Classificação

8.5
Interpretação
10
Argumento
9
Realização
7
Banda Sonora

Começo por confessar que fiquei ansiosa por ver esta série e fazer esta crítica assim que vi o nome de Bobcat Goldthwait no título. Sou uma fã assumida de comédia e conhecia Goldthwait pelos seus espectáculos de stand-up comedy nos anos 80, nos quais ele assumia uma maneira única de falar e de se mover, tornando-o uma personagem muito caricata. Por estas razões, fiquei muito curiosa quanto a Bobcat Goldthwait’s Misfits & Monsters.

Quando comecei a ver o episódio, rapidamente me apercebi que, apesar de ter os seus ”toques” de comédia, na verdade o género aproximava-se mais do terror ou suspense, que também me interessa bastante, e quis ver  como é que ia ser o resultado final. E posso agora dizer que foram 24 minutos muito bem passados.

Este episódio mostra a história do dobrador de uma personagem de desenhos animados, Bubba The Bear. Bubba tem uma voz e forma de falar muito peculiares (tal como o estilo de stand-up de Goldthwait nos anos 80) e é uma personagem muito adorada pelo público mais jovem. Tudo corre muito bem até a personagem passar do ecrã para a realidade de Noble Bartell (o dobrador, interpretado por Seth Green) e começa a persegui-lo onde quer que ele vá e com quem quer que ele esteja, colocando-o constantemente em situações de perigo. Bartell começa a ver Bubba em todo o lado e isso começa a perturbá-lo imenso, ao ponto de a sua família e ele próprio começarem a pensar que está a ficar louco. Bartell acaba por perguntar o que aconteceu ao homem que fazia a voz de Bubba antes de ele aparecer e foi-lhe dito que esse senhor tinha enlouquecido e internado num hospital psiquiátrico. Mais à frente, vemos Bubba e Bartell num último confronto, no qual Bubba diz a Bartell que ele só é alguém por sua causa e acaba por cortar a língua do seu dobrador. Na cena seguinte, vemos Bartell sentado ao lado do antigo dobrador de Bubba, ambos com a língua cortada, em frente a uma televisão, a ver a personagem a quem deram voz em tempos, rindo das suas aventuras. No final do episódio, vemos um novo ator a fazer uma audição para o papel de Bubba (e acaba por consegui-lo) e avistamos o urso a espreitá-lo pela janela, sorrindo com malícia para a sua próxima vítima. Assim que acaba a história, seguem-se alguns minutos nos quais o elenco da série explica como o episódio foi feito. Achei particularmente interessante quando Goldthwait disse que acabou por se aperceber que o enredo retratava um pouco a relação entre ele e a persona que assumiu durante anos em palco e da qual não se conseguia livrar.

Achei o episódio muitíssimo bem conseguido em vários aspetos. A parte de animação faz lembrar Looney Tunes e a interação com os humanos traz à lembrança Who Framed Roger Rabbit?. Fiquei contente ao ver que Seth Green fazia parte do elenco, pois já estou familiarizada com o seu trabalho, nomeadamente como a voz de Neil Goldman e Chris Griffin em Family Guy, portanto, com este background, já palpitava que iria fazer um excelente trabalho com Goldthwait. O final está muito bem pensado, deixando-nos a imaginar quanto tempo demorou até que o próximo dobrador fosse levado à loucura pela sua personagem. E gostei mesmo imenso da parte final em que explicam o episódio, como foi feito, em que se basearam, como fizeram a animação do mesmo e a interação entre humanos e desenhos animados. É sempre bom aprender.

Vou de certeza acompanhar o desenrolar da série, ver qual a ideia que Bobcat Goldthwait nos vai apresentar no próximo episódio. Não sei o que será, como será e quem fará parte do elenco, mas tenho cá a sensação que vai ser interessante. Venham mais séries assim!

Beatriz Reis