Classificação

8
Interpretação
7.9
Argumento
8.4
Realização
7.7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

O verdadeiro inferno só agora está para começar…

Com algum atraso, mas Arrow finalmente entrega um episódio digno de midseason finale e que promete levar a temporada num rumo mais apetecível. Já há uns meses que a série estava a precisar de uma grande reviravolta, principalmente no que toca ao seu vilão principal, e este episódio pode ser a linha de partida para uma restante 6.ª temporada de recordar com alegria.

Começando primeiro por alguns emplastros que, excluindo o problema do vilão principal, andam também a desgastar a série.

William… ugh! Mandem-no para um colégio privado bem longe.

Quentin… ugh! É pô-lo num hospício a ver se tratam tanta alucinação.

Rene… ugh! Valhalla?

Os problemas com estas personagens (assim como com Thea, que os produtores continuam sem saber o que fazer com ela) vão-se arrastando de semana para semana, manchando os bons episódios e piorando aqueles que sofrem de problemas mais graves.

  • William é uma criança mimada, “peganhenta” e sem qualquer noção da realidade. Mesmo quando os momentos de pai/filho resultam, isso acontece apenas pela sua ligação a Oliver e nunca por conta da sua personagem em si.
  • Claramente se percebe que não há grande diferença entre o funcionamento da Team Arrow e o da nova equipa dos novatos, mas mesmo assim Wild Dog continua semanalmente a refilar com Oliver, Diggle e Felicity apenas por conta do seu orgulho e teimosia e sem nenhum argumento válido por detrás.
  • Quanto a Quentin, os poucos momentos em que o amor nos olhos dele pela sua filha perdida nos fazem parar é para pensar que o senhor devia mesmo procurar ajuda. Laurel matou o amor da vida de Dinah a sangue frio e tendo em conta as retaliações anteriores vistas na série pela Team Arrow, mesmo que digamos que matar não é a solução, não há ninguém que a possa julgar por querer vingança e não acredito que haja quase ninguém do lado de Black Siren. Este enredo é uma aposta perdida que já devia ter sido largada há muito tempo, mas que os produtores continuam teimosamente a tentar forçar.

Depois destes desabafos e afastando o resto do episódio destes pontos negativos, podemos então realmente apreciar o excelente episódio que tivemos esta semana.

Cayden James estava desesperadamente a precisar de ter não só um background, mas um princípio, meio e fim, que foi exatamente o que tivemos neste episódio. Michael Emerson fez jus às suas excelentes capacidades de representação e ajudou a redimir o vilão. Ficámos a perceber o que realmente motivou Cayden a esta drástica vingança e como convenceu os outros criminosos a juntarem-se a ele (claro que algumas coisas continuam um mistério, como a razão porque se deu a tanto trabalho para salvar Black Siren, por exemplo).

Quem também tem feito um trabalho extraordinário nos últimos episódios é Juliana Harkavy, que retrata uma Dinah Drake perdida na sede de vingança. Pode-se argumentar que Dinah também tem feito algumas escolhas erradas, mas, ao contrário de outras personagens, essas escolhas fazem sentido tendo em conta a situação da personagem e o arco de Dinah nesta temporada tem sido um dos seus pontos positivos.

A ação esteve ‘atraente’, como de costumem e tivemos o raro prazer de ver o “lobo ancião”, Anatoly, a sujar as próprias mãos e a mostrar que não é apenas um chefão que dá ordens.

De focar ainda o papel de Alena, que tem aparecido apenas como “pano de fundo”, mas misturou-se na perfeição com o rumo da história e foi uma peça que ajudou ao enredo de Cayden e do seu passado na Helix. E assim como renasce a esperança no que resta da temporada, também cresce a curiosidade sobre a personagem de Ricardo Diaz. Quando Kirk Acevedo apareceu, despertou logo interesse no que viria trazer à série, depois apagou-se e pareceu estar a ser desperdiçado, mas agora é das maiores dúvidas que temos sobre o que acontecerá com ele nos futuros episódios.

Se gostaram bastante do episódio, ficarão um pouco chateados ao saber que a série só regressará daqui a três semanas, mas é a altura ideal para pensarem nas vossas teorias e as partilharem connosco. “Collision Course” é o inevitável rumo em que as duas equipas de vigilantes em Star City estão a caminhar e com as divergências sobre como lidar com situação de Black Siren, o choque entre a Team Arrow e a Team Outsiders está prestes a ficar ainda mais feio. Até lá, salvem as vossas cidades!

Emanuel Candeias