplo. Mas é precisamente para isso que os amigos servem: para estarem lá quando precisamos deles.

Eu podia mencionar séries e mais séries, mas vou tentar não me alongar muito mais. Um dos clichés de amizades que mais me aborrecem é a insinuação de que quase nunca um homem e uma mulher podem ser amigos sem serem algo mais. Mas podem! Meredith Grey e Alex Karev são, Will Gardner e Diane Lockhart também, assim como Cooper Freedman e Violet Turner, Danny Reagan e Jackie Curatola.

No entanto, é claro que há amizades que avançarão sempre para algo mais. Como Nicky e Morello em Orange Is the New Black, eternas amigas coloridas. Nem tanto por esta altura, principalmente quando o destino de Nicky é incerto, mas não vejo Morello a ‘sobreviver’ sozinha. Talvez ela não ame Nicky da mesma forma que esta a ama, mas precisa dela. Precisam uma da outra e, de certa forma, completam-se. Lorna vive no seu próprio mundo e Nicky, apesar de tudo, é capaz de compreendê-la e de a fazer voltar à realidade.

Depois também há aquelas amizades que nunca serão mais do que isso, mas em que claramente existe algo mais, como entre Marcia Clark e Christopher Darden em American Crime Story ou entre Tess Roberts e Lexy Price em Lip Service. Achei que tinham uma química incrível!

As amizades vão ser sempre um ponto fulcral nas séries, tal como o são na vida real. Talvez nem sempre da mesma forma, não com a mesma intensidade, mas a sua importância é inegável, tanto no mundo da ficção como na realidade. Um brinde a isso, aos amigos e à amizade!

Diana Sampaio