Classificação

8.5
Interpretação
7.3
Argumento
7.5
Realização
8.6
Banda Sonora

Sexy, energética e fácil de digerir – estas são algumas das palavras que melhor descrevem a nova aposta do canal televisivo CBS, Doubt. Trata-se de um drama legal, criado por Tony Phelan e Joan Rater, que decerto tentará encontrar o seu lugar num universo governado por séries já bem estabelecidas, como How To Get Away With Murder ou Suits.

Este primeiro episódio leva-nos a uma firma de advogados sediada em Nova Iorque e liderada por Isaiah Roth (Elliot Gould), da qual fazem parte Sadie Ellis (Katherine Heigl) e Albert Cobb (Dulé Hill), que partilham uma relação semelhante à de dois irmãos que implicam um com o outro. Sadie e Albert trabalham juntos no caso de Billy Conway (Steven Pasquale), um médico abastado acusado do assassinato da sua namorada, décadas atrás. O caso, que ocupa o spot principal deste episódio, complica-se quando é revelado que Sadie e Billy têm sentimentos um pelo outro. Ao mesmo tempo, Cameron (colega de Sadie e Albert, interpretada por Laverne Cox) e a sua associada, Tiffany (Dreama Walker), trabalham no caso de Lester Wilson, um indivíduo esquizofrénico que empurrou uma senhora para a linha do metro. Somos apresentados ainda a Nick Fox (Kobi Libii), que se torna no mais recente membro da equipa após usar as suas fontes para ajudar o caso de Sadie e Albert. Este pilot não estaria completo sem o twist final: Judith Light aparece como a mãe de Sadie, que se encontra encarcerada por homicídio desde que Sadie tinha apenas dois anos de idade.

Apesar de ter todo o potencial para se tornar numa boa série, a mistura entre a comédia leve e o drama em Doubt leva a que se torne semelhante a muitas outras que a precederam. O aspeto que mais a distingue das restantes é, sem dúvida alguma, o elenco que possui alguns nomes que já são bastante conhecidos dos seriólicos, como é o caso de Katherine Heigl (Izzie Stevens nas primeiras temporadas de Grey’s Anatomy) ou Laverne Cox (Sophia Burset na série Orange Is The New Black, da Netflix). No entanto, a série fica um pouco aquém das expectativas por se tornar um pouco previsível: Sadie é a típica advogada que só vive para o seu trabalho, sendo, claramente, a favorita de Isaiah; Tiffany é apresentada como a ingénua rapariga do midwest (algo que ela mesma refere várias vezes durante as poucas falas que tem) descontente com o seu trabalho enquanto associada de Cameron que, por sua vez, é apresentada como menos competente que Sadie, apesar do seu caso ser, em vários aspetos, mais interessante do que o da protagonista. É de acrescentar que a química entre Heigl e Pasquale é pouco convincente, pelo que a relação entre as duas personagens deixa algo a desejar.

Doubt tem, no entanto, aspetos a seu favor: a intensidade inata de Heigl encaixa perfeitamente no papel de Sadie enquanto advogada de defesa, sendo esta uma das suas melhores performances desde Grey’s Anatomy; Albert e Cameron são personagens que facilmente se podem tornar interessantes se a escrita o permitir – Albert possui um certo charme e a dificuldade que tem em balançar o seu trabalho com a sua vida pessoal atribui-lhe algum interesse que, por vezes, não encontramos em Sadie; por sua vez, Cameron distingue-se por ser uma personagem ainda não exaustiva na televisão, uma vez que se trata de uma mulher transgénera num mundo dominado por personagens como Sadie.

Em suma, Doubt trata-se de uma série com algum potencial, que irá certamente agradar a um vasto número de pessoas por ser de fácil visualização. Como sempre, aconselha-se que vejam o piloto, onde terão uma ideia mais clara do que a série tem para oferecer e a partir do qual poderão formular a vossa própria opinião sobre a mesma.

Por fim, a questão que se coloca é a seguinte: conseguirá Doubt estabelecer-se neste ambiente tão competitivo ou irá este drama partilhar o mesmo destino de séries como Conviction? Only time will tell, mas até lá sintam-se livres de partilhar a vossa opinião. Doubt regressa na próxima semana, com o seu segundo episódio, “Then and Now”, onde Sadie tentará manter a sua relação com Billy puramente profissional, enquanto trabalha num caso que envolve um amigo de Isaiah, e Cameron terá que decidir se irá ou não convencer o seu cliente a testemunhar contra o próprio primo para evitar ir preso por um crime que não cometeu.

Inês Salvado