Na passada terça-feira, dia 15, celebrou-se o Dia Internacional da Família, por isso a crónica desta semana não podia deixar de ser dedicada ao tema. Já não é a primeira vez que aqui se escreve sobre famílias, por isso, sem querer estar a repetir aquelas de que já falámos antes, aqui ficam algumas das minhas preferidas.

 

braverman

Os Braverman [Parenthood]: Com vários núcleos dentro da mesma família, encabeçada por Zeek e Camille, os Braverman são a típica família grande e unida das séries. Sempre tive um carinho especial pelo núcleo criado por Julia e Joel, mas a verdade é que estas pessoas funcionam muito bem como um todo. Eles juntam-se às refeições, quer seja simplesmente para estarem juntos ou para celebrarem algum momento especial, conversam ao telefone, passam em casa uns dos outros para falarem sobre isto ou aquilo… Nem sempre tudo é perfeito, mas os Braverman são verdadeiramente uma daquelas famílias que conseguem fazer as coisas resultar pelo melhor. De destacar a relação entre Crosby e Jabbar, entre Zeek e Amber e os ternos momentos entre Kristina e a pequena Nora.

chance

Os Chance [Raising Hope]: Eles são uma das famílias mais divertidas com que a televisão alguma vez nos presenteou. Com as suas peculiaridades, cada um é mais doido que o outro, mas é um nível de loucura saudável, uma vez que todos se dão bem e a convivência é cómica. Quando Jimmy engravida uma assassina e fica com a custódia da bebé, os seus pais – que o tiveram na adolescência – chegam-se à frente para o ajudar. É como se passasse a haver duas crianças em casa, já que a Maw Maw, a avó, já vai nos seus 80 anos e a demência tomou conta dela. O casal é verdadeiramente cúmplice e engraçado, Hope é uma menina adorável e os cinco formam um núcleo curioso. Os constantes flashbacks do passado desta família são verdadeiras pérolas que nos mostram que eles já foram ainda mais doidos.

the goldbergs

Os Goldberg [The Goldbergs]: Miúdos sempre à bulha, mas unidos para se escapulirem à atenção sufocante da mãe; um pai que só quer que os seus filhos parem de ser morons e que não chateiem, para ele poder estar sentado sossegado no seu cadeirão, sem ter que exercer qualquer tipo de parentalidade, e um avó cúmplice dos segredos dos netos e que serve um pouco de mediador entre pais e filhos são os elementos que constituem esta família muito divertida. As características de cada um são exageradas a um ponto cómico, mas estes defeitos aparentes são apenas a superfície de uma família que consegue ter tanto de relatable como de fofa e parva. O pai não é tão indiferente quanto parece, os filhos não são tão insensíveis quanto isso aos sentimentos da mãe, só precisam do seu espaço. A mãe, bem… dificilmente consegue moderar-se na atenção aos filhos, mas às vezes lá vai cedendo – milimetricamente – e aceitando que Erica, Barry e Adam já não são bebés. Se estes Goldbergs da ficção são mesmo fiéis àqueles em que se inspiraram, e tudo leva a crer que sim, deve ter sido uma aventura crescer naquela família!

harrison

Os Harrison [Trophy Wife]: Dois filhos traquinas, uma filha certinha, uma mulher jovem, bonita, divertida e descontraída e duas ex-mulheres constantemente presentes são aquilo com que Pete tem de lidar no dia a dia. As ex podem não fazer propriamente parte do núcleo familiar, mas a verdade é que o grupo já não é a mesma coisa sem elas e vale a pena assumir que o facto de terem sido casadas com Pete no passado as faz crer que continuam a ser parte integrante da vida familiar. Faça sentido ou não, não importa, já que é mais divertido assim, de qualquer das formas. Não há um momento sossegado na casa dos Harrison!

reagan

Os Reagan [Blue Bloods]: Eles podem não ser tantos como os Braverman à mesa, mas não há um domingo em que não se sentem juntos para desfrutar de uma refeição em família. A conversa é o ‘prato’ principal e todos participam, dando a sua opinião relativamente aos temas que surgem, não raras vezes relacionados com os casos que Danny, Erin e Frank têm entre mãos. São quatro gerações que se juntam, as opiniões nem sempre são as mesmas e às vezes até surge alguma tensão, mas há sempre alguém a colocar ‘água na fervura’ quando é necessário. Pai e filha são cúmplices, Linda e Danny têm um casamento sólido, os miúdos crescem a olhos vistos, mas o melhor desta família é que os domingos são verdadeiramente importantes para eles e não uma obrigação que têm de cumprir.

scott

Os Scott [One Tree Hill]: Nathan não teve uma situação familiar nada saudável enquanto cresceu, mas pegou em tudo o que aconteceu de mal no seu passado e construiu um futuro feliz com a sua própria família. À partida, talvez ninguém tivesse acreditado que o puto parvo e a rapariga inteligente e doce funcionassem, muito menos a longo prazo, mas a verdade é que este foi daqueles amores da adolescência que não se perdeu na idade adulta. Nathan mudou muito rapidamente por Haley; de miúdo egoísta passou a um homem repleto de qualidades. Ele e Haley tiveram um ou outro contratempos, mas são um daqueles casais que me fez acreditar que poderiam ultrapassar tudo, acontecesse o que acontecesse. Foi exatamente assim que as coisas aconteceram. Quando tiveram Jamie, criaram-no com todo o amor e aceitação que uma criança pode pedir. Isso resultou numa criança adorável e atenta àqueles que o rodeiam, mas a família só ficou completa com a chegada de Lydia, alguns anos mais tarde. Os Scott são o verdadeiro exemplo de uns pais muito jovens que fizeram tudo resultar da melhor forma possível. Não há famílias perfeitas, mas esta fica perto disso.

turner

Os Turner [Call the Midwife]: Shelagh foi freira, mas era inegável que havia sentimentos entre ela e o bom Dr. Patrick Turner que não podiam ser ignorados e ainda bem que assim foi, porque eles formaram uma das famílias mais adoráveis da televisão. O amor que sentem um pelo outro é palpável e também sempre achei imensamente terna a forma como o pequeno Timothy (agora já bem crescidinho) se afeiçoou a Shelagh e viu nela uma nova mãe, depois de a dele ter já morrido. Mais tarde, a família adotou Angela e, contra todas as possibilidades, surgiu ainda uma nova criança na família, quando se pensava que Shelagh não podia engravidar, devido a complicações causadas pela tuberculose. Esta família já passou por muito: a poliomielite de Timothy, a culpa de Patrick por ter prescrito a várias mulheres grávidas medicamentos que continham na sua composição um elemento que viria a causar malformações graves nos bebés, mas que então não era conhecido na comunidade médica como um componente perigoso, a complicada gravidez de Shelagh… Shelagh e Patrick lidam com muita coisa na sua vida profissional, coisas que os fazem pensar na sorte que têm por se ter um ao outro e à sua família e isso transparece claramente para este lado do ecrã.

Tyler

Os Tyler [Wonderfalls]: A sério, o que eu desejei que esta família tivesse tido mais cenas juntas! Os cinco não contracenaram muitas vezes, mas sempre que todos os Tyler apareciam, estavam garantidas as melhores cenas da série. Cada um com as peculiaridades, cada um mais engraçado que o outro, sem grandes dramas à mistura e uma dose generosa de comédia, as reuniões familiares eram impagáveis, com as irmãs sempre pegadas uma com a outra, os pais claramente com os seus filhos preferidos… É o tipo de família com uma relação que não é demasiado próxima nem afastada, que consegue ser relatable por não ser exagerada, como se vê nalguns tipos de séries, em que estão sempre todos enfiados uns em casa dos outros e a falar sobre as vidas alheias. Aliás, Jaye nem gosta nada que se metam na vida dela, nem tampouco gosta de pessoas e muito menos seria capaz de admitir que adora a irmã mais velha. Elas adoram fingir que não gostam uma da outra, que é algo muito típico entre irmãos.

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Cooper, Charlotte e os miúdos [Private Practice]: Cooper e Charlotte eram um daqueles casais que, à partida, não tinham muito para funcionar. Eram demasiados diferentes, Cooper sendo uma espécie de criança grande e Charlotte com o seu mau feitio e pouca paciência para pessoas no geral. No entanto, a verdade é que os sentimentos surgiram entre eles e foi uma questão de tempo até se tornarem um casal à séria, com a possibilidade de um futuro em comum. Contudo, por muito engraçados que os dois sejam juntos, ganhei um carinho especial por eles quando Mason apareceu. A forma como pareceram funcionar como família, como Cooper não tardou a recuperar com o miúdo os anos perdidos, como Charlotte se permitiu gostar daquela criança que não era dela de sangue, mas que de certa forma também lhe pertencia, como Mason viu nela também uma mãe, que nunca substituiria a que ele perdeu, mas que o amaria muito. E depois os trigémeos… Impagável ver Charlotte grávida e Cooper feliz por ir ter uma prole grande e a mulher furiosa pela excessiva felicidade dele e por lhes terem calhado logo três na rifa. Foram momentos deliciosamente divertidos!

meredith amelia maggie

Meredith, Maggie, Amelia e os miúdos [Grey’s Anatomy]: Muitos antes de as três médicas se tornarem próximas, eu desejava que isso viesse a acontecer. Foi claro desde o início que Maggie e Amelia queriam estabelecer uma relação com Meredith e, conhecendo bem a protagonista do drama médico, sabemos que até lhe pode custar a deixar as pessoas entrarem na vida dela, mas que quando o permite é a sério. Maggie e Meredith foram unidas pelo facto de ambas serem filhas de Ellis Grey, já Amelia e Meredith foram um pouco mais difíceis de encaixar, uma vez que Mer não tinha muita paciência para o feitio da cunhada mais nova, mas é aquela velha máxima de que não precisamos de gostar de uma pessoa para a amar. Até não gostamos do seu feitio, mas há aquela coisa não racional de a amarmos seja como for. Com elas as duas foi um bocado assim, mas as coisas evoluíram num melhor sentido. Maggie intervinha nas guerrinhas entre elas, ‘obrigando-as’ a darem-se bem e é adorável ver o quanto estas três mulheres construíram uma relação a sério em que não são apenas parentes, mas também uma verdadeira família, no sentido importante da palavra. Adoro as cenas em que elas se juntam, de manhã, para preparar os filhos de Meredith e saem todos juntos de casa.

Quero saber também algumas das vossas famílias preferidas das séries. Partilhem connosco!

Diana Sampaio