Em homenagem ao Dia Mundial da Música, que se comemora amanhã, decidimos recordar aqueles que consideramos alguns dos melhores momentos musicais das séries e nossos favoritos. A verdade é que o mundo da televisão está repleto de cantores – mesmo que não o sejam profissionalmente – extraordinários e, nalguns casos, a dificuldade foi a de escolher apenas um momento de cada série. Aqui ficam as nossas escolhas:

Empire é uma série repleta de músicas que vão marcando as experiências de vida de cada personagem. Numa altura em que vivemos tempos difíceis no que diz respeito a direitos humanos, destaquei esta música poderosa, como o nome indica, interpretada por Jussie Smollett e Alicia Keys. Alicia foi convidada especial na 2.ª temporada,no papel de Skye Summers, uma mentora de Jamal Lyon que também o ajuda a descobrir a sua identidade pessoal. Powerful representa todas as injustiças para com pessoas de cor e que infelizmente continuam a acontecer. Mostra também uma esperança de que um dia essas injustiças acabem: “I see a colourful future, where skin don’t define any human” (Vejo um futuro colorido, onde a pele não define nenhum humano).

Glee foi uma série que ultrapassou barreiras. Mostrou personagens muito diversificados, com deficiências, com origens e orientações sexuais diferentes e juntou alunos populares a outros socialmente marginalizados através da música. Mostrou que as diferenças só existem porque fazemos de certas coisas um obstáculo, quando deveria haver muito mais coisas a aproximar-nos do que a separar-nos. Glee mostrou o poder da música, que ela pode ajudar-nos a lidar com os nossos sentimentos e a transmiti-los aos outros. Mostrou a união de um improvável grupo de miúdos que se tornaram uma espécie de família e o marco que o liceu pode ter nas nossas vidas. Foram muitos os momentos musicais marcantes da série, mas este assinala o início de tudo e aquele que é o espírito de Glee.

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Grey’s Anatomy aproveitou o acidente que colocou uma das personagens favoritas do público em risco de vida para experimentar algo diferente, um episódio musical alicerçado no talento de alguns dos membros do seu elenco e, em especial, no de Sara Ramirez, artista premiada da Broadway. Entre a vida e a morte, Callie tem uma espécie de experiência extra-corpórea onde percorre os corredores do hospital enquanto interpreta The Story, originalmente interpretada por Brandi Carlile, o que culmina no acordar da personagem do seu coma e no ‘sim’ ao pedido de casamento de Arizona. No entanto, apesar deste presente para os fãs que significa a sobrevivência de Callie, a verdade é que o momento vive do extraordinário talento vocal de Sara e da garra com que o interpreta.

How I Met Your Mother já se tinha aventurado por campos mais musicais ao explorar o passado de Robin como cantora pop canadiana, mas foi com a interpretação de Cristin Milioti de La Vie En Rose, de Édith Piaf, que atingiu o brilhantismo. Há algo de incrivelmente melancólico e triste, mas belo, na canção e que talvez devesse ter feito prever que também Tracy não teria um desfecho muito feliz na história. O toque perfeito vem do facto de que este momento assinala o primeiro de muitos na relação entre Ted e a ‘Mother’.

Nashville é uma série focada na música country constituída por um elenco, na sua maioria, com currículo no mundo da música, o que não facilita nada a tarefa de selecionar apenas um momento musical. No One Will Ever Love You foi uma das primeiras músicas da série e é uma ode à relação de Rayna (Connie Britton) e Deacon (Charles Esten). No início da série, apesar de formarem um dueto musical, Rayna e Deacon não são um casal. Ao longo das temporadas, vamos vendo o que aconteceu entre os dois no passado, as alegrias, as tristezas e as dificuldades que vão atravessando no presente, até encontrarem o amor que os uniu inicialmente. Contudo, quando tudo parecia perfeito entre os dois ao fim de cinco temporadas, Rayna morre. Agora, ouvir esta música tem um significado diferente. É óbvio que espero que Deacon encontre alguém novo porque apesar de acreditar que nunca se vai esquecer de Rayna, merece um final feliz.

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Once Upon a Time pode ser um reinvenção para pessoas mais crescidas das histórias da nossa infância, mas não deixa de ser um conto de fadas. Como qualquer conto de fadas, OUaT está repleto de magia e este episódio foi a prova viva disso. Umas interpretações foram mais bem sucedidas do que outras, mas esta de Zelena, uau! Gostei tanto da prestação de Rebecca Mader que, assim que o episódio terminou, dei por mim a pesquisar se a atriz tinha alguma ligação ao teatro musical. Não tem, mas saiu-se extremamente bem e proporcionou-me um dos momentos mais agradáveis do episódio (e foram vários!). A essência da personagem está lá, com um pouco da velha Zelena dos primeiros episódios e um pouco desta nova Zelena que cresceu e se tornou uma pessoa melhor. Depois, a letra assenta que nem uma luva (e dá-me vontade de cantar, embora eu cante muito mal!) na narrativa construída à volta da Bruxa Má do Oeste.

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A música sempre foi uma componente importante em One Tree Hill, muito mais do que noutras séries, mas não especialmente marcante. Pelo menos quando recordo esta que provavelmente é a minha série preferida de todas, não é dos momentos musicais que me recordo, mas sim do basquetebol, das amizades, do amor, do sentimento de que aquele lugar é especial. No entanto, esta música, interpretada por uma das personagens principais, Haley James Scott (Bethany Joy Lenz) é muito gira e a verdade é que também não quis deixar OTH de fora desta crónica. De entre tantos momentos era difícil escolher apenas um, ainda por cima quando se calhar outros eram mais simbólicos, mas em termos musicais acho que não há nenhum que seja realmente superior a este.

Tal como Sara Ramirez, também Kristin Chenoweth é uma galardoada artista da Broadway e Pushing Daisies soube tirar partido disso. A atriz tem uma voz incrível e uma presença à altura ao interpretar Hopelessly Devoted to You, inicialmente interpretada por Olivia Newton-John no filme Grease. Apesar de sempre ter torcido para que as coisas resultassem entre Chuck e Ned, nunca deixei de me sentir triste pelo quanto Olive amava Ned sem ser correspondida (ou notada). Esta canção personifica isso mesmo e o quanto Olive nunca deixou de ser leal aos dois, em detrimento dos seus próprios sentimentos.

Smash tem muitas músicas ou não seria uma série musical. Contudo, destaquei esta música que, apesar de se desviar um pouco dos restantes temas musicais, é uma música bem disposta que representa um momento de descontração dos ensaios da Broadway, com as duas rivais Karen e Ivy num breve momento de tréguas. Cheers (Drink to That) é uma música de Rihanna que, sinceramente, ficou bem melhor interpretada por Katherine McPhee e Megan Hilty. O local da cena também é um bom motivo para adorar este momento musical: Times Square, em Nova Iorque, um daqueles sítios que só quem lá está consegue ter a noção da sua grandiosidade.

The Fosters também já foi capaz de proporcionar uns quantos momentos musicais bastante agradáveis tendo, inclusive, feito um episódio quase inteiramente musical, mas a verdade é que eu até gosto de coisas mais sentimentais. Eu gosto de músicas deprimentes, de coisas calminhas, de baladas e que até têm a ver com acontecimentos da trama e esta música de Brandon (de quem até nem gosto muito) foi uma boa surpresa. Não adoro a voz dele, embora não seja má, mas Lou, como coro, torna esta uma melodia melhor do que seria com Brandon a solo.

Lady Gaga é aquele tipo de artista que provoca opiniões totalmente opostas: ou se odeia ou se adora. Eu situo-me do lado dos fãs, claro, que ela própria intitula de little monsters. A sua participação em The Simpsons decorreu num episódio em que Lisa precisou de ajuda para lidar com a sua autoestima (ou falta dela). Houve muitas críticas a este episódio na internet, referindo que foi um dos piores da série, mas sinceramente foi um dos meus preferidos, possivelmente ‘o’ preferido. Lady Gaga está longe de ser convencional ou consensual, mas parte da sua carreira tem sido dedicada a promover o amor próprio e a aceitação de todos, independentemente de poderem ser diferentes de nós. A música cantada no episódio vai de encontro aos ideais que a cantora defende, mas The Simpsons nunca esqueceu a sua veia satírica caricaturando um pouco a artista, mantendo-se fiel àquilo que é e sempre foi.

 Quanto a vocês, de que momentos musicais se recordam com carinho?

Ana Velosa e Diana Sampaio