Classificação

Comrade Detective conta a história de dois detetives Gregor Anghel e Joseph Baciu que investigam a morte do antigo parceiro de Gregor - Nikita. Ao fazerem-nos, descobrem que a morte dele está relacionada a uma conspiração anti-comunista muito maior.

4.3
Interpretação
3.2
Argumento
4.8
Realização
5.4
Banda Sonora

Bom, de alguma forma tenho adiado a escrita desta review por medo de admiti-lo, mas finalmente ganhei coragem: Ok, cá vai. Odeio séries dobradas.!Nossa, nem sabia no que me estava a meter quando decidi escrever sobre este piloto…

Mas bom, farei o melhor que posso.

Comrade Detective é uma tentativa de sátira ao comunismo da URSS – datada dos anos 80, pós Guerra Fria. Conta a história de dois detetives, Gregor Anghel e Joseph Baciu, que investigam a morte do antigo parceiro de Gregor, Nikita. Ao fazerem-no, descobrem que a morte dele está relacionada com a uma conspiração anti-comunista muito maior.

Ora, esta série só por si tem uma peculiaridade diferente das restantes. Começa com Channing Tatum e Jon Ronson (produtor e autor da série, respetivamente) a explicar o conceito da série e que foi ‘encontrada’ e re-produzida por eles, para dar um tom de sátira inicial à série. O que acontece é que, sabendo o quão diversificado é o cast que a série apresenta (Channing Tatum, Jospeh Gordon-Levitt, Nick Offerman, etc), a seguir vem a facada no coração: eles não fazem mais nada na série a não ser a voz dobrada dos atores escolhidos.

O primeiro episódio é uma introdução à trama e às personagens que nos irão envolver nos restantes: Gregor vê a vida do seu parceiro Nikita tirada injustamente e junta-se a Joseph Baciu para investigar a morte dele. Ao iniciar esta investigação que teima em levar até ao fim, Gregor dá por si no meio do mundo do mercado negro de tráfico de bens americanos – e junta-se a Baciu numa luta contra falsos comunistas e capitalistas que enfartam hambúrgueres e dizem asneiras.

Suponho que a ideia da série seja mostrar o outro lado: com tanta cinematografia a fazer da Rússia o vilão, desta vez a ideia é o oposto. A América é a vilã: contra o comunismo, contra os benfeitores do sítio.

Parte de mim sentiu que apesar da boa tentativa de inverter os papéis dos USA e da URSS, Comrade Detective falha imenso quando preposições ridículas tomam parte do discurso dos detetives: a posse de um par de calças de ganga Jordache é sinal de corrupção e falso comunismo.  A sério?

Fez-me pensar que na realidade não estou a ver papéis nenhuns invertidos, esta série é só mais uma sátira ao comunismo noutra perspetiva, e não chega já de sátiras à URSS? Desde 1980 que o vilão é sempre o mesmo…

Eu juro-vos que tentei gostar. Juro. Mas não deu. Talvez tenha sido o facto de a série ter sido dobrada que me tenha feito desviar o olhar da mesma a cada 5 segundos e procurar algo mais interessante para fazer. Talvez tenha sido a tentativa de satirizar a URSS que já chega, já cansa, parece que sinto que é a única coisa que os americanos sabem fazer. Talvez até tenha sido só simplesmente o ridículo de achar que estou a ver a Miami Vice: Edição Comunista. Não sei.

Se gostam do estilo, não serei ninguém para vos impedir. Poderão até dizer que é out-of-the-box – e eu não percebo nada de arte – e é uma série fantástica por isso mesmo. A mim, não me convenceu. Infelizmente para quem gostou também só tem seis episódios.

Joana Henriques Pereira